No balanço das empresas de pagamentos, Cielo pode voltar a ser a protagonista

O Goldman Sachs destaca que a Cielo deve seguir sua trilha de recuperação, apresentando resultados mais sólidos do que seus rivais do setor de pagamentos no segundo trimestre, mas ressalta que o longo prazo segue “desafiador”

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A Cielo está avaliada em R$ 11,1 bilhões

Durante muitos anos – e muitos trimestres consecutivos – a Cielo perdeu protagonismo e market share na chamada “guerra das maquininhas” e na arena dos meios de pagamentos, diante da concorrência mais acirrada no setor, o que afetou substancialmente seus resultados e lhe rendeu o título de “patinho feio” do mercado de capitais.

Entretanto, recentemente, essa trama começou a ganhar episódios mais favoráveis à companhia. Como prova dessa reviravolta, mesmo com preços bem abaixo das suas máximas históricas, as ações da empresa fecharam o primeiro semestre de 2022 com uma valorização de 65,49%, a maior alta acumulada da B3 no período.

No próximo dia 2 de agosto, a Cielo inaugurada a temporada de divulgação dos resultados do setor referentes ao segundo trimestre. E no que depender das estimativas do Goldman Sachs, a empresa tem tudo para escrever um novo capítulo da sua recuperação.

Em relatório divulgado nesta terça-feira, 26 de juho, o banco projeta que Cielo, Stone e PagSeguro irão se beneficiar de um crescimento saudável do volume total de pagamentos (TPV) no período, ganhando market share e colhendo frutos de suas estratégias de reprecificação das taxas cobradas nas transações.

O Goldman Sachs ressalta, no entanto, o desempenho da primeira integrante do trio. “Esperamos que a Cielo apresente a melhora mais forte, com crescimento sólido em seus resultados e margens líquidas superiores a 10%”, escrevem os analistas Tito Labarta, Tiago Binsfeld, Beatriz Abreu e Nicholas Walker.

Para o período, o quarteto de analistas projeta um crescimento de 51% no lucro líquido da Cielo sobre o mesmo intervalo de 2021, para R$ 279 milhões. A estimativa é de um Ebitda de R$ 800 milhões, o que representaria um salto anual de 38%, com a margem Ebitda de 37,4%, contra 24%, há um ano. Para a margem líquida, o Goldman Sachs prevê uma evolução anual de 6,4% para 10,8%.

A perspectiva de que a empresa reporte números mais sólidos que seus pares se estende ao TPV. O banco projeta que a Cielo registre um salto de 28% em seu volume de pagamentos no trimestre, enquanto a estimativa é de desaceleração nesse indicador tanto para a Stone quanto para a PagSeguro.

Levando-se em conta o mercado como um todo, a expectativa é de que o TPV do setor registre um crescimento de 30% no período, com a Cielo ganhando uma fatia maior no bolo total de transações, saindo de um market share de 26,7%, no primeiro trimestre, para 27,7%, entre maio e junho.

Se as estimativas para o segundo trimestre da empresa são, no geral, positivas, o mesmo não se pode dizer nas expectativas do banco para o restante do ano e também no longo prazo. O banco reduziu, por exemplo, em 6% a projeção de lucro líquido da Cielo para 2022, em função da previsão de aumento do custo de serviços e de despesas totais.

“Nossas estimativas aumentam em 1% para 2023, pois esperamos um custo de serviços mais baixo, mas vemos uma redução de 3% em 2024, à medida que ampliamos nossa projeção de despesas financeiras líquidas”, diz outro trecho do relatório.

Ao mesmo tempo, os analistas do Goldman Sachs mantiveram a recomendação de venda e o preço-alvo de R$ 2,7 para o papel da companhia, ao ressaltarem que as perspectivas de longo prazo da empresa seguem “desafiadoras”.

No curto prazo, as ações da Cielo, avaliada em R$ 11,1 bilhões, seguem registrando um bom desempenho na B3. Os papéis estavam sendo negociados com ligeira alta de 0,73% por volta das 16h45 desta terça-feira e acumulam uma valorização superior a 81% em 2022.

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