NSTech compra e-Frete e quer criar o banco dos caminhoneiros

Em 10 meses, a holding criada pela SK Tarpon e gerida pela Niche Partners já soma 11 aquisições. Com a compra da fintech e-Frete, anunciada com exclusividade ao NeoFeed, ela entra no setor financeiro 

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A NSTech, uma holding criada há 10 meses pela gestora de investimentos SK Tarpon e que tem feito aquisições para “dominar” o mundo do transporte de carga, acaba de entrar em uma estrada até então inexplorada: o setor financeiro.

Com o objetivo de oferecer soluções financeiras para caminhoneiros e transportadores, como contas digitais e empréstimos, a holding adquiriu a e-Frete, uma fintech de pagamentos eletrônicos de frete, a quarta maior do mercado.

Com a aquisição, a startup receberá investimentos para poder ampliar o seu escopo de atuação e ser o “banco” do setor. “Este é o nosso primeiro passo para começar o nosso braço financeiro, levando crédito mais acessível, com taxas mais competitivas, a um público que é marginalizado pelo sistema financeiro”, afirma Vasco Oliveira, CEO da NSTech, com exclusividade ao NeoFeed.

O valor da transação não foi revelado pela holding, mas faz parte de um montante de R$ 200 milhões que a NSTech pretende investir na área financeira em um ano. Uma fatia dos recursos será também usada para reforçar um fundo criado para conceder crédito. “A e-Frete já tem uma carteira de R$ 70 milhões em empréstimos e deve triplicar esse valor nos próximos 12 meses”, diz Oliveira.

A e-Frete é a 11ª empresa a fazer parte do portfólio da NSTech. A aquisição, anunciada em primeira mão ao NeoFeed, acontece uma semana depois da compra da Bsoft, de software para transportadoras de cargas, em transação de valor também não revelado.

Entre as outras adquiridas, estão três de gerenciamento de risco: Buonny, Opentech e Brasil Risk; quatro de gestão de transportes de carga: LogRisk, Praxio, Hivecloud e Fusion; uma de tecnologia para transportes, a I Am Tech; e uma tecnologia de averbação de transportes de cargas, a AT&M.

A intenção da holding, que é gerida pela Niche Partners, um dos braços da SK Tarpon, é ser uma plataforma de logística que atenda os principais atores do setor de transporte de carga: motoristas, transportadores, embarcadores, corretoras de seguro e seguradoras.

Com a expansão, a NSTech já atinge uma base de 2 milhões de caminhoneiros, de um mercado potencial de 2,4 milhões, e 45 mil transportadores, de um total de 160 mil.

Vasco Oliveira: CEO da NSTech

A e-Frete, que tem uma base de 80 mil caminhoneiros e 11,5 mil transportadores, deve contribuir mais com a sua tecnologia. “Vamos levar os produtos da e-Frete para a base de clientes da NSTech”, disse Oliveira.

A fintech, que concorre com empresas como PagBem e Target, deverá transacionar R$ 3 bilhões em 2021. A receita da companhia, por sua vez, deve crescer 51% em relação ao ano passado, para R$ 25 milhões.

“Neste ano, e-Frete deve representar entre 7% a 8% do faturamento total da holding”, estima o CEO da NSTech, que prevê ter faturado R$ 400 milhões em 2020, quando inclui a soma de todas as adquiridas.

Na visão do empresário, a fintech de pagamentos de frete tem potencial para ser o banco primário dos caminhoneiros e transportadores. “É um público que tem dificuldade para conseguir crédito em um banco tradicional”, afirma Oliveira. “E uma fintech genérica não tem o foco para falar a linguagem e oferecer produtos específicos.”

Mas a NSTech vai entrar numa estrada já congestionada por outros players que estão explorando esse segmento. A Sotran, por exemplo, tem um aplicativo chamado Tmov Bank, no qual oferece serviços financeiros para caminhoneiros. A CargoX e a TruckPad também estão avançando nessa área com investimentos polpudos.

A NSTech, que planeja abrir capital em um período de três anos, segue com apetite para aquisições. Segundo Oliveira, há ainda entre R$ 350 milhões e R$ 400 milhões a serem investidos em outras empresas.

O segmento de fintechs, ele disse, segue na mira. Uma das possibilidades é comprar negócios que possam incorporar novas soluções ao portfólio de produtos da e-Frete. “Mas também podemos complementar de outras formas, comprando uma fintech que tenha um modelo de negócio diferente ou uma carteira de clientes com um perfil diferente”, afirma Oliveira.

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