Para investidor veterano do Vale do Silício, “há muito lixo” nos SPACs

Sandy Robertson, que fundou dois bancos que lideraram boa parte dos IPOs na década de 1990 nos EUA, critica a proliferação das empresas de cheque em branco e diz que poucas delas justificam, de fato, o interesse dos investidores

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Prestes a completar 90 anos, Sandy Robertson tem um longo histórico de serviços prestados no mercado de investimentos. Na ativa desde a década de 1960, foi no Vale do Silício, anos mais tarde, que ele construiu, de fato, sua fama, alimentando e a acompanhando a evolução da própria região.

Nessa trajetória, o americano ajudou a fundar o Robertson, Stephens & Company e a Montgomery Securities, dois dos “Quatro Cavaleiros”, como ficou conhecido o quarteto de bancos de investimentos que assessorou e liderou boa parte das aberturas de capital de empresas de tecnologia na década de 1990.

Na época, Robertson chegou a alertar sobre as avaliações infladas das empresas de internet que desembocaram no estouro da bolha pontocom. Agora, mais de 20 anos depois, o veterano do Vale do Silício está novamente preocupado com as movimentações que vêm assistindo no mercado.

“O mercado de capitais parece muito ‘espumoso’ para mim”, afirmou Robertson, hoje à frente da empresa de private equity Francisco Partners, em entrevista ao jornal britânico Financial Times.

Um dos principais pontos de atenção na visão do investidor envolve um modelo que registrou um crescimento exponencial desde o segundo semestre de 2020: as Special Purpose Acquisition Companies (SPACs), empresas que captam recursos no mercado de capitais para fazer aquisições no prazo de dois anos, também conhecidas como empresas de “cheque em branco”.

“Essa coisa da SPAC é muito indicativa dos estágios finais de um ciclo”, disse Robertson. Para ele, existem muitos compradores circulando em torno de um número limitado de alvos que realmente justificam esse interesse. “Algumas delas são muito boas, mas, no fundo, há muito lixo.”

Sandy Robertson

Em 2020, o mercado americano contou com 248 SPACs, que arrecadaram US$ 83,4 bilhões, segundo a consultoria SPAC Analytics. Já neste ano, o modelo respondeu por 70% dos IPOs até o momento, com 321 SPACs e uma captação de US$ 103 bilhões.

Robertson também destacou que esse cenário pode acabar prejudicando as empresas adquiridas pelas SPACs, assim como os investidores dessas empresas de cheque em branco.

“As SPACs vão pagar muito caro. É a proliferação delas que me preocupa”, disse. “Simplesmente não faz sentido. O tempo está se esgotando para elas”, acrescentou.

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