Jaguar fecha parcerias e busca combustível para inovação no Brasil

A montadora britânica firmou acordos com a aceleradora Cubo e a Firjan para se aproximar de startups locais e sul-americanas em áreas como conectividade, serviços digitais, manufatura e sustentabilidade

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François Dossa, diretor executivo de estratégia e sustentabilidade da Jaguar Land Rover no Reino Unido

Maior fabricante de veículos do Reino Unido, a Jaguar Land Rover atravessou o oceano e estacionou no Brasil. A montadora firmou parcerias locais com o Cubo Itaú e a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) em busca de novos negócios no País.

Os acordos foram anunciados em um evento realizado na manhã desta quarta-feira, 27 de abril, na sede do Cubo, em São Paulo.

As parcerias integram uma iniciativa da empresa chamada de Open Innovation Hub. A fabricante vai se aproximar de diferentes hubs de startups e companhias ao redor do mundo para buscar por novas tecnologias que possam beneficiar sua operação.

O Brasil marca a estreia global do projeto e servirá como base para que a companhia mantenha um olhar atento também para as operações na América do Sul. A Jaguar não revelou o investimento realizado para o desembarque local da iniciativa.

“O Brasil não é nosso maior mercado, mas é um mercado importante e que vai se desenvolver bastante”, diz François Dossa, diretor executivo de estratégia e sustentabilidade da Jaguar Land Rover no Reino Unido, em entrevista exclusiva ao NeoFeed.

O plano da Jaguar é se aproximar de iniciativas em áreas como conectividade, serviços digitais, manufatura, cadeia de suprimentos e sustentabilidade. Segundo Dossa, uma das metas é encontrar tecnologias no País que possam ser desenvolvidas no exterior.

Neste ponto, a companhia está dando o suporte para o Smart Mobility Hub, da Cubo. Trata-se de um braço da aceleradora que foca em soluções que possam mudar a forma como as pessoas se deslocam nas grandes cidades. Esse universo pode englobar startups que atuam com projetos de eletrificação, direção autônoma e novos meios de transporte, entre outros segmentos e conceitos.

“Definimos os territórios de inovação e eu posso chegar ao Cubo e dizer o que eu busco”, diz Dossa. “A partir daí, vamos começar a conversar com as startups que serão selecionadas para ver a forma como vamos trabalhar com essas empresas. Pode ser um acordo comercial ou um investimento.”

Essa não é a primeira vez que a Jaguar busca uma conexão com startups. A companhia tem um braço de corporate venture capital, batizado de InMotion Ventures, que investe em startups voltadas à área de mobilidade urbana. O portfólio atual conta com 18 empresas.

Uma das investidas é a Caura, que atua como um one-stop-shop para proprietários de veículos e permite que eles possam fazer um único pagamento para lidar com contas de estacionamento, impostos, pedágios, seguros, entre outros custos.

Outra é a By Miles, insurtech com um plano no qual o valor do seguro varia de acordo com a quantidade de quilômetros percorridos num determinado período.

De olho em novos negócios, a montadora fará parcerias semelhantes às firmadas no Brasil em outros mercados. A primeira fora do território brasileiro será no Reino Unido, com a aceleradora Plug & Play Tech Center, cuja rede de startups conta com mais de 30 mil empresas. Estados Unidos, Índia e Israel também estão no radar da Jaguar para iniciativas desse tipo.

No Brasil e no exterior, a ideia é a mesma: buscar novos projetos de empresas que trabalham com tecnologia e sustentabilidade para apoiar uma estratégia global da empresa chamada de Reimagine. Entre os objetivos no longo prazo, está a meta de zerar as emissões líquidas em toda a sua cadeia de suprimentos, produtos e operações até 2039.

Todas as ações vão passar pelo crivo de um time composto por mais de 50 executivos da companhia, que se reúne periodicamente para discutir estratégias da fabricante de veículos em torno de inovação.

Por aqui, dois executivos da Jaguar ficarão alocados no Cubo e na Firjan com o objetivo de fazer o corpo a corpo com empreendedores na busca por negócios que façam sentido para a empresa automotiva. “A melhor forma é ter alguém quase o tempo todo por lá. É no happy hour e nas conversas de corredor que as coisas acabam nascendo”, diz Dossa.

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