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O jogo agora é outro: os gigantes estão entrando em criptomoedas

O Morgan Stanley é o primeiro dos grandes bancos americanos a permitir que seus clientes milionários possam investir em fundos de bitcoin. É mais um passo importante na validação dos criptoativos pela ala mais tradicional do mercado financeiro

 

Logo do Morgan Stanley

A partir de abril, o Morgan Stanley será o primeiro dos grandes bancos americanos a oferecer a seus correntistas da área de wealth management a opção de investir em fundos de bitcoin.

A instituição, que possui US$ 4 trilhões em ativos sob gestão na área de wealth management, anunciou em um memorando interno que vai dar acesso a três fundos da criptomoeda.

Dois são da Galaxy Digital, do bilionário Mike Novogratz, e o terceiro é um fundo conjunto da gestora FS Investments e da companhia de bitcoin NYDIG. O anúncio oficial deve ser feito em breve, segundo o site da CNBC, que publicou a notícia com exclusividade.

Nem todos os correntistas do Morgan Stanley poderão investir em bitcoin neste primeiro momento. O serviço é restrito apenas aos clientes com mais de US$ 2 milhões em ativos e uma “agressiva tolerância ao risco”. E o limite de investimento é de 2,5% do total de ativos.

O CEO do Morgan Stanley, James Gorman, já via os criptoativos com interesse há alguns anos. Em 2017, afirmou que não havia investido em bitcoin ainda, mas sabia que o ativo não era apenas uma moda passageira. “É uma consequência natural de toda a tecnologia de blockchain”, afirmou, na ocasião.

Naquela época, outros figurões de Wall Street, como Ray Dalio, viam bitcoin como uma bolha. Em 2017, a criptomoeda valia “apenas” US$ 14 mil.

Por enquanto, Goldman Sachs, J.P. Morgan Chase e Bank of America, os outros bancões americanos, não oferecem investimentos em criptomoedas. A opção é buscar corretoras especializadas nesse tipo de ativo, como a Coinbase, que está prestes a abrir o capital.

Essas instituições tradicionais ainda veem as criptomoedas com receio. Michael Hartnett, estrategista-chefe de investimentos do Bank of America, afirmou em janeiro deste ano que bitcoin parece “a mãe de todas as bolhas”. Jamie Dimon, CEO do J.P. Morgan, tem opinião semelhante. Em 2017, disse que a criptomoeda era uma “fraude.”

Os analistas do J.P. Morgan, no entanto, têm uma visão diferente. Em nota divulgada no final de fevereiro deste ano, eles sugerem a alocação de 1% do total da carteira de investimentos em bitcoin como uma forma de diversificar o portfólio.

Até o fim de março, o banco também vai oferecer uma opção de investimento baseada na performance de sua Cryptocurrency Exposure Basket, que acompanha o desempenho de ações de 11 empresas.

De acordo com a instituição, essas empresas operam negócios direta ou indiretamente ligados a criptomoedas ou outros ativos digitais. Apesar do nome, o investimento não oferece exposição direta aos criptoativos.

No Brasil, a situação é semelhante. O investidor encontra opções em gestoras especializadas, como a Hashdex, que distribui seus fundos baseado em moedas digitais como o bitcoin em diversas plataformas de investimentos. Em 2019, a Hashdex tinha R$ 45 milhões de ativos sob gestão. Em fevereiro deste ano, esse valor havia saltado para R$ 1,5 bilhão.

“Foi uma surpresa boa para o mercado”, afirma Marcelo Sampaio, fundador da gestora Hashdex. “Mas é uma coisa natural. Uma hora alguém ia começar, e o Morgan Stanley foi o primeiro.”

Para Sampaio, o anúncio também está mais relacionado à pressão dos clientes do que a uma mudança de perspectiva das instituições sobre os criptoativos. “E vamos ver isso acontecer cada vez mais.”

Os grandes bancos, no entanto, ainda mantém certa distância do setor. O Itaú não oferece nenhum investimento em moedas digitais. Procurados pelo NeoFeed, Bradesco, Santander e Banco do Brasil não se manifestaram até o fechamento da reportagem.

Valorização acelerada

Nesta quarta-feira, 17 de março, por volta das 17h30, o bitcoin era comercializado a US$ 58.060, de acordo com o site Coin Desk. No dia 13 de março, atingiu seu maior valor, superando a marca de US$ 61 mil. Desde o início do ano, a criptomoeda registrou uma alta acumulada de mais de 90%.

Essa valorização dos criptoativos e sua aceitação de forma mais ampla pelo mercado também vem sendo acelerada por conta das declarações e ações do empresário Elon Musk.

Além de fazer propaganda do criptoativo em seu Twitter, anunciou a compra de US$ 1,5 bilhão em bitcoin pela Tesla. A fabricante de carros elétricos também deve passar a aceitar a moeda digital como forma de pagamento para seus veículos no futuro.

Outras empresas, como a MicroStrategy, também adicionaram bitcoin a seus portfólios. A empresa de serviços financeiros Square, do cofundador e CEO do Twitter Jack Dorsey, também fez um investimento de US$ 50 milhões em bitcoin em outubro de 2020.

Ainda mais recente, a febre pelos criptocolecionáveis, os NFTs, ou tokens não-fungíveis, levou a empolgação do mercado de investimentos para o mundo das artes. Uma obra digital em token do artista Beeple foi leiloada pela tradicional Christie’s por US$ 69 milhões.

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