No Santander, o equilíbrio entre as “safras” dita a oferta de crédito

O banco ainda sente os impactos das carteiras produzidas em 2021, mas já começa a enxergar níveis de inadimplência estáveis em safras recentes e espaço para acelerar em segmentos como médias e grandes empresas

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O Santander está avaliado em R$ 121,6 bilhões

Em setembro de 2021, o Santander deu o pontapé em uma política mais cautelosa na concessão de crédito, antecipando o ambiente macroeconômico mais instável que ganharia grandes proporções no País e no mundo nos meses seguintes.

Quase um ano depois, o balanço entre as carteiras de crédito anteriores e posteriores à adoção dessa postura ainda pesa nos resultados da operação local do banco espanhol. Mas o Santander já enxerga alguns sinais de que essa equação possa ter, no médio prazo, um saldo positivo.

“A boa notícia é que, com todos os ajustes que fizemos, quando olhamos as safras novas, elas estão se comportando exatamente como imaginávamos”, disse Mário Leão, CEO do Santander, em conferência com jornalistas nesta quinta-feira, 28 de julho, sobre o resultado do banco no segundo trimestre de 2022.

“Não esperamos uma deterioração adicional”, afirmou o executivo. “O que vamos ter é uma gestão contínua do portfólio. Não dá para dizer que já chegamos ao ponto máximo (da inadimplência), mas é possível afirmar que nosso portfólio está cada vez mais sadio.”

O banco destacou os índices de inadimplência reportados entre maio e junho. No curto prazo, de 15 a 90 dias, o indicador ficou em 4,2%, contra 3,2%, há um ano. Já acima de 90 dias, o índice foi de 2,9%, comparado a 2,2% no segundo trimestre de 2021.

“Ainda temos os impactos das safras que produzimos no passado”, afirmou Angel Santodomingo, CFO do Santander. “É preciso dar tempo para ver como isso se estabiliza. Mas as medidas que tomamos parecem começar a dar frutos. Já estamos em patamares iguais ou melhores que o período pré-pandemia.”

Nesse cenário, o Santander fechou o segundo trimestre com uma carteira de crédito de R$ 468,5 bilhões, alta de 6,5% sobre o mesmo período de 2021 e de 2,9% em relação ao primeiro trimestre deste ano.

Dentro desse montante, a carteira de crédito pessoa física somou R$ 216,3 bilhões, um crescimento de 1,9% sobre o primeiro trimestre de 2022. Nesse ponto, o banco destacou o fato de 64% dessa carteira estar atrelada a empréstimos com garantias.

Na mesma base de comparação, contra o primeiro trimestre, as carteiras de crédito de pessoa jurídica e de grandes empresas cresceram, respectivamente, 4,8%, para R$ 186,4 bilhões, e 6,6%, para R$ 123,8 bilhões no período.

Diante dos diferentes momentos de cada segmento e da necessidade de equilibrar as safras de crédito em seu balanço, o banco apontou alguns segmentos com melhores perspectivas para flexibilizar e acelerar a concessão de crédito.

“No portfólio de médias, grandes e ‘enormes’ empresas em geral temos apetite para crescer de forma mais acelerada”, disse Leão. “Mas vai ser um tema de demanda e rentabilidade. Não vamos crescer a qualquer custo.”

Nesse sentido, ele citou que o Santander poderia ter reportado resultados mais robustos nesse segmento em específico. Mas, diante da concorrência de outras fontes de financiamento, em particular, o mercado de capitais, o banco pisou no freio em algumas dessas oportunidades.

Na contramão da visão mais positiva para as médias e grandes empresas, o Santander segue mais cauteloso no que diz respeito às companhias de pequeno porte e também à concessão de crédito para as pessoas físicas. Mas há espaço para avançar em algumas linhas nesse segmento.

“Em pessoa física, temos apetite de crescer, principalmente, nos portfólios colateralizados”, destacou Leão. O executivo apontou ainda como linhas mais promissoras os segmentos de financiamentos de automóveis, empréstimos consignados e crédito imobiliário.

Outros indicadores do segundo trimestre reforçaram essa mescla entre avanço e cautela no balanço da companhia. No período, o banco reportou um retorno sobre o patrimônio líquido de 20,8%, ante 20,7%, no primeiro trimestre de 2022, e 21,6%, há um ano.

A receita de prestação de serviços e tarifas bancárias cresceu 3,9% na mesma base de comparação, para R$ 4,8 bilhões. A margem com clientes registrou um salto de 24,5% na comparação com um ano antes, para R$ 14,2 bilhões.

Entretanto, o Santander registrou queda na comparação anual de 2,1% em seu lucro líquido, para R$ 4,08 bilhões. Entre maio e junho, a margem financeira bruta foi de R$ 12,7 bilhões, o que representou uma queda anual de 4,8% e de 8,3% em relação ao primeiro trimestre de 2022.

Outro número menos favorável no balanço, atribuído, em boa parte, às carteiras de crédito produzidas antes de setembro de 2021, foi o resultado de créditos de liquidação duvidosa, que ficou em R$ 5,7 bilhões, alta anual de 72,8% e de 24,6% sobre o primeiro trimestre de 2022.

Em relatório, o Goldman Sachs destacou, entre outros pontos, justamente essa combinação de indicadores, ao ressaltar, de um lado, a alta nas provisões e, de outro, os índices mais estáveis de inadimplência.

Nesse cenário, os analistas Tito Labarta, Tiago Binsfeld, Beatriz Abreu e Nicholas Walker têm uma recomendação neutra para o papel do banco e um preço-alvo para a ação, em 12 meses, de R$ 32.

Na B3, as ações do Santander estavam sendo negociadas com ligeira alta de 0,43% por volta das 12h55. No ano, os papéis acumulam uma desvalorização de 7,2%. O banco está avaliado em R$ 121,6 bilhões.

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