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No Vale do Silício, a Allbirds tem os investidores aos seus pés. E já vale US$ 1,7 bilhão

Allbirds, marca que ficou famosa pelos calçados de lã de merino, levantou US$ 100 milhões em uma rodada série E de investimento. Companhia, que nasceu digital, vai apostar no aumento das lojas físicas

 

Allbirds ficou conhecida pelos calçados feitos a partir de lã de merino

Há quem tenha investidores nas mãos e outros, como a Allbirds, que os têm aos pés – literalmente. A marca de vestuário que conquistou o Vale do Silício com seus tênis sustentáveis feitos de lã de merino acaba de levantar US$ 100 milhões em uma rodada série E de investimento liderada pela Franklin Templeton.

Com o novo aporte, a companhia pretende expandir suas linhas de produtos e aumentar o número de lojas físicas, que atualmente é de 21 endereços. A marca tem presença offline em diferentes cidades dos Estados Unidos, Nova Zelândia, Alemanha, Holanda, Inglaterra, China e Japão. 

Com o dinheiro, a companhia pretende ainda turbinar as operações de vendas diretas ao consumidor. Um de seus canais, por exemplo, é o aplicativo que chegou à App Store e Google Play na semana passada e que foi baixado 17 mil vezes nas primeiras 24 horas, de acordo com a empresa.

Para conseguir dar esse grande passo, a empresa deu outros muito menores. Desde 2016, ano de sua fundação, a Allbirds captou US$ 202,5 milhões com 21 investidores, entre eles Baillie Gifford, Tiger Global Management, T. Rowe Price e Maveron.

Muitos dos fundos são “reincidentes”, o que pode ser considerado como uma aprovação do mercado às diretrizes da companhia, que além de vender calçados passou também a comercializar meias e, mais recentemente, roupas íntimas. 

Este catálogo enxuto levou à Allbirds à lucratividade. Antes da crise do novo coronavírus, o cofundador e CEO da empresa, Joseph Zwillinger, afirmou ao jornal The Wall Street Journal que a operação da marca era positiva.

A companhia teve de fechar suas portas devido à pandemia, e viu suas vendas serem impactadas. Paralelamente, o “novo normal” impulsionou seu negócio, uma vez que a procura por roupas casuais, esportivas e confortáveis aumentou no mesmo período. Agora, com as lojas reabertas, a Allbirds parece confiante com o que vem pela frente. 

E não é para menos: esse mais recente investimento de US$ 100 milhões veio sob uma avaliação de US$ 1,7 bilhão. Mas há quem já esperasse uma avaliação bilionária.

É o caso do empresário brasileiro Eduardo Glitz, cofundador da Yuool, que é chamada por muitos a “Allbirds brasileira”, dada a aposta em sapatos e outras peças de tecido de merino.

“Se você olhar para o tamanho do mercado e para o potencial da marca, vai chegar nessa mesma cifra. A Tesla, por exemplo, vale tudo isso porque os investidores entendem que ela pode ser a líder de um dos setores mais caros do mundo. A Allbirds tem tudo para ser uma grande player de um segmento importante, daí essa avaliação”, disse ao NeoFeed.

O empresário reconhece ainda que as comparações entre a sua marca e a americana é facilmente compreensível, mas deixa claro que não se trata de uma cópia. Até porque as companhias apostam em produtos e estratégias diferentes.

“Acho que a Allbirds deve focar na Ásia nos próximos anos, mas se por acaso um dia vier ao Brasil, eu vou achar bom. Concorrência justa e de boa qualidade é sempre bem-vinda”, afirma Glitz.

Mas mais do que fazer bonito, a Allbirds quer fazer é bem feito, sobretudo no aspecto ecológico. A marca colocou como objetivo eliminar a emissão de carbono de todos os seus produtos, desde as matérias-primas que usa até o CO2 produzido pelos calçados que se decompõem em aterros sanitários.

Para isso, a companhia tem medido suas emissões de carbono e reduzido ao máximo o impacto ambiental, priorizando tecidos reciclados ou naturais.

Para promover essa “bandeira”, a marca vai marcar em seus  produtos a “pegada de carbono” de cada um. A média da empresa, por exemplo, é de 7,6 kg de CO2 por peça. Isso equivale a cinco ciclos de uma máquina de secar roupa. A produção de um tênis convencional emite 12,5 kg de CO2. Todas as medições são resultadas de um estudo conduzido pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT). 

Até 2018, a indústria da moda produzia cerca de 4% de todo gás de efeito estufa do mundo, de acordo com uma estimativa da consultoria McKinsey.

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