Na Maple Bear, a expansão internacional ganha um sotaque latino-americano

Com o grupo brasileiro SEB no controle global da operação, a rede de escolas bilíngues de origem canadense planeja chegar a até 70 unidades na região até 2022, sem contar as mais de 200 no Brasil

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A Maple Bear tem 30 mil alunos na América Latina, a maioria deles no Brasil

Dono de marcas como Pueri Domus e Concept, o grupo SEB é um dos principais nomes da educação no Brasil. E, em fevereiro de 2020, deu mais um passo para ampliar esse seu alcance ao comprar 70% da operação global da Maple Bear, rede de franquias de escolas bilíngue, de origem canadense.

Sob o comando do empresário Chaim Zaher, o SEB já respondia pelos negócios da bandeira no mercado brasileiro, desde 2017. E, ao assumir o controle global da marca, mesmo em meio à pandemia, passou a acelerar a expansão da rede, com destaque para uma região: a América Latina.

“Temos um pipeline robusto de negociações para a América Latina”, afirma Vitor Schmid, diretor-geral da Maple Bear para a América Latina, ao NeoFeed. “Nossa expectativa é fechar 2022 com uma faixa de 50 a 70 novos contratos na região, sendo entre 20 e 30 fora do Brasil.”

O ponto de partida para essa expansão na região veio em 2020, com a inauguração da primeira unidade em Chihuahua, cidade de 878 mil habitantes ao norte do México. Hoje, esse mapa inclui ainda outra escola em operação no município de Arequipa, no Peru.

Para 2022, no entanto, excluindo o Brasil, o grupo SEB já tem outros sete contratos assinados na América Latina. Além do México e do Peru, as novas unidades já asseguradas nessa expansão estão distribuídas na Argentina, no Paraguai e na Guatemala.

“Nossa prioridade é aprofundar a operação no México, no Peru, na Argentina e na Colômbia”, diz Schmid. “Mas também temos negociações em andamento para entrar em algumas cidades de outros países.”

Essa segunda relação citada pelo executivo inclui municípios como San José, na Costa Rica; Montevideo, no Uruguai; Cidade do Panamá, no Panamá; Guayaquil e Quito, no Equador; e Santo Domingo, na República Dominicana.

Nesse roteiro, o investimento médio em uma escola da marca parte de US$ 255 mil, incluindo nessa cifra a taxa de franquia. Já no mercado brasileiro, os valores iniciais são de R$ 2 milhões, para unidades, em média, de 650 metros quadrados, e podem chegar a até R$ 4,5 milhões.

O México foi o ponto de partida da expansão da marca na região

Segundo Schmid, diferentemente do mercado brasileiro, onde a Maple Bear já tem mais tração, nos demais países da região, o trabalho de expansão envolve uma postura mais ativa do SEB em termos de prospecção e investimentos, não revelados, em construção de marca.

Uma das vias escolhidas para encurtar esse caminho é a participação em feiras de franquias e uma parceria com o Franchising Brasil, projeto de internacionalização de redes brasileiras encampado pela Associação Brasileira de Franchising (ABF).

EAD Made in Brazil

Para atrair os investidores latino-americanos, o grupo está levando na bagagem a Digital Learning Community, plataforma bilíngue de ensino a distância desenvolvida pela operação brasileira durante a pandemia.

Com um catálogo de mais de 2 milhões de documentos e 3,1 milhões de aulas ministradas, a ferramenta reúne um pacote de conteúdos que compreende desde a educação infantil ao ensino médio e já está sendo exportada para boa parte das operações da Maple Bear no mundo.

Hoje, o mapa mundial de operações da marca é composto por 559 escolas, distribuídas em 31 países e com aproximadamente 39 mil alunos. Essa rede também está sendo ampliada. Nesse ano, a Maple Bear ingressou em mercados como Albânia, Sérvia, Croácia e Omã. Para 2022, já estão previstas novas unidades em países como Austrália e Quênia.

Com 159 escolas ativas, das quais mais de 50 foram adicionadas desde março de 2020, o Brasil se destaca entre todas as geografias da marca. Atualmente, na América Latina, são cerca de 30 mil alunos, sendo que a imensa maioria deles está no País.

“Tivemos um crescimento de 18% nessa base na pandemia”, afirma Schmid. “Nossa projeção é chegar a mais de 200 unidades no mercado brasileiro no próximo ano.”

Para concretizar esse número, a Maple Bear está mapeando escolas em um universo que inclui cidades de grande, médio e pequeno porte. “Nosso critério é o volume de pessoas dentro da faixa de renda que é o nosso target, ou seja, as classes A1, A2 e B1”, diz Schmid. “Estamos olhando bastante para o interior, mas, mesmo em capitais como São Paulo, ainda temos muitas oportunidades.”

Na avaliação de Paulo Presse, coordenador de estudos de mercado da consultoria Hoper Educação, o olhar do grupo SEB para a América Latina é válido. Mas o mercado brasileiro apresenta mais oportunidades para a proposta da marca.

“Na pandemia, escolas com abordagem premium, como a Maple Bear, sofreram bem menos que os colégios de outros segmentos”, afirma Presse. Além da marca, ele cita redes como Red House International School e Sabis entre os nomes que estão explorando o mercado bilíngue no País.

Presse também destaca que esse foco do grupo SEB na expansão de sua presença na região integra, na verdade, um roteiro mais amplo. “É um movimento estratégico da empresa, de ganhar corpo para abrir capital”, afirma Presse.

Em entrevista ao NeoFeed, há um ano, Chaim Zaher já havia falado sobre o plano de estruturar uma oferta pública que reuniria as bandeiras de franquias do grupo, uma operação que, além da Maple Bear, inclui marcas como Luminova, de A a Z, Conexia e Sphere.

A princípio, o IPO seria realizado na Nasdaq. Questionado pelo NeoFeed, o grupo SEB disse que não iria se pronunciar a respeito do andamento desse processo.

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