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Modalmais vai às compras para ser mais tech e “educar” o investidor brasileiro

O banco, que recentemente vendeu uma fatia ao Credit Suisse, deve adquirir quatro startups nos próximos meses e planeja impulsionar a sua área de educação financeira para trazer mais investidores. Seus executivos explicam o plano ao NeoFeed

 

Em junho deste ano, quando os efeitos da pandemia ainda eram uma incógnita para o mundo, o banco Modalmais anunciou a venda de 25% de sua operação, podendo chegar a 35%, para o suíço Credit Suisse, num negócio que fez a avaliação da instituição financeira alcançar R$ 5 bilhões.

Agora, é o Modalmais que se prepara para abrir a carteira e fazer aquisições em série. “Vamos comprar quatro startups nos próximos três meses”, diz Cristiano Ayres, co-CEO do Modalmais, ao NeoFeed.

A estratégia é ir trazendo para dentro de casa empresas que melhorem a experiência dos clientes. Uma fintech especializada em consolidação de carteira, por exemplo, está nos planos do banco. “Estamos olhando startups de tecnologia que atuam com inteligência artificial e também empresas na área de educação”, diz Rodrigo Puga, sócio do Modalmais.

A área de educação é um dos pontos nevrálgicos para os próximos passos do banco, que hoje conta com 1,3 milhão de clientes e R$ 10 bilhões sob custódia e pretende alcançar 2,5 milhões de clientes e R$ 40 bilhões sob custódia até o fim de 2021. Uma meta, é bom salientar, muito ambiciosa.

“Não dá para sair da poupança para a renda variável da noite para o dia. É preciso educar os investidores”, explica Ayres. Por isso, nos próximos meses, a empresa vai lançar oficialmente uma plataforma de cursos mais parruda chamada Modalmais Academy. Ela está no ar, mas no formato beta, com pouco conteúdo.

“Queremos pegar na mão desse enorme contingente de investidores e mostrar que, com juros baixos, é preciso buscar ativos com um pouco mais de risco”, diz Puga. Ali, os investidores encontrarão cursos gratuitos, até alguns mais baratos e outros mais densos com muita carga horária. “Para trazer os investidores, não basta só encher a prateleira da plataforma de produtos”, diz Ayres. “A parte da educação é muito importante.”

Outra parte fundamental é a confiança. E a entrada do Credit Suisse como sócio preenche essa lacuna e já está trazendo alguns ganhos para a operação. O primeiro, é claro, é a chancela de um banco internacional. O segundo é uma maior oferta de produtos financeiros. “Produtos que antes estavam restritos a um private banking suíço para clientes com alguns milhões de reais investidos”, diz Ayres.

Puga, por sua vez, acrescenta outros atributos que ajudam na operação. “Além de o Credit Suisse ter um nome fortíssimo, contar com US$ 1,4 trilhão sob gestão, e trazer produtos para a nossa base, o nosso cliente passa a ter relatórios do banco, mais informações. Existe uma complementaridade enorme, não há sobreposição de negócios”, afirma.

Rodrigo Puga (à esq.) é sócio do banco. Cristiano Ayres (à dir.) é sócio e co-CEO do Modalmais

Fundado em 1995 como Banco Modal, por ex-sócios do Garantia, entre eles Diniz Ferreira Baptista, ele atuava antes como um banco de investimentos, com carteira de empréstimos corporate, wealth management, M&A, entre outros serviços de atacado.

Em 2012, o banco decidiu entrar com mais força na área de varejo e criar uma plataforma de investimentos. Puga chegou em 2013 para montar a Modalmais que, nasceria, em outubro de 2015, com produtos próprios do banco. Aos poucos, a plataforma foi ganhando corpo e importância na estrutura do banco.

Basta ver a evolução do número de clientes. Em 2016, contava com 17,5 mil clientes. Passou para 90 mil no fim de 2017 e, em 2018, já anotava 290 mil clientes. No ano passado, o Modalmais terminou o ano com 700 mil e até agora está perto de 1,3 milhão. O crescimento aconteceu também por conta de uma decisão estratégica.

Em 2018, a operação de banco digital foi unificada com a plataforma de investimentos, dando origem ao Modalmais como é hoje. “Começamos como uma startup dentro do banco. Era uma sala com 12 pessoas. Em um ano, viraram 50 pessoas, depois 200 pessoas e hoje o Modalmais se tornou o banco com mais de 650 funcionários diretos”, afirma Puga.

Desde o início da operação, o Modalmais focou em captar clientes sozinho, sem a ajuda de agentes autônomos. Mas isso mudou no início do ano, quando o banco comprou a Hub Capital, uma empresa que reúne mais de 200 agentes autônomos.

“Não tínhamos know how nessa área”, diz Puga. A Hub Capital foi criada por Alexandre Marchetti, um dos primeiros sócios da XP Investimentos, e, desde a sua chegada, ela adicionou R$ 1 bilhão sob custódia para o banco.

A estratégia de se tornar um banco de varejo está mais do que clara. Mas, ao mesmo tempo que entrou no varejo e foi um dos pioneiros na junção de banco digital com plataforma de investimentos, o Modalmais, diz um executivo que conhece muito bem a operação, ficou atrás de bancos digitais que foram criados depois dele. “Para brincar de empresa de tecnologia tem que ter cash. E eles nunca conseguiram um grande aporte”, diz ele.

O Nubank, por exemplo, foi criado em 2013 e recebeu mais de US$ 1,4 bilhão em aportes. Com mais de 30 milhões de clientes, entrou com força no mercado de investimentos, ao comprar a plataforma Easynvest, que conta com mais de R$ 20 bilhões sob custódia.

O Banco Inter, que transformou digitalmente o antigo Intermedium, abriu seu capital em 2018. Desde então, recebeu R$ 1 bilhão do Softbank e, em setembro deste ano, levantou R$ 1,2 bilhão em um bem-sucedido follow on. Com mais de 8 milhões de correntistas, tem uma plataforma de investimento com mais de R$ 26 bilhões sob custódia.

“Vai ser difícil o Modalmais liderar segmento. É mais fácil ser completamente absorvido”, afirma outro executivo que conhece o dia a dia do Modalmais. Esse mesmo profissional diz que o banco acabou, de certa forma, “abandonando” a área corporate. “Informalmente, no último ano, o investment banking e a área de M&A minguaram”, afirma. Pelo menos, a instituição financeira está mantendo o foco no caminho delineado. Se vai dar certo, já é outra história.

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