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Negócios

O duplo desafio de Boris Johnson à frente do Reino Unido (e o impacto no Brasil)

Fervoroso defensor do Brexit sem negociação, ele terá de lidar com as consequências da desaceleração econômica e com o êxodo de dezenas de empresas do país

 

Boris Johnson, o novo primeiro ministro do Reino Unido

“Eu não consigo imaginar Boris Johnson à frente de um pequeno negócio, muito menos da economia e de armas nucleares”. A frase é do democrata liberal David Laws, escrita há sete anos em seu diário, segundo relata a revista britânica The Economist.

Nesta terça-feira 23, a piada de Laws se tornou uma realidade. Boris Johnson, o ex-prefeito de Londres e atual ministro da Relações Exteriores, foi escolhido pelo Partido Conservador para ser o novo primeiro-ministro do Reino Unido.

Ele substitui a Theresa May, que renunciou após falhar três vezes em negociar com o Parlamento uma saída do Reino Unido da União Europeia (UE), o chamado Brexit, uma abreviação de “British exit” (saída britânica, em uma tradução literal).

Johnson, que liderou a campanha a favor do Brexit quando era prefeito de Londres e é um partidário de uma saída sem negociações, terá um duplo desafio pela frente. Ele terá de fazer o desembarque da União Europeia – com ou sem acordo – ao mesmo tempo que precisará domar a economia, para que os efeitos da decisão não sejam catastróficos para os cidadãos de seu país.

Em um breve discurso logo após o anúncio oficial de sua vitória, Johnson afirmou que pretende ”energizar o país e garantir o Brexit”. Não há muito tempo pela frente. A data final para o Reino Unido deixar a União Europeia é 31 de outubro.

“O Brexit deixa as relações econômicas do Reino Unido com a Europa e o resto do mundo, que tem acordos com a União Europeia, no limbo jurídico”, diz Vinícius Vieira, professor de Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas, de São Paulo. “Isso significa uma maior chance de recessão.”

Há sinais de desaceleração da economia britânica, antes mesmo da saída da União Europeia

Há sinais de desaceleração da economia, antes mesmo da saída da União Europeia. O Instituto Nacional de Pesquisa Econômica e Social (Niesr) prevê que, mesmo havendo uma saída suave do bloco, o crescimento da economia anglo-saxã deverá ficar limitado a 1% em 2019 e a 1% em 2020.

Segundo o Niers, as chances são de 25% de que a economia britânica já esteja encolhendo. O cenário piora na hipótese de uma saída brusca, não-negociada, o que parece ser o caminho agora, caso Johnson cumpra suas promessas, agora que está se mudando para Downing Street, a residência oficial dos primeiros-ministros.

Mesmo com uma saída “ordenada” em outubro, o Niesr avalia que a economia do Reino Unido ficará estagnada no ano que vem, com a inflação subindo para 4,1% e a libra se desvalorizando em 10%. “Sob qualquer ponto de vista, não haverá muita alegria econômica numa saída conturbada da União Europeia”, disse o diretor do instituto, Jagjit Chadha.”

Só no ano passado, 40 companhias deixaram o Reino Unido e foram para a Holanda

Outra consequência do Brexit é o êxodo de empresas, que estão mudando suas sedes para países da União Europeia para não perderam os benefícios do mercado único. Só no ano passado, 40 companhias deixaram o Reino Unido e foram para a Holanda. Outras 250 ainda estão negociando uma mudança com a NFIA, a agência de investimentos holandesa.

Em fevereiro deste ano, a montadora japonesa Honda anunciou que fecharia sua fábrica em Swindon, no sul da Inglaterra, onde trabalham cerca de 3,5 mil pessoas.

Os planos da Honda se somam à decisão tomada pela Nissan de deixar de produzir seu modelo X-Trail na Inglaterra e às advertências por parte da Ford e do grupo Jaguar Land Rover sobre os riscos de uma saída não negociada da União Europeia.

A Sony anunciou a transferência da sua sede europeia para Amsterdã, na Holanda, e a Airbus alertou que pode deixar o Reino Unido. A Siemens planeja reduzir seus investimentos no país.

“A tendência, se for confirmada uma saída não negociada, é que haja mais empresas desistindo de manter seus negócios no território britânico”, diz Vieira, da FGV-SP.

Brasil

O Brasil não ficaria imune a uma saída não negociada do Reino Unido da UE. Um estudo do Instituto Halle de Pesquisa Econômica (IWH), da Alemanha, calculou que quase 10 mil trabalhadores em território brasileiro poderiam ser afetados em dezenas de setores ligados às exportações, mas principalmente na agricultura.

O Brexit pode custar o emprego de 10 mil trabalhadores brasileiros, segundo pesquisa

“O Brasil está mais vulnerável a choques externos e, com o Brexit, a tendência é de menos investimentos virem para cá”, diz Vieira.

Internacionalmente, há previsão de que o hard Brexit afete 600 mil empregos, com um baque maior na Alemanha. Sozinho, o país teria aproximadamente 100 mil vagas “em risco”, a maioria em funções ligadas à produção e comércio na indústria automotiva. Países como China, França, Polônia e Itália, seriam, nessa ordem, os outros quatro da lista mais afetados.

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