O que a Ser tem feito para evitar que os alunos abandonem cursos online

No terceiro trimestre, a taxa de evasão para cursos digitais caiu ao menor nível da história da companhia. Cursos de curta duração e até um “tutor guardião” ajudam a explicar esse número

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De julho a setembro, a receita líquida da Ser cresceu 20,3%, para R$ 324,1 milhões

Quando a pandemia chegou em 2020 e forçou as pessoas a ficarem em casa, o grupo Ser Educacional – dono de universidades particulares como Uninassau, Univeritas e Uninabuco – assistiu a uma debandada de alunos. Sem saber quando a vida voltaria ao normal e com a economia entrando em crise, muitos abandonaram os cursos, principalmente os presenciais.

Ao fim do primeiro semestre do ano passado, quando o isolamento social já tinha mais de três meses, a taxa de evasão em cursos presenciais saltou para 20,7%, ante 15,7% na primeira metade do ano anterior.

Naturalmente, a companhia procurou se adaptar aos novos tempos e reforçou a estratégia de ensino a distância, mas se deparou com outro desafio: evitar que os alunos também abandonem os cursos online, uma vez que eles estão expostos às distrações da vida doméstica e não contam com o incentivo da socialização no ambiente acadêmico.

A julgar pelos resultados do terceiro trimestre deste ano, divulgados na manhã desta sexta-feira, o esforço tem dado certo. A taxa de evasão em cursos digitais caiu para o menor nível da história da empresa, a 8,9%, contra 18,7% em igual período do ano passado.

Segundo a empresa, a primeira explicação é puramente matemática. Como a base de alunos digitais cresceu 102,7% nos últimos 12 meses, para 103,5 mil, a quantidade de novos estudantes em um período recente faz com que o nível de evasão se dilua.

Mas a Ser também tem tomado uma série de medidas no dia a dia para garantir que os alunos permaneçam conectados. Uma delas foi a criação de um “tutor guardião”, profissional do grupo que auxilia o estudante no uso da plataforma e, atuando também como um “coach”, tenta diminuir a sensação de falta de socialização.

“Isso foi pensado para que houvesse uma redução efetiva da evasão”, afirmou o CEO da Ser, Jânyo Diniz, em teleconferência com analistas, após a publicação do balanço.

Além disso, a companhia buscou uma solução no sistema de pagamentos das mensalidades. Nos cursos de até dois anos, os alunos podem pagar no cartão de crédito, sendo cobrado todos os meses. Caso ele fique mais de dois meses sem pagar ou sem acessar a plataforma, o sistema lhe corta. “Isso evita que a evasão se acumule por vários meses”, disse Rodrigo Alves, diretor de Relações com Investidor da companhia.

Por último, a Ser notou que os cursos de curta duração contam com uma evasão menor, porque, muitas vezes, os alunos não têm a disciplina para concluir um curso mais longo, e tem procurado usar isso a seu favor.

“Quando a gente vê que o aluno é mais propenso a curso de curta direção, tentamos direcioná-lo para esse tipo de venda”, diz Alves. O executivo afirmou que, em geral, as evasões ocorrem com mais frequência entre o segundo e o terceiro semestre.

A Ser, vale dizer, também viu cair o porcentual de alunos presenciais que abandonam os cursos. No terceiro trimestre, o índice ficou em 12,5%, ante 17% um ano antes. Isso representa um retorno ao patamar pré-pandemia.

Segundo a companhia, a queda é reflexo da redução do número de mortes causadas pela Covid-19 e da reabertura gradual da economia, que têm diminuído os impactos da crise sanitária no cotidiano dos alunos.

Mesmo assim, a empresa demonstra preocupação com a fraqueza da atividade econômica no Brasil, uma vez que o alto desemprego e a queda da renda reduzem a demanda por cursos universitários particulares.

“O que vemos de risco efetivo é que o aumento da inflação e o aumento do nível de desemprego levem a uma redução do poder aquisitivo da população. Mas esse é um risco não só do ensino superior, e sim, do mercado em geral”, afirma Diniz.

Pelo menos por enquanto, a companhia não tem do que reclamar. No terceiro trimestre, a captação de novos alunos foi recorde, com uma adição de 53,1 mil matrículas, número 29,4% maior que o de igual período do ano passado.

“Por incrível que pareça, o ambiente competitivo no trimestre foi menos intenso”, disse o CEO.  “No final de processo de captação, foi até possível fazer uma redução dos descontos oferecidos”. Para ele, o ano de 2022 deve seguir favorável.

De julho a setembro, a receita líquida da Ser somou R$ 324,1 milhões, alta de 20,3% em comparação a igual intervalo de 2020. Com isso, a empresa reverteu o prejuízo registrado no terceiro trimestre do ano passado, de R$ 1,3 milhão, e passou a ter lucro líquido ajustado de R$ 7,5 milhões no período equivalente de 2021.

Por volta das 12h25, a ação do Ser caía 2,69%, para R$ 11,21. A empresa vale R$ 1,44 bilhão.

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