Na Sequoia, a próxima entrega será um pacote de produtos financeiros

O grupo logística programa sua estreia no setor para o início de 2022, começando pela antecipação de recebíveis. De olho nas PMEs, o pacote inclui ainda um braço de logística reversa e novas aquisições

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A Sequoia registrou um volume recorde de 12,6 milhões de pedidos no terceiro trimestre

Desde que foi criado, em 2010, o grupo de logística Sequoia escolheu a consolidação do mercado como um dos principais nortes para ampliar sua malha e adicionar novos serviços e modelos ao seu portfólio.

Depois de abrir capital em outubro de 2020 e levantar R$ 348,1 milhões, a empresa acelerou esse passo. De lá para cá, foram seis acordos, totalizando 11 aquisições em toda sua trajetória. A mais recente delas, a compra de uma fatia de 41% na logtech Lincros, há pouco mais de uma semana, por R$ 38 milhões.

O viés inorgânico segue na ordem do dia para a companhia. Mas, dentro de casa, a Sequoia também está preparando outras entregas, em um pacote que inclui, entre outras novidades, a entrada em produtos financeiros.

“Estamos dando sequência ao que prometemos no nosso IPO”, diz Fernando Stucchi, CFO e diretor de relações com investidores da Sequoia, ao NeoFeed. “A ideia é que as nossas verticais se conectem e que o cliente possa participar dessa cadeia como um todo.”

Uma das novas peças desse quebra-cabeças e com previsão de lançamento no primeiro trimestre de 2022, o portfólio financeiro está em fase final de integração tecnológica. Esse processo envolve uma plataforma white label que viabilizará essas operações.

Voltada aos caminhoneiros e motoristas plugados em suas plataformas, essas ofertas terão início com a antecipação de recebíveis e a inclusão gradual de outras modalidades. A Sequoia já está estruturando um fundo de direitos creditórios (FIDC) para financiar esses créditos.

“A ideia é fazer um projeto-piloto com dois ou três clientes ainda nesse ano”, afirma Stucchi. “Nosso foco é fidelizar cada vez mais esses prestadores de serviço na nossa base.” Para se ter ideia do universo a ser explorado, hoje, a Sequoia tem mais de 13,8 mil motoristas parceiros em seus negócios.

Outras empresas ligadas a esse mundo também estão investindo na arena financeira. É o caso da NSTech, holding criada pela gestora SK Tarpon, para atuar no transporte de carga, que planeja criar um “banco” do setor, a partir da compra recente da e-Frete, fintech de pagamentos eletrônicos de frete.

Os exemplos incluem ainda nomes como a Sotran, logtech focada no agronegócio, que tem um aplicativo de serviços financeiros para caminhoneiros, além de startups como a CargoX e a TruckPad.

Além de ingressar nessa disputa, a Sequoia está testando um braço de logística reversa há cerca de um mês. Entre outros negócios, a nova vertical está diretamente ligada a uma iniciativa recente do grupo: uma joint venture com a Gigahub, anunciada em setembro, na qual a Sequoia terá 51% de participação.

Batizada de Drops, essa operação envolve o uso de estabelecimentos comerciais – farmácias, por exemplo – para agilizar a coleta e a devolução de pedidos. A nova empresa será lançada com uma base inicial de 500 parceiros integrados.

“Vamos fazer um soft launch agora em novembro e ganhar escala, de fato, no ano que vem”, diz Stucchi. “Já temos 1,5 mil pontos cadastrados na base e, no prazo de dois anos, nosso objetivo é chegar a um volume entre 3,5 mil a 3,7 mil.”

Mais conhecida por sua atuação complementar no atendimento de grandes clientes e marketplaces, como Magazine Luiza, Mercado Livre e Via, especialmente nas entregas realizadas no interior do País, a Drops é uma das vias da Sequoia para ganhar espaço entre os sellers de pequeno e médio porte, com volumes diários entre 50 e 200 pedidos.

Em novembro de 2020, para reunir esse portfólio, a empresa criou a SFx, plataforma que, entre outros serviços, oferece a coleta de produtos diretamente nas lojas desses varejistas. Outro movimento envolveu o investimento, em março deste ano, na Frenet, logtech dona de um marketplace de fretes.

“Em 2020, os Correios faturaram cerca de R$ 5 bilhões com esse público”, afirma Stucchi. “Nosso plano é manter o share que já temos nos grandes clientes e avançar nesse mercado, que nos abre uma grande avenida de crescimento.”

Fernando Stucchi, CFO e diretor de relações com investidores da Sequoia

Hoje, a SFx conta com uma base de 2 mil clientes. Para turbinar essa carteira, a Sequoia está finalizando a integração da Frenet, depois de testes realizados na região Sul do País. “No dia seguinte, vamos ter acesso a 28 mil novos clientes com os quais eles já transacionam.”

Nesta quarta-feira, a Sequoia adiciona mais um componente nessa estratégia com a conclusão da compra de 41% da Lincros. Fundada em 2012, a empresa tem 160 clientes e reportou uma receita líquida de R$ 16 milhões em 2020.

A logtech tem uma plataforma de sistemas que cobre todos as rotinas relacionadas às entregas de encomendas, com recursos como roteirização e rastreamento em tempo real.

“Com a Lincros, nós completamos toda a cadeia de ofertas digitais para os pequenos e médios varejstas”, explica Stucchi. “E conseguimos oferecer a esse cliente o mesmo arcabouço tecnológico que hoje está mais restrito às grandes empresas.”

Dois roteiros para aquisições

Nas aquisições, a Sequoia segue ativa em duas frentes. A primeira envolve o investimento em logtechs e startups de tecnologia, para complementar as capacidades que a empresa ainda não tem dentro de casa.

“A própria área de logística reversa é um dos segmentos que estamos olhando”, diz o executivo. “Temos espaço para mais acordos e devemos anunciar ao menos mais uma aquisição nos próximos seis meses.”

Em paralelo, a empresa está retomando as conversas no âmbito das aquisições de empresas tradicionais de logística, depois de dedicar boa parte dos últimos meses à integração dos ativos adquiridos desde o IPO.

Nesse espaço, um dos critérios serão empresas que possam ampliar a presença do grupo nas entregas tanto de produtos pesados como de itens com menos de 30 kg, nas regiões Nordeste e Centro-Oeste. Ao mesmo tempo, a Sequoia começa a olhar para acordos de maior fôlego.

“Até então, nós concentrávamos o olhar em empresas com faturamento anual entre R$ 150 milhões e R$ 200 milhões”, diz Stucchi. “Agora, estamos ampliando esse foco para companhias que faturam de R$ 500 milhões a R$ 600 milhões.”

No caso das startups e do primeiro grupo de ativos tradicionais, ele diz que os recursos disponíveis, a geração de caixa e a capacidade de alavancagem são suficientes para financiar os acordos. Ele não descarta acessar o mercado, porém, para viabilizar a compra de ativos de maior porte.

A empresa também está se preparando para a Black Friday deste ano. Para ampliar sua capacidade de atendimento, o grupo já contratou mais de 1,5 mil profissionais temporários e mais de 4 mil motoristas.

“A expectativa é de que a demanda seja bem superior ao ano passado”, diz. “As únicas categorias que vão sofrer um pouco mais são as de produtos pesados e de eletroeletrônicos, em função dos problemas de abastecimento na cadeia. Mas nada que interfira no volume total.”

Esse cenário não impediu que a Sequoia registrasse um recorde de entregas no terceiro trimestre, com 12,6 milhões de pedidos. O volume superou, inclusive, os 12,3 milhões registrados no quarto trimestre de 2020, período tradicionalmente mais forte, que inclui, além da Black Friday, o Natal.

Entre julho e setembro, a Sequoia reportou um lucro líquido ajustado de R$ 41,7 milhões, o que representou um salto de 24% sobre igual período, em 2020. Já o Ebitda ajustado ficou em R$ 57,8 milhões, alta de 42%. A receita líquida, por sua vez, cresceu 35%, para R$ 374,2 milhões.

Avaliada em R$ 2,05 bilhões, a empresa fechou o pregão desta quarta-feira com suas ações cotadas a R$ 14,77, alta de 2,29%. A cotação representa uma valorização de 19,1% desde o IPO. Em 2021, porém, os papéis da Sequoia acumulam um recuo de 35,19%.

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