Negócios

Presidentes de Gol, Latam e Azul veem um lado positivo na crise

Com boa parte dos aviões no chão, os presidentes da Gol, da Latam e da Azul acreditam que a crise pode ser um catalizador para atacar velhos problemas do setor. Saiba quais são

 

Poucos segmentos da economia foram tão afetados pela Covid-19, e com tanta velocidade, como o setor aéreo. Já no fim de fevereiro, quando o vírus desembarcou no Brasil, as companhias aéreas foram obrigadas a reduzirem significativamente suas malhas até que, nas semanas seguintes, boa parte de suas aeronaves deixou de cruzar os ares.

As principais empresas aéreas no País ainda lidam com a falta de perspectivas sobre quando e como será a retomada. Esse cenário ainda é agravado pela alta do dólar, moeda que permeia boa parte dos custos do setor. Tanto que Gol, Azul e Latam aderiram a um pacote de socorro de R$ 6 bilhões liderado pelo BNDES e um grupo privado de bancos, formado por Itaú, Bradesco, Santander e Banco do Brasil.

Mas, apesar das dificuldades financeiras, há um consenso de que, mesmo com essas turbulências, a crise pode ser um motor para atacar velhas questões que impedem voos mais altos dessas companhias no mercado local.

“Hoje, estamos vivendo uma dinâmica idealizada há muito tempo, com o trabalho integrado das empresas e do governo”, disse Paulo Kakinoff, presidente da Gol, durante live promovida pelo banco BTG Pactual com executivos do setor, na noite desta terça-feira, 19 de maio. “Nós podemos usar essa agenda positiva como um catalisador de mudanças necessárias no setor.”

Para os participantes, essa aproximação e os efeitos da crise abriram espaço para a discussão sobre temas como os impostos e a regulamentação que pesam sobre o segmento. “Nosso setor, de maneira geral, é tudo, menos flexível”, afirmou Jerome Cadier, CEO da Latam. “Nós temos combustíveis e custos de navegação muito caros e nossos tripulantes podem voar menos que em outros países.”

Presidente da Azul, John Rodgerson seguiu a mesma linha e ressaltou que esse contexto se traduz em estatísticas “vergonhosas”, como o fato de o Brasil ter um índice menor de passageiros por habitantes do que países como Chile e Colômbia.

O executivo destacou que essas demandas se estendem a toda cadeia. “A indústria toda tem que ter essa flexibilidade”, disse Rodgerson. “Dos fabricantes e fornecedores aos sindicatos e demais stakeholders. Precisamos ter a oportunidade de voltar a voar.”

Os pedidos não se restringem, no entanto, apenas aos demais elos do segmento. “As próprias companhias precisam buscar novas condições para os passageiros”, observou Cadier. “Hoje, por exemplo, já estamos vendendo passagem que permitem remarcação sem custos e que o crédito seja acumulado.”

Diante das reivindicações e das turbulências, há quem enxergue uma herança positiva da pandemia. “Essa crise deixará alguns legados positivos, entre eles, a aceleração de tendências como a digitalização na interação com os passageiros”, disse Kakinoff. “Poderemos rever estruturas que são caras e oferecer uma experiência mais fluída, menos burocratizada e por um preço menor.”

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