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Nem e.bricks, nem Joá. As gestoras se uniram e agora se chamam Igah Ventures

A gestora criada por Pedro Melzer e o veículo de investimento do apresentador Luciano Huck e de Gilberto Sayão se uniram para investir em startups criando a Igah Ventures. O NeoFeed conta, com exclusividade, os detalhes do negócio

 

A logomarca da Igah que será apresentada ao mercado

A notícia, divulgada na tarde de ontem, de que General Atlantic e Softbank lideraram um aporte de R$ 580 milhões na Acesso Digital fez o ecossistema de startups encher os olhos diante de tanto dinheiro e da união de dois gigantes em uma mesma rodada de investimentos.

Mas o que também chamou a atenção nesse negócio foi a participação de uma tal de Igah Ventures, que havia estado em recentes aportes na Conexa Saúde, Avenue Securities e Beauty 321. Se, num primeiro momento, ela parece uma novata, é melhor não se enganar.

A Igah Ventures é fruto da união das gestoras e.bricks ventures, de Pedro Melzer, Eduardo Melzer (o Duda) e Márcio Trigueiro; com a Joá Investimentos, do apresentador Luciano Huck; Gilberto Sayão, da Vinci Partners; do ex-presidente do Bank of America, Rodrigo Xavier; e de Luis Felipe Magon.

A nova empresa, batizada de Igah Ventures, já está rodando no mercado desde janeiro. Mas ainda não havia sido anunciada. “Começamos a estruturar no início do ano e veio a Covid”, diz Pedro Melzer, que conta com exclusividade ao NeoFeed os detalhes da nova gestora. “Não fazia sentido falar da nova empresa no meio da pandemia, quando precisávamos dar suporte aos empreendedores das nossas investidas”, afirma.

A gestora de ventures nem havia sido anunciada e já contava com um grande ativo. O fundo três Igah Ventures começou com US$ 20 milhões em janeiro e, em junho, abriu para captação. De junho até agora, alcançou um total US$ 100 milhões e pode chegar a até US$ 120 milhões.

Os investimentos foram realizados em startups como Avenue Securities, Conexa Saúde, Acesso Digital e 321 Beauty. “Investimos US$ 13 milhões até agora e ainda temos muita lenha para queimar”, diz Melzer. Cerca de 30% do fundo devem ser investidos até o fim do ano e o restante nos próximos três anos.

A captação rápida impressionou até mesmo os gestores da Igah. Melzer credita o sucesso a uma combinação de fatores, mas o principal deles é a experiência. “Já fizemos mais de trinta investimentos e estamos entregando retorno de quatro vezes no primeiro fundo da e.bricks ventures”, diz ele.

A Igah Ventures conta com 12 pessoas trabalhando e a sede ficará em São Paulo. Até o fim do ano, a equipe deve mudar para um escritório próprio, com uma nova identidade visual. A gestora se concentrará em investir em empresas na América Latina, principalmente no Brasil.

O fundo focará em fazer cheques de US$ 5 milhões, mas isso não quer dizer que a Igah não possa assinar valores menores ou maiores. “Podemos entrar com um seed de US$ 500 mil e também em séries B ou follow ons de US$ 10 milhões”, diz Luis Felipe Magon, que era o head da Joá Investimentos.

Pedro Melzer lidera a Igah Ventures

Melzer não revela quais são os setores que a gestora vai se concentrar, mas diz quais são os critérios que serão adotados. “A gente olha negócios que usam a tecnologia como um meio para entregar ganhos de eficiência em diferentes setores da economia”, diz ele. “Fazemos uma análise muito profunda da relevância da proposta de valor.”

A dimensão do mercado e o tamanho do problema que as empresas endereçam também têm de ser muito grandes. “Estamos aqui para investir em empresas que, se derem certo, serão muito grandes. Como é o exemplo da Infracommerce, da Contabilizei e outras”, diz Melzer.

O terceiro ponto crucial na escolha das empresas investidas é o perfil do empreendedor que comanda a startup. “Tem que ser um cara que tenha conhecimento do que está fazendo, combinando isso com experiência de gestão e capacidade de construir um real business.”

O início do casamento

Antes de criar a Igah em conjunto com a Joá Investimentos, a e.bricks ventures vinha de duas captações de sucesso. O fundo um, lançado em 2014 com R$ 100 milhões, investiu em empresas como Infracommerce, GuiaBolso, RockContent, entre outras. O fundo dois, lançado em 2017 com R$ 200 milhões, conta com empresas como Arquivei, Contabilizei, BCredi, entre outras startups.

Em 2019, Marcio Trigueiro chegou para ser sócio da e.bricks ventures e, ao longo do ano, junto com Melzer fizeram as alocações do fundo dois. Ao mesmo tempo, vinham planejando a captação do fundo três, com a meta de trazer US$ 100 milhões.

No meio do processo, acabaram estreitando o relacionamento com a Joá Investimentos. Luciano Huck, Gilberto Sayão e Duda Melzer, que toca o braço de private equity EB Capital, já vinham conversando sobre uma possível união. Diferentemente da e.bricks ventures, a Joá Investimentos não administrava recursos de terceiros, apenas dos sócios. “Eles tinham interesse em fazer algo mais institucional”, diz Trigueiro.

Entre os investimentos da Joá estão marcas como a grife de moda Reserva, a empresa de mobilidade Tembici, a rede de hospitais veterinários PetCare, entre outras startups focadas no B2C. A e.bricks ventures, por sua vez, era mais forte no B2B. Isso, de acordo com os sócios, foi complementar.

Outro fator que ajudou no casamento entre as duas gestoras foram as características dos profissionais. “Estamos nessa área de investimentos há mais de vinte anos. Não somos um grupo que nasceu e pensa apenas em ventures”, diz Trigueiro. “Temos uma visão ampla de negócios, sobre cadeia de valor em várias indústrias.”

Melzer foi um dos precursores dos investimentos em venture capital no Brasil, trabalhou na Apple, na Califórnia, e fundou a e.bricks ventures. Trigueiro é formado no ITA com MBA em Harvard.

Ele trabalhou na Microsoft e depois se tornou sócio da GP Investiments onde fez investimentos em empresas como Fogo de Chão e Sascar. Nesta última, se tornou o CEO da empresa. “Compramos a Sascar por US$ 200 milhões e vendemos em US$ 700 milhões”, diz ele.

Em 2015, se tornou presidente da PDG Realty que passava por dificuldades. Portanto, tem experiência tanto nos momentos de vento a favor como de vento contra. Luiz Felipe Magon, por sua vez, é formado em engenharia na PUC, trabalhou no Pactual e na Vinci, de Gilberto Sayão. Em 2016, foi convidado para tocar a Joá Investimentos.

“Pela a afinidade e complementaridade dos sócios das duas gestoras, vimos que, unindo forças entre e.bricks ventures e Joá Investimentos, isso nos levaria a um outro patamar de sofisticação e acesso”, diz Melzer. “Vamos alçar novos voos a partir dessa sociedade.”

Melzer explica que o nome escolhido significa semente no idioma indígena. De acordo com o empresário, eles estão plantando uma semente no mercado de venture capital. As gestões dos investimentos feitos anteriormente pelas duas empresas serão unificadas. “Agora é tudo Igah Ventures”, diz ele.

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