Para o Credit Suisse, a WEG está de volta ao radar dos investidores

O banco suíço estima expansão anual de 15% para a multinacional brasileira de energia nos próximos cinco anos e acredita que a ação pode ser uma boa opção para atravessar as turbulências de 2022

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Depois de a ação da WEG ter experimentado uma valorização de 119% no ano passado, o mercado parece ter entendido que a empresa havia chegado ao seu limite. Tanto é que, em 2021, o papel da multinacional brasileira de energia tem andado de lado, com uma alta acumulada de apenas 2,49%.

A companhia, porém, está voltando a ser analisada com mais carinho por quem investe na Bolsa. É o que acreditam os analistas do Credit Suisse, que se reuniram com uma série de investidores ao longo das últimas semanas e publicaram um relatório nesta segunda-feira, dia 20 de setembro, para contar as suas impressões.

“Depois do rali de 2020, a ação saiu do radar de muitos investidores locais”, escreveram os analistas Daniel Gasparete e Pedro Hajnal. “No entanto, eles estão voltando à tese de investimento, atraídos pelo forte potencial de expansão da companhia e em linha com nossa visão positiva para o papel”, disseram.

Os analistas ressaltaram que a projeção do Credit para a expansão da WEG, de 15% ao ano pelos próximos cinco anos, fez sentido para os investidores.

“Eles parecem confiantes na capacidade da WEG de crescer em mercados internacionais, alavancada por previsões de estímulo globais (dos governos)”, disseram. “Além disso, o negócio de distribuição de energia é, potencialmente, visto pelos investidores como o mais importante motor de curto prazo para as receitas no mercado doméstico.”

Se uma parte das empresas deve sofrer com as turbulências esperadas para 2022 no Brasil, tanto na economia quanto na política, a Weg é encarada como um porto seguro para investimentos, dizem os analistas do banco suíço.

“Acreditamos que a deterioração macroeconômica e política no Brasil criou, para os investidores, a necessidade de buscar nomes de alta qualidade com exposição a mercados internacionais”, disseram. “Nesse sentido, a WEG se encaixa muito bem, por ter 55% das receitas vindas do exterior e por uma correlação muito baixa entre a sua ação e o Ibovespa.”

O banco também avalia que a crescente exposição da WEG às energias renováveis no mercado doméstico cria uma interessante proteção contra um possível racionamento de energia no Brasil. “E os investidores parecem estar a favor dessa visão”, disseram.

O Credit Suisse reconhece que há uma preocupação quanto à capacidade da empresa de manter os altos níveis de rentabilidade. Do segundo trimestre de 2018 até o segundo trimestre deste ano, a taxa de retorno da companhia foi elevada em 13 pontos porcentuais, para 30%.

“Apesar de ser uma boa discussão, notamos que muitos investidores acham que a taxa deve ficar em torno de 20% a 25%”, disseram. “Mas eles temem que uma potencial decepção nesta frente seja a maior fonte de risco para a tese.”

Avaliada em R$ 162,9 bilhões, a WEG opera em queda de 0,87% nesta segunda-feira, a R$ 38,85, por volta das 12h45. Para o Credit Suisse, o preço-alvo da companhia em 12 meses é estimado em R$ 46. O banco suíço recomenda compra e classifica a empresa como “outperform” (acima da média do mercado).

No segundo trimestre, a WEG teve lucro líquido de R$ 1,13 bilhão, aumento de 120% em relação a igual período do ano passado. O Credit projeta lucro de R$ 3,6 bilhões para 2021, contra R$ 2,3 bilhões em 2020.

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