Na questão dos combustíveis, Bolsonaro e Biden estão “alinhados”?

Os pacotes de medidas para conter o impacto dos preços dos combustíveis, uma das pedras nos sapatos de Jair Bolsonaro e Joe Biden, “alinham” os passos dos presidentes do Brasil e dos EUA

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Os presidentes Joe Biden e Jair Bolsonaro

O Brasil e os Estados Unidos estão surpreendentemente e informalmente alinhados. Lá e cá, os governos não pretendem medir esforços para conter o impacto dos preços dos combustíveis no bolso do cidadão. Mas as boas intenções vão além.

Reverbera na imprensa americana a intenção de Joe Biden de eliminar por três meses – até setembro – um imposto federal sobre a gasolina. Biden levantou a bola em entrevista na segunda-feira, 20 de junho, gesto considerado revelador sobre o atual estágio de sua popularidade, inferior a 40%.

O presidente Jair Bolsonaro, amparado pelo Congresso, sobretudo a presidência da Câmara dos Deputados, já conseguiu a limitação do ICMS sobre bens essenciais – combustíveis, energia elétrica, transporte urbano e telecomunicações –, a despeito da resistência dos governadores com a perda de receita que pretendem ver compensada pelo cofre federal.

O próprio governo federal reduziu a zero alíquotas de tributos federais sobre o diesel e o gás de cozinha com um intento levemente diferente do de Biden: conquistar votos para o pleito de outubro e garantir a reeleição de Bolsonaro. Na prática, ambos os presidentes não pretendem perder o que têm.

Reação destacada na imprensa norte-americana é o posicionamento da secretária do Tesouro e ex-presidente do Federal Reserve (Fed), o BC dos EUA, Janet Yellen, que, também em entrevista, expressou sua disposição de um incentivo fiscal federal sobre a gasolina para fornecer algum alívio aos motoristas.

No Brasil, ecoa nesta manhã, 22 de junho, a intenção do governo e do Congresso de criar um benefício de R$ 400 para caminhoneiros e ampliar a distribuição e o valor do vale-gás.

Em comum, os dois países enfrentam dura luta contra a inflação. Nos EUA, a inflação ao consumidor atingiu 8,6% em 12 meses encerrados em maio – maior nível em 40 anos. A inflação ao consumidor, IPCA, acumula alta de 11,73% em igual período no Brasil.

Há uma semana, os bancos centrais dos dois países voltaram a elevar suas taxas de juros. O Fed promoveu o maior aumento desde 1994. E o presidente da instituição, Jerome Powell, que hoje presta depoimento ao comitê bancário do Senado, já declarou que o Fed “está muito focado” em devolver a inflação a 2%. A expectativa é de que repita o discurso aos parlamentares.

O Comitê de Política Monetária (Copom) subiu a Selic pela décima segunda vez consecutiva, para 13,25%. E, ontem, informou na ata de sua reunião que vem por aí mais um ajuste de até 0,50 ponto. No mercado, porém, há quem não descarte Selic em 14% ao final do ano.

As iniciativas de Biden e Bolsonaro para conter efeitos da escalada dos combustíveis no bolso das famílias sugere que o encontro de ambos – o primeiro inclusive – realizado há cerca de três semanas em Los Angeles, durante a Cúpula das Américas, impressionou a ambos para além das formalidades.

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