Negócios

O que a evolução das relações comerciais entre Brasil e EUA diz sobre o futuro?

Durante o CEO Fórum, os empresários dos dois países destacaram a necessidade de aprofundar as relações bilaterais, tendo como prioridade um acordo para evitar a dupla tributação

 

Marco Stefanini (centro) e o ministro da Economia, Paulo Guedes, junto com o grupo de brasileiros que participaram do CEO Fórum

Como participante do CEO Fórum Brasil-Estados Unidos desde o início – há 10 anos -, posso afirmar que este último encontro foi o que representou mais avanços para a agenda econômica do País.

Os debates se concentraram em quatro grandes frentes: bitributação, infraestrutura, tecnologia/comunicações e educação/health, com foco em iniciativas que precisam ser pensadas e implementadas para treinar e retreinar a força de trabalho para lidar com as novas tecnologias.

Em clima de otimismo, os empresários dos dois lados reforçaram que é necessário aprofundar as relações bilaterais, tendo como prioridade um acordo para evitar a dupla tributação.

Ao diminuir custos para investimentos estrangeiros no Brasil com a redução de Imposto de Renda para rendimentos importantes, como envio de dividendos, comércio de serviços, financiamento e royalties, abrem-se novas oportunidades de negócios, que passam por mais empresas estrangeiras chegando ao País, além de aquisição e desenvolvimento de tecnologias de ponta para fazer a economia girar e crescer.

Em relação à cooperação em infraestrutura, os CEOs recomendaram a criação de uma Iniciativa de Projetos Transparentes para atrair investimentos do setor privado e financiamento de projetos de infraestrutura.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, destacou a aprovação, em julho deste ano, das leis de Liberdade Econômica e Debêntures de Infraestrutura, bem como o lançamento do programa “Novo Mercado de Gás”, que aumentarão a concorrência no setor.

A ideia é ampliar iniciativas com o Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), tendo os EUA como parceiros estratégicos.

E para alavancar investimentos, a transformação digital tornou-se uma questão obrigatória. Quem ainda não entrou nesta jornada ou não sabe como atingi-la é bom correr para não perder o timing e se diluir num mercado cada vez mais volátil, veloz e incerto.

Nesse aspecto, a Inteligência Artificial ganhou relevância durante as reuniões. O conceito de nearshore, exportação de serviços de valor agregado do Brasil aos Estados Unidos, também foi destacado.

E para garantir que os profissionais acompanhem a dinâmica dos novos tempos, a educação deve ser valorizada de maneira contínua, para toda a vida.

Com as transformações tecnológicas e o surgimento de novas profissões, a tendência é que a carreira agregue, cada vez mais, novas habilidades. Mesmo que a pessoa seja formada em uma área, ela deverá ter uma visão do todo e se preparar para desenvolver projetos diferentes, simultaneamente.

A cooperação tecnológica entre Brasil-Estados Unidos pode intensificar parcerias educacionais e iniciativas de colaboração entre os países para desenvolver as chamadas soft skills.

A cooperação tecnológica entre Brasil-Estados Unidos pode intensificar parcerias educacionais

As lideranças também abordaram a importância de ampliar a eficiência e como novas metodologias na área de health, como telemedicina e tratamento residencial, podem se beneficiar com o acordo bilateral.

Além das quatro principais vertentes de discussão durante o CEO Fórum, outro destaque foi o início dos testes para o programa que facilita a entrada nos Estados Unidos, o Global Entry.

Ele não substitui a exigência do visto, mas permite liberação rápida no momento de chegada ao país por viajantes frequentes e pré-aprovados. A facilidade no trânsito de pessoas entre os dois países é importante para estimular a realização de negócios, especialmente entre pequenas e médias empresas.

As mudanças não serão da noite para o dia, mas a disposição para o diálogo e a vontade de evoluir nas relações bilaterais são um passo importante para que os setores empresariais brasileiros e norte-americanos possam adotar medidas com resultados comerciais de curto, médio e longo prazos. O Global Entry mostra que estamos avançando e que é possível fazer muito mais.

Saio do encontro otimista e certo de que daremos continuidade às discussões entre os CEOs e seus respectivos governos para estreitar o relacionamento e caminhar para um acordo de livre comércio que seja uma via de mão dupla, onde Brasil e Estados Unidos se beneficiem da geração de negócios mútuos com a redução de burocracia e com a troca de conhecimento.

A educação é o meio mais eficaz para que possamos dar um passo à frente em direção ao desenvolvimento do País, nos libertando de padrões que limitam a criatividade e a inovação.

Em um ambiente menos hostil à iniciativa privada, a economia se fortalece para atrair novos investimentos e gerar novas oportunidades de negócios e de trabalho.

*Marco Stefanini é CEO Global da Stefanini e líder do grupo de empresários
brasileiros no CEO Fórum Brasil-Estados Unidos.

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