O tigre virou um gatinho? Tiger Global acumula perda bilionária e faz mea culpa

Com uma perda de 52% em 2022 e um recuo de US$ 16 bilhões em seu volume de ativos em abril, a gestora cortou taxas de administração e criou mecanismos para facilitar os resgates dos seus clientes

0
0
Leia em 2 min

Fundada por Chase Coleman, em 2001, a Tiger Global se consolidou como um dos principais investidores globais em empresas de tecnologia ao acumular US$ 36 bilhões de ativos sob gestão e colecionar unicórnios – são mais de 100 em seu currículo, entre elas, as brasileiras 99 e Nubank.

Depois de ajudar a impulsionar essas e outras companhias do setor e de surfar na valorização desses ativos, a gestora, agora, está passando por maus bocados diante do momento delicado no mercado de tecnologia.

É o que mostra uma carta a investidores, obtida pela agência Bloomberg. Segundo o documento, os fundos da Tiger Global acumulam uma perda de 52% em 2022, na trilha da desvalorização das ações de companhias listadas de tecnologia e de remarcações substanciais em seus ativos privados.

Apenas no mês de abril, a queda de 44% em seu fundo de hedge, aliada a perdas em outras ofertas, reduziu em cerca de US$ 16 bilhões o valor dos ativos sob gestão da empresa.

Já em maio, o recuo de 14,2% no portfólio da gestora ficou bem acima dos índices do mercado. Enquanto o S&P 500 ficou estável no período, o Nasdaq 100, composto em sua maioria por empresas de tecnologia, teve uma queda de 2%.

A perda bilionária no período fez com que a Tiger Global, acostumada a rugir bem alto no mercado, falasse manso com seus clientes. “Levamos muito a sério o fato de que nosso desempenho recente não está de acordo com os padrões que estabelecemos para nós mesmos nos últimos 21 anos e que você, com razão, espera. Nossa equipe segue motivada para recuperar as perdas recentes”, escreveu a gestora, na carta.

Do discurso à prática, a Tiger Global decidiu criar contas separadas para os investidores que desejassem fazer resgates e cortar as taxas de administração dos seus fundos em meio ponto percentual, para 1%, até dezembro de 2023.

A gestora também está permitindo que os clientes retirem mais recursos, na faixa de até 33% de seus respectivos investimentos neste ano, acima do limite usual de 25% do fundo de hedge e de 20% de outras opções do portfólio. Segundo a empresa, essas mudanças são temporárias.

Mesmo com as perdas, o fundo de hedge da Tiger Global registrou cinco vezes mais entradas do que a volume de pedidos de resgates, segundo uma das fontes ouvidas pela Bloomberg.

Na carta, a Tiger Global ressaltou ainda que tem recursos para reduzir seus honorários sem afetar negativamente a qualidade entregue por sua equipe ou seu foco em maximizar as saídas de posições em companhias privadas.

Leia também

Brand Stories