A fórmula (nada convencional) das grandes apostas do Big Bets

Com apoio de quase 100 investidores, como Fersen Lambranho, da GP, e Ariel Lambrecht e Renato Freitas, da 99, o Big Bets formou um portfólio de 13 empresas com uma fórmula totalmente diferente para escolher as startups em que investe. O sócio do fundo Luiz Guilherme Manzano explica o método ao Café com Investidor

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Em 13 de setembro de 2017, Luiz Guilherme Manzano trabalhava na Endeavor e estava em Israel com um grupo de empreendedores brasileiros, que incluía, entre outros nomes, Roberto Nogueira, da Brisanet; Pedro Chiamulera, da Clearsale; João Vitor Menin, do Banco Inter; Eduardo Fischer, da MRV; e Diego Martins, da unico (ex-Acesso Digital).

Na agenda, o grupo conseguiu um encontro com Shai Agassi, o fundador da Better Place, uma empresa de carros elétricos israelense que havia levantado US$ 850 milhões, em 2007, e quebrado seis anos depois com dívidas que superavam os US$ 500 milhões.

As perguntas ao empreendedor israelense giraram em torno da questão do fracasso e da falha. E Agassi, sem arrependimento, respondeu: “Uma pessoa como eu, que tem a capacidade que tenho de mover recursos, não tem a obrigação nenhuma de dar certo. O que tenho obrigação é de viver um ‘big bets’”, disse. E completou: “É uma covardia um cara como eu não viver um ‘big bets’ e não tentar grandes coisas até o fim.”

Esse foi um momento de epifania para Manzano. “Estava em um processo de saída da Endeavor e me deu um estalo: preciso investir em gente que tem essa cabeça”, disse Manzano, em entrevista ao Café com Investidor, programa do NeoFeed que entrevista os principais gestores de venture capital e private equity.

Naquele mesmo dia, Manzano registrou o domínio www.bigbets.com.br. E, um ano depois, nascia oficialmente o Big Bets, fundo que ele criou ao lado de Alexandre Mello, ex-Advent, e que conta com apoio e dinheiro de empreendedores e investidores de peso.

Os nomes incluem desde investidores institucionais, como Spectra e Verde, até empreendedores e investidores de renome, a exemplo de Fersen Lambranho, do GP; Israel Salmem, do Méliuz; Sergio Furio, da Creditas; Gilberto Mautner, da Locaweb; e Ariel Lambrecht e Renato Freitas, da 99. “Quase 100 pessoas investiram no nosso fundo”, afirma Manzano, que não revela quanto foi captado.

O  Big Bets, que investiu em startups como Conta Simples, Lemon, ChatPay, entre outras, tem uma fórmula diferente de investir. “Os fundos existentes trabalham com o empreendedor depois de assinar o cheque. Havia uma oportunidade para começar a trabalhar com os empreendedores desde o dia 1”, afirma Manzano.

De uma forma bem simplificada, as grandes apostas do Big Bets são feitas muito antes de o cheque ser assinado. O processo envolve reconhecer as pessoas que estão no começo de uma jornada empreendedora, colar nelas e ajudá-las a tomar as primeira decisões.

E, à medida que as startups ganham corpo, materialidade e adquirirem os primeiros clientes, os empreendedores e o fundo vão se conhecendo melhor. Na prática, é como se fosse um namoro. No caso da Conta Simples, por exemplo, o relacionamento começou em dezembro de 2018 e o primeiro cheque foi assinado só em maio de 2020.

Das 13 empresas nas quais o Big Bets investiu quase todas seguiram esse processo – ou seria melhor dizer ritual de namoro? Só teve uma que foi um caso de amor à primeira vista. Quer saber qual startup é? Assista ao vídeo acima de mais um episódio do Café com Investidor e conheça a história do Big Bets e de como ele investe, o estágio em que entra na startup e o tamanho de seu cheque.

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