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Mauricio de Sousa vai terminar história de “Walt Disney japonês” sobre a Amazônia

Osamu Tezuka (1928-1989), o pai do mangá, começou uma história sobre a Amazônia e deixou-a inacabada. Agora, seu filho, Makoto Tezuka, quer que o criador da Turma da Mônica a conclua

 

Maurício de Sousa (à esq.) e Makoto Tezuka em encontro no Brasil, em setembro deste ano

O japonês Makoto Tezuka, de 58 anos, já nasceu sentindo o peso do sobrenome. Filho de Osamu Tezuka (1928-1989), o primogênito é quem administra o legado cultural do criador de Astro Boy, personagem que soma mais de US$ 3 bilhões de receita só com o licenciamento de produtos. Seu pai é conhecido como o “Walt Disney do Japão” e também como o “pai do mangá”, como é chamada a história em quadrinhos de estilo japonês.

Para manter viva a obra de Tezuka, também responsável por personagens como Kimba e a Princesa Safiri, Makoto atua em duas frentes. “Muitas vezes combino o meu trabalho, como produtor e diretor de filmes, com o imaginário deixado por meu pai, adaptando seus mangás para o cinema ou para a televisão”, conta Makoto, durante a 32ª edição do Festival Internacional de Cinema de Tóquio (TIFF-JP).

Foi lá que ele apresentou o drama “Tezuka’s Barbara”, a sua versão do mangá erótico publicado pelo pai entre 1973 e 1974 – ainda sem data de estreia no Brasil. “No segundo caso, entrego projetos a terceiros. Tanto avalio a proposta de outros produtores interessados em desenvolver algo com os nossos personagens ou eu mesmo faço uma encomenda a outros estúdios”, afirma Makoto, dono da Tezuka Productions.

Baseada em Tóquio, a companhia não só funciona como estúdio, produzindo obras de audiovisual e videogames, como gerencia todos os direitos autorais da obra de Tezuka, que deixou mais de 150 mil páginas de mangás, envolvendo cerca de 700 títulos e mais de mil personagens.

O último projeto em que o herdeiro tomou a iniciativa de buscar associados envolve a Mauricio de Sousa Produções. Como o brasileiro foi amigo de Tezuka, Makoto procurou o criador da Turma da Mônica para que ele conclua um mangá inacabado sobre a Amazônia. “A ideia é finalmente concretizar aquele sonho de meu pai que, antes de morrer, já tinha conversado com Mauricio sobre uma possível parceria com proposta ecológica”, diz Makoto.

O projeto começou a ser discutido em setembro, quando Makoto visitou o Brasil, para participar de evento na Bienal do Livro Rio e conhecer os estúdios Mauricio de Sousa, em São Paulo. “Quero honrar a antiga promessa feita entre eles em um momento que parece ainda mais oportuno”, afirma, referindo-se à polêmica política ambiental do presidente Jair Bolsonaro. “Meu pai sempre se preocupou com a natureza, tratando de temas ambientais em suas histórias.” Várias medidas do atual governo deixam a floresta mais vulnerável, como a extinção da Secretaria de Mudanças do Clima e Florestas, entre outras.

“Nos anos 80, Tezuka e eu já conversávamos sobre uma história em quadrinhos ou até um animê (série de animação) unindo nossos personagens na Amazônia. Seria uma aventura defendendo a preservação da floresta”, conta Mauricio de Sousa, que conheceu o artista japonês em 1984, durante um intercâmbio entre os dois países promovido pela Fundação Japão.

Astro Boy: o personagem criado por Makoto já rendeu US$ 3 bilhões em licenciamento

O que Mauricio não sabia era que o amigo tinha deixado uma HQ sobre a Amazônia pela metade – ao morrer em 1989, vítima de câncer no estômago. “Vou complementar a história do próprio Tezuka, que chegou a visitar a floresta. Mas sem incluir os personagens da Turma da Mônica. Será uma grande responsabilidade”, diz Mauricio, sem dar mais detalhes do projeto, no qual está começando a trabalhar. O lançamento só será definido quando ele entregar o mangá finalizado à Tezuka Productions.

A primeira parceria entre o estúdio japonês e o brasileiro de HQ se deu em 2012, quando a produtora paulista promoveu um crossover, inserindo personagens como Astro Boy, Kimba e a Princesa Safiri em um gibi da Turma da Mônica Jovem, com a autorização de Makoto.

“O caso de Mauricio é especial, justamente pela amizade dele com o meu pai. Quando artistas mais jovens também querem prestar uma homenagem, eu já não os deixo tão livres, precisando supervisionar todo o processo”, comenta Makoto.

O produtor lembra que qualquer ação envolvendo a herança intelectual da família precisa honrar os valores de Tezuka: como conviver em harmonia, respeitar uns aos outros ou proteger a natureza. “Muito do nosso staff na companhia trabalhou diretamente com o meu pai, sabendo exatamente o que ele defendia”, afirma Makoto, que perdeu Tezuka, aos 28 anos. “Como meu pai morreu relativamente cedo, eu só pensava em cinema naquela eṕoca. Só depois é que passei a me envolver com a empresa”, diz o produtor, formado pelo Departamento de Filmes da Universidade de Nihon.

São muitas as ações de Mokoto, no sentido de revitalizar o patrimônio cultural de Tezuka. Além de estender as séries de mangás deixadas pelo artista, sempre com novas edições, ele lança outros trabalhos póstumos, como foi o caso do curta de animação “Legend of the Forest”, realizado em 2014 – a partir de anotações deixadas por Tezuka.

Seus projetos futuros incluem uma versão cinematográfica da série de animação “A Princesa e o Cavaleiro”, estrelada pela Princesa Safiri, e um reboot do desenho “Astro Boy”, apresentado em mais de 40 países. No total, o mangá do menino andróide com emoções humanas vendeu mais de 100 milhões de cópias ao redor do mundo, figurando entre as HQs japonesas mais populares de todos os tempos.

Será que Tezuka aprovaria a administração que o filho faz de seu legado? “Difícil responder. Acho que ele ficaria feliz com o meu trabalho, por ser meu pai. Por outro lado, por ter sido um homem com uma infinidade de ideias na cabeça, consigo vê-lo fazendo vários comentários. Certamente diria: você deveria ter feito isso ou aquilo”, diz o herdeiro, rindo.

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