No metaverso, a nova aposta de Iporanga Ventures, Big Bets e Fersen Lambranho

Os três fazem aporte de R$ 14 milhões na brasileira Prota Games, startup que está desenvolvendo um jogo em que aposta no potencial das NFTs no metaverso

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Lucas Machado, Santiago Blanco e Paulo Rizzo, cofundadores da Prota Games (ilustração NeoFeed)

Se a Wildlife colocou o Brasil no mapa dos games quando atraiu a atenção dos investidores e levantou dinheiro suficiente para se tornar um unicórnio, outra startup quer seguir o mesmo caminho. Mas pretende fazer isso explorando o mercado de criptoativos e o metaverso.

A postulante em questão é a Prota Games. Produtora de conteúdo paulistana fundada em 2019 por Santiago Blanco, Lucas Machado e Paulo Rizzo, a companhia está fazendo transição para se tornar uma desenvolvedora de jogos. Para isso, captou R$ 14 milhões em um aporte liderado pela Iporanga Ventures.

Anunciada nesta sexta-feira, 10 de junho, a injeção de capital foi feita numa rodada seed que contou ainda com a participação de investidores como Big Bets e Class 5 Global, além de Fersen Lambranho, chairman da GP Investments. O dinheiro será utilizado para apoiar a produção do primeiro game da empresa.

Chamado de “Heroes of Metaverse” e previsto para ser lançado em outubro, o título tem como inspiração “Diablo e Hades”, em que o jogador controla um personagem e evolui seus atributos em um mundo aberto. A grande diferença é que o game vai permitir que os jogadores explorem também o mercado de criptoativos.

“Os jogos se conectam cada vez mais com esses ativos e este é um mercado gigantesco e que segue crescendo”, diz Santiago Blanco, cofundador e CEO da Prota Games em entrevista ao NeoFeed. “O mais importante para nós era criar um jogo que tivesse alto padrão de qualidade.”

A ideia é permitir que os itens coletados dentro do jogo possam ser vendidos com tokens não-fungíveis, movimentando dinheiro real entre os jogadores e para a companhia. Numa pré-venda de itens do jogo realizada em janeiro, a Prota Games arrecadou mais de R$ 4,5 milhões em NFTs.

Blanco afirma que ainda que seja possível gerar renda através do game, este não é o objetivo. “Não é play-to-earn”, diz. “O foco está na tokenização dos ativos e da economia do jogo e não no intuito da pessoa jogar só para ganhar dinheiro.”

Este montante obtido com um jogo que ainda nem foi lançado pode justificar o interesse dos investidores. “Na nossa cabeça, todos os jogos vão migrar para este mercado”, diz Renato Valente, sócio da Iporanga Ventures. A Prota Games é a primeira investida da gestora na área de jogos.

Outros números também ajudam a entender o interesse. Uma estimativa da consultoria holandesa Newzoo aponta que o mercado de jogos deve crescer mais de 5% neste ano e movimentar US$ 203 bilhões no mundo. Em 2021, a cifra registrada foi de US$ 192,7 bilhões.

Nova fase

O valor milionário obtido na pré-venda não veio por acaso. Antes de apostar suas fichas para se tornar uma desenvolvedora de jogos, a companhia explorava o mercado de jogos como uma produtora de conteúdo com vídeos de títulos como “League of Legends”, “Fortnite” e “Free Fire”, exibidos em plataformas de streaming.

“Havia uma grande quantidade de pessoas que consumiam este tipo de conteúdo, ao mesmo tempo em que a qualidade das produções ainda era muito ruim”, diz Blanco. “Era a oportunidade perfeita para iniciar um negócio.”

Para se diferenciar, a aposta se deu na produção baseada em dados que determinavam quais seriam os conteúdos com maior potencial de audiência. O negócio deu resultado. Em seu terceiro ano de operação, a startup já conta com uma audiência mensal de 65 milhões de visualizações nos vídeos. A meta é chegar em 150 milhões de visualizações mensais até o fim do ano.

O jogo “Heroes of Metaverse”

Além da receita obtida com anúncios em plataformas como YouTube e TikTok, a Prota Games ganha dinheiro também com assinaturas para conteúdos exclusivos. No caso do game “Fortnite”, por exemplo, a partir de R$ 199 por ano, é possível obter acesso a dicas e aulas com profissionais de e-sports.

A Prota Games não abre números relacionados com o faturamento da companhia, mas é possível dizer que vai aumentar seus ganhos com a criação de uma nova fonte de receita. Vale lembrar que mesmo quando são comercializados num mercado secundário, uma parte do valor transacionado dos NFTs é direcionada para o criador do conteúdo.

A Nike, por exemplo, fatura 10% do valor de cada transação realizada no mercado secundário de uma coleção de 20 mil NFTs de calçados virtuais que colocou a venda em abril. Alguns modelos estão sendo vendidos na plataforma OpenSea por até 100 unidades de moedas ether (ETH), o equivalente a US$ 178,7 mil.

Para tirar o jogo do papel, a Prota Games está reforçando sua equipe, hoje composta por 42 empregados – sendo que parte dos funcionários veio de empresas como Wildlife e Aquiris, desenvolvedora gaúcha que em abril recebeu um aporte da Epic Games, responsável por jogos aclamados como Fortnite e Gears of War. O dinheiro captado será utilizado para que a empresa contrate mais 18 funcionários.

Para 2023, Blanco admite que a startup pode começar a estudar a produção de novos de jogos, uma vez que, segundo o empreendedor “este é um mercado bastante sazonal”. Por ora, no entanto, o foco está no lançamento do “Heroes of Metaverse”.

A competição promete ser dura. Além da Wildlife, que é o único unicórnio do setor na América Latina e em 2020 foi avaliada em US$ 3 bilhões, outra competidora de peso será a Tencent Games, a maior empresa do setor no mundo e que iniciou sua operação no Brasil, conforme divulgado com exclusividade pelo NeoFeed.

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