Para o BofA, a monetização do Inter está só no começo

Os analistas do Bank of America começaram a cobrir a instituição e destacaram que o banco tem sido capaz de crescer sua base, hoje em 12 milhões, com um baixo custo de aquisição

0
395
Leia em 3 min

Sede do Banco Inter

O clássico caminho a ser percorrido pelas fintechs – criar uma base robusta de usuários para depois gerar receita a partir dela – ainda está longe de ser concluído até mesmo pelos bancos digitais que estão nessa estrada há mais tempo.

Na visão dos analistas do Bank of America, o Inter é um desses casos. A instituição – que em junho chegou à marca de 12 milhões de clientes, o dobro do que tinha um ano antes – tem sido capaz de fazer a base crescer a um baixo custo, mas o processo de monetização ainda está no estágio inicial. Para o BofA, contudo, o banco já mostra sinais promissores e está na direção correta.

“O Inter tem sido capaz de crescer tanto no cross-selling (vendas cruzadas de produtos) quanto na taxa de ativação de clientes, à medida em que a base de usuários amadurece”, escrevem Mario Pierry e Flavio Yoshida, em relatório distribuído a clientes nesta sexta-feira, dia 10 de setembro, e que marca o início da cobertura do Inter pelo BofA.

O Inter – que além dos serviços bancários procura engajar os seus clientes com oferta de crédito, investimentos, seguros e uma loja virtual – registrou no segundo trimestre uma receita média por usuário de R$ 184,49, alta de 8,4% em relação a igual período do ano passado.

Nas contas do BofA, essa taxa pode acelerar para uma média de 12% ao ano até 2025, enquanto a base deve ter uma expansão de 29% ao ano no mesmo período. Com isso, a receita líquida deve avançar a um ritmo anual de 51% até lá, enquanto o lucro cresceria 200% ao ano.

“O Inter está bem posicionado para entregar sólidos crescimentos de lucro, se beneficiando de fontes diversificadas de receita, fortes parceiros na sociedade, investidores estratégicos e dinâmicas favoráveis na indústria”, afirmam os analistas.

Em relação aos parceiros e investidores, o BofA se refere, especificamente, à Stone, que agora detém 5% do Inter, e ao SofBank, que desde 2019 é um investidor estratégico, com uma fatia de 14,49%.

“No caso da Stone, esperamos um aprimoramento do mercado endereçável para ambos, com um alavancando o ecossistema do outro”, diz o banco americano.

Já sobre o SoftBank, o BofA acredita que o investimento vai além de uma melhora na operação do negócio, mas também aumenta a credibilidade do Inter no mercado e valida a tese da companhia.

Diante de tal cenário, os analistas do banco americano estimam um preço-alvo de R$ 80 para as units do Inter, uma valorização potencial de 27,7% em relação à cotação de quinta-feira, dia 9, quando o preço no encerramento do pregão foi de R$ 62,63. Nesta sexta-feira, as units fecharam o dia de negociação cotadas a R$ 61,49, queda de 1,82%.

No segundo trimestre, o Inter registrou lucro líquido de R$ 18,2 milhões, quase sete vezes os R$ 2,7 milhões anotados em igual período do ano passado. A companhia é avaliada em R$ 53,1 bilhões.

Leia também