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Nem tudo é o que parece ser: mais uma vez, o aplicativo Robinhood terá de se explicar

Aplicativo de investimento ganhou fama por permitir que investidores amadores e iniciantes dessem seus primeiros passos na bolsa sem cobrar comissões. Agora, a SEC apura se a empresa falhou em ser transparente quanto à sua forma de monetização

 

Robinhood foi avaliado em US$ 11,2 bilhões na mais recente rodada de investimento

Uma investigação conduzida pelo escritório de São Francisco da Securities and Exchange Commission (SEC), o xerife dos mercados de capitais nos Estados Unidos, apura se o aplicativo de investimento Robinhood falhou em comunicar que aceitava pagamentos de empresas de negociação de alta-frequência em troca da movimentação de seus usuários.

A prática de comercializar o “fluxo” de compra e vendas de investidores não é ilegal, contanto que todas as partes estejam cientes da transação. Segundo a SEC, porém, até 2018, o site do Robinhood não informava os usuários sobre essa prática, que é bastante controversa.

O órgão argumenta que as firmas de negociação de alta-frequência pagam para ter acesso aos pedidos porque “geralmente têm mais informações e poder de processamento do que os brokers e traders menores”.

Essa prática garantiria preços ligeiramente melhores aos seus clientes e prejudicaria pequenos investidores. Muitos brokers e traders alegam que esse argumento não tem fundamento. 

Seja como for, até outubro de 2018, a página online do Robinhood dedicada a explicar a monetização do app listava apenas duas fontes de rendas: taxas por seu serviço de negociação e juros cobrados sobre depósitos de clientes.

Não há nenhuma menção a pagamentos de fluxo de pedidos, que responderam por uma parte significativa da receita da empresa na época. Segundo reportagem do The Wall Street Journal, no ano de 2017, essa prática gerou pouco menos da metade de toda a entrada monetária do Robinhood. E, em 2018, representou a metade.

A SEC deixa claro que as transações com comerciantes de alta-frequência estavam detalhadas, mas em outra área do site. O órgão exige que corretoras, empresas públicas e outros participantes de Wall Street divulguem todas as informações disponíveis para um investidor tomar uma decisão comercial.

Já em estágio avançado, a investigação poderia ser encerrada se o aplicativo aceitasse pagar uma multa de mais de US$ 10 milhões. Empresas que optam pelo caminho do acordo nas investigações da SEC geralmente pagam multas sem admitir ou negar as infrações. 

Em 2019, a companhia pagou US$ 1,25 milhão em acordo numa investigação pelo mesmo motivo. Ainda que seja quase dez vezes maior que a última penalidade, o valor dessa multa proposta pelo SEC não deve ser um problema para a empresa, que foi avaliada em US$ 11,2 bilhões na mais recente rodada de investimento, em julho. O aplicativo conta com 13 milhões de usuários ativos e soma US$ 1,7 bilhão em investimentos totais.

Esse “enrosco” jurídico é mais um nó na linha do Robinhood, que esse ano sofreu alguns “apagões” que impediram os usuários de comprar ou vender ações, viu minguar seu plano de expansão para o Reino Unido e teve de lidar com o suicídio de um usuário de 20 anos, que, em uma confusão de termos técnicos, se matou ao acreditar que tinha perdido uma grande quantia de dinheiro no aplicativo. 

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