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Presidente do BC destaca “corrida do ouro” na união entre mídias sociais e finanças

Para Roberto Campos Neto, as iniciativas de empresas e serviços como WhatsApp e Google na área de pagamentos irão transformar radicalmente o setor financeiro, ao reunir uma massa de dados inigualável se comparada ao que qualquer grande banco detém atualmente

 

Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central

Em junho de 2020, o Banco Central barrou o que seria a estreia global do serviço de pagamentos online do WhatsApp, sob a alegação de “preservar um adequado ambiente competitivo”. Nove meses depois, essa história está ganhando um novo capítulo.

O BC concedeu na nesta terça-feira a autorização para que o WhatsApp seja um “iniciador de pagamentos” para a transferência de recursos entre usuários do aplicativo pertencente ao Facebook. O processo inclui ainda dois arranjos de pagamento, com a participação da Visa e da Mastercard.

Segundo o BC, o WhatsApp apenas iniciará as transações, que usarão o número do cartão de débito ou pré-pago das duas bandeiras em questão. A instituição não acolheu, porém, os pedidos da Visa e da Mastercard para transações vinculadas ao programa Facebook Pay, que segue em análise.

Horas antes do anúncio, a aproximação entre aplicativos e serviços como o WhatsApp e instituições financeiras foi um dos temas destacados por Roberto Campos Neto, presidente do BC, durante a sua participação em evento do banco Daycoval.

“O que está acontecendo é um casamento entre mídias sociais e o mercado financeiro”, afirmou Campos Neto. “Há uma corrida do ouro para juntar três grandes vertentes: conteúdo, mensageria e mundo financeiro.”

Nesse contexto, ele citou projetos que estão sendo desenvolvidos pelo Google, na Índia, e destacou o caso do próprio WhatsApp, ressaltando que a aprovação para que o serviço atuasse nesse espaço aconteceria “em breve.”

Para o mandatário do BC, a junção entre pagamentos e algoritmos de mídia social provocará grandes transformações no mercado. “É uma quantidade de dados inigualável comparada ao que qualquer banco tem hoje”, disse. “Então, os reguladores precisam entender como enfrentar, como regular e o que isso significa em termos de precificação e competição para a sociedade.”

A partir desse volume de informações, Campos Neto apontou outra mudança importante, ligando esse movimento ao Open Banking. “Os dados serão dos clientes, que vão poder usá-los para conseguir produtos financeiros sob medida, a preços melhores”, afirmou.

Para ele, essas mudanças não irão “encolher” o mercado financeiro. “Ao contrário. Grandes empresas vão deter uma fatia menor de uma torta muito maior”, pontuou. “Vai aumentar a bancarização, a inclusão e a segmentação”, completou, acrescentando que enxerga o casamento entre fintechs e bancos como natural nesse processo.

Durante sua participação no evento, o presidente do BC também falou sobre o projeto do banco para a criação de uma moeda digital. E destacou a necessidade de discutir alguns temas, como quem seria responsável pela custódia e emissão, o BC ou os próprios bancos. E também se a moeda seria rastreável ou não.

“São questões importantes, que precisam ser feitas”, afirmou. “Nós conversamos com outros bancos centrais no mundo. Hoje, todos têm muito mais perguntas do que respostas.”

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