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Na corrida dos bancos digitais, o CEO do Banco Pan aposta no mix e acrescenta a adquirência

Em entrevista ao NeoFeed, Carlos Eduardo Guimarães, CEO do Banco Pan, fala da entrada da instituição no segmento de adquirência, como a empresa planeja se diferenciar na disputa dos bancos digitais e o que muda com o BTG Pactual assumindo o controle das ações ordinárias da operação

 

Carlos Eduardo Guimarães, CEO do Banco Pan

Em fevereiro de 2020, o Banco Pan deu início à jornada de digitalização das suas ofertas, em especial, no plano das contas correntes, algo que já era bastante aguardado pelo mercado. Passado pouco mais de um ano, a empresa começa a colher os resultados dessa estratégia.

Com foco nas classes C, D e E, de lá para cá, o Banco Pan evoluiu de uma base de 5,1 milhões para 10 milhões de clientes. Dentro desse volume, o destaque ficou com a área de banking, que reúne o portfólio de contas digitais, cartões múltiplos e transações em geral. O segmento registrou um crescimento de 378% nesse intervalo, chegando a 6 milhões de clientes.

“Mais da metade desses clientes de banking já são contas digitais”, afirma Carlos Eduardo Guimarães, CEO do Banco Pan, em entrevista ao NeoFeed. “Houve uma maturação do negócio e, a partir de agora, nos sentimos confortáveis para poder escalar essa frente a passos muito mais largos.”

Outros números foram destacados no primeiro balanço de 2021. Entre janeiro e março, o lucro líquido foi de R$ 190 milhões, alta de 12% na comparação anual. Já o patrimônio líquido avançou 8%, para R$ 5,4 bilhões, enquanto a carteira de crédito somou R$ 30,2 bilhões, um salto de 20% sobre igual período, no ano passado.

Esses indicadores se refletem no desempenho do Banco Pan no mercado de capitais. As ações da empresa, avaliada em R$ 21,1 bilhões, acumulam alta de cerca de 84% em 2021.

Para seguir nessa toada, o banco anunciou nesta segunda-feira a entrada no segmento de adquirência, a partir do lançamento da maquininha batizada de Turbo Pan.

Em entrevista ao NeoFeed, Guimarães fala sobre essa novidade e outros temas, como a saída da Caixa Participações do seu quadro de acionistas e o que muda com o BTG Pactual assumindo o controle das ações ordinárias da operação. Acompanhe:

O que você destacaria no resultado do primeiro trimestre?
Primeiro o lucro, de R$ 190 milhões, que foi all time high, bem acima do primeiro trimestre e do último trimestre de 2020. E cabe comentar, ao longo deste trimestre, tivemos um crescimento muito grande em conta corrente e no cartão de crédito, que são produtos que têm um custo de aquisição alto e cuja rentabilidade vem ao longo do tempo. Então, é importante ressaltar que, dentro dos R$ 190 milhões, tem despesas e custos de aquisição importantes, com zero diferimento.

O banco alcançou a marca de 10 milhões de clientes, sendo 6 milhões em banking. O quanto desse volume são contas digitais?
Em banking, temos as contas correntes, que são 100% digitais, e as operações de cartão de crédito. Há uma intersecção dentro desse volume total, mas sem dupla contagem. Eu diria que, dos 6 milhões, mais da metade hoje já são contas digitais. No fechamento do primeiro trimestre de 2020, tínhamos 1,3 milhão de clientes em banking. Nós crescemos 378% desde então. Houve uma maturação do negócio e, a partir de agora, nos sentimos confortáveis para poder escalar essa frente a passos muito mais largos.

Qual é o racional por trás do lançamento das maquininhas, anunciado hoje?
É uma parte importante da nossa estratégia de engajar clientes e, ao mesmo tempo, aumentar nossa rentabilidade. A maquininha tem um encaixe importante, pois boa parte da nossa base de clientes é formada por autônomos e profissionais liberais, que podem usá-la como instrumento de venda. E, com as informações que vamos captar, podemos ser mais assertivos na oferta de novos produtos e serviços.

O banco está chegando atrasado nesse espaço?
Eu discordo. Ainda há muito espaço para crescer nesse produto. Nós não lançamos antes porque tínhamos um roadmap de produtos e tecnologia que precisava ser priorizado, mas ela sempre esteve dentro do projeto.

Com qual base de clientes a máquina está sendo testada e qual é a previsão de começar a trabalhar o produto no mercado?
Ainda estamos na fase de família e amigos e planejamos escalar, de fato, em mar aberto, a partir de julho.

Qual vai ser a estratégia para que essa oferta ganhe tração?
Neste primeiro momento, não vamos vender nossa maquininha para todo mundo, mas sim, para nossa base de clientes. É um produto adicional dentro do que o banco já oferece. Diferentemente de outros players no mercado de adquirência, temos um ecossistema com várias ofertas: financiamento de carros, de motos, cartão, crédito pessoal, consignado e, agora, colocamos a maquininha, que vai ampliar o nosso potencial de cross sell.

Em abril, o BTG Pactual anunciou um acordo para comprar as ações ordinárias da Caixa Participações. Na prática, o que muda na operação com essa composição?
Nossa proximidade com o BTG é histórica, eles participam de todas as decisões estratégicas. O que vai mudar é o fato de termos mais flexibilidade e agilidade nas tomadas de decisões do que quando tínhamos a Caixa, um elo público, como parte integrante do nosso controle. E vamos ter ainda mais sinergias em negociações, com ganhos de custo importantes.

Essa mudança já está se refletindo no dia a dia da operação?
Esperamos reflexos mais perceptíveis daqui para frente. O Cade já aprovou e falta o sinal verde do Banco Central, o que deve acontecer nos próximos dias.

Não faltam bancos digitais no mercado. Como o Banco Pan planeja se diferenciar diante de tantas ofertas?
Nós temos produtos, clientes, canais, patrimônio, funding, acionistas e apetite a risco e crédito. Quando se bate tudo isso no liquidificador, somos bem diferentes de outros bancos digitais que estão sendo criados. Temos um ecossistema pronto para ser trabalhado e que se retroalimenta. Isso nos dá a segurança de que estamos no caminho certo.

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