No final de 2020, a Ânima Educação passou na frente da Ser Educacional e fechou a compra dos ativos brasileiros do grupo americano Laureate, por R$ 4,4 bilhões. A operação mudou o patamar da companhia, adicionando nove faculdades ao seu portólio e expandindo sua presença para mercados que correspondem a 75% do total de matrículas no ensino superior brasileiro.

Já no fim de 2021, outra operação chacoalhou as estruturas da Ânima. A DNA Capital, que tem como o principal acionista a família Bueno, da Dasa, investiu R$ 1 bilhão na Inspirali, subsidiária do grupo de educação que oferece cursos de medicina. E um dia depois do anúncio do aporte, ela fechou a compra da Ibcmed, focada em cursos de pós-graduação no setor.

Estes dois movimentos foram muito importantes para a Ânima, ao posicionar o grupo de educação avaliado em R$ 2,2 bilhões para crescer nos próximos anos. Mas, antes dos devidos ganhos, vem a parte “chata” do processo, que é integrá-los à estrutura do grupo e lidar com os efeitos financeiros provocados pelas transações, pontos em que a empresa vai se concentrar em 2022. 

“Nosso foco está na integração e na captura de sinergias das aquisições, com muita disciplina e foco na desalavancagem”, diz o CEO da Ânima, Marcelo Bueno, ao NeoFeed.

Os primeiros ganhos de sinergia foram apresentados nesta segunda-feira, dia 16, junto com os resultados do primeiro trimestre. Nos primeiros 10 meses desde a finalização da compra dos ativos da Laureate, a empresa capturou R$125,3 milhões em sinergias. A expectativa é de que no quinto ano pós-integração, a Ânima registre um Ebitda incremental de R$ 350 milhões. 

O foco na integração e nos ganhos de sinergia vem num momento em que o endividamento da Ânima sofre pressão por conta do aumento da taxa básica de juros, a Selic, em meio ao cenário de inflação no Brasil e no mundo, e os efeitos da compra dos ativos da Laureate. 

No trimestre, a despesa financeira líquida cresceu 6,7 vezes, para R$ 275 milhões, um dos principais motivos pelo qual a empresa registrou uma queda de 16,4% do lucro líquido ajustado, para R$ 51 milhões. 

A alavancagem financeira, medida pela relação entre a dívida líquida e o Ebitda ajustado, alcançou 3,4 vezes no primeiro trimestre. Ainda que abaixo dos 4,5 vezes do último trimestre, ela está num patamar considerado elevado para os padrões do mercado. 

“Temos uma agenda clara de desalavancagem para esse ano e vamos ser agressivos nesse sentido”, afirma Bueno. Segundo ele, a Ânima deve continuar se desfazendo de ativos que não fazem mais parte dos planos dela para o futuro, citando uma série de vendas feitas no ano passado, como de três colégios em Santa Catarina em novembro de 2021 para a Bahema. 

Mas isso não significa que a Ânima não estará de olho no mercado em busca de oportunidades. “Estamos sempre olhando, o mercado de aquisição é muito dinâmico. Vamos realizar desinvestimentos para melhorar a alavancagem, mas M&A é algo que sempre pode ocorrer”, afirma Bueno. 

O cenário inflacionário trouxe ainda a necessidade de reajustar os valores dos cursos para não perder rentabilidade. O ticket médio, excluindo os cursos de ensino a distância, subiram 12% em relação ao primeiro trimestre de 2021, para R$ 1.074. E, se precisar, o ticket subirá ainda mais.  

“O ticket vai ser sempre reajustado, no mínimo, pela inflação”, afirma o CEO da Ânima. “Se não repassar essas altas, você coloca em risco a sustentabilidade do negócio.”

O reajuste dos tickets e o aumento de 145,4% na base de alunos, considerando os efeitos das aquisições, fizeram com que a receita da Ânima mais que dobrasse, para R$ 902,4 milhões. Esses mesmos efeitos levaram o Ebitda ajustado crescer mais de 2,4 vezes, para R$ 339,1 milhões, com a margem indo de 34,1% para 37,6%. 

As ações da Ânima fecharam o pregão desta segunda-feira com alta de 3,16%, a R$ 5,55. No ano, elas acumulam queda de 30%.