Santander vê o boi do Minerva cada vez mais gordo

Em relatório, o banco eleva o preço-alvo da ação ao prever que o grupo vai se beneficiar dos preços mais baixos do gado no Brasil e da alta nos preços de exportação

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A Minerva está avaliada em R$ 8,3 bilhões

Na contramão da queda observada nas ações de seus pares na B3 no decorrer de 2022, a Minerva acumula uma valorização próxima de 30% em suas ações no ano. E, em linha com esse cenário, é a opção preferida para o Santander no menu de frigoríficos listados na bolsa brasileira.

É o que mostra um relatório obtido com exclusividade pelo NeoFeed. Nele, o banco reitera a recomendação de outperform (acima da média do mercado) para a Minerva e aumenta o preço-alvo da ação de R$ 17 para R$ 19.

“Nós reiteramos a Minerva como a nossa Top Pick. No curto prazo, esperamos que a empresa se beneficie de um forte impulso em seus ganhos e dos preços de gado mais baixos no Brasil”, escreve o analista Rodrigo Almeida. “Enquanto no médio e no longo prazo, nós esperamos que a Minerva possa se beneficiar da melhoria do ciclo do gado no Brasil e da perspectiva global de um desequilíbrio entre a oferta e a demanda de carne bovina.”

No que diz respeito ao preço do gado no Brasil, o Santander prevê uma queda de cerca de 4%, devido à sazonalidade e às restrições de importação para a China em algumas plantas brasileiras. Já em relação aos preços de exportação, a estimativa é de um avanço de 5% comparado ao primeiro trimestre.

“A China e outros países importadores continuam importando grandes quantidades de carne bovina, enquanto o rebanho bovino dos Estados Unidos está em queda e a Austrália ficou aquém de suas expectativas”, reforça outro trecho do relatório.

Ao ressaltar a expectativa de que o grupo reporte resultados fortes no segundo trimestre de 2022, o Santander projeta um Ebitda de R$ 769 milhões da operação no período, cerca de 20% acima do consenso e um crescimento anual de 41%.

Já para a margem Ebitda, a projeção do banco aponta para o patamar de 9,5%, o que representaria uma alta de 90 pontos-base na comparação com igual período, há um ano.

“Esperamos uma melhora gradual na disponibilidade de gado a partir do segundo semestre, que pode se traduzir em uma expansão de margem para a Minerva, que segue sendo um importante exportador de carne bovina da América do Sul para a China, com preços elevados”, destaca o analista.

Com unidades no Brasil, Paraguai, Argentina, Uruguai, Colômbia e Chile, a Minerva detém uma fatia de 23% nas exportações de carne bovina a partir da América do Sul.

Para o Santander, esse mapa diversificado permite que a empresa reorganize seu portfólio sempre que necessário, de acordo com eventuais restrições sanitárias em alguns desses países ou outras questões pontuais do setor.

Nessa direção, além dos resultados estáveis nesses países, o Santander disse esperar resultados mais fortes na operação do Paraguai, que se adaptou à falta de exportações para a Rússia e se beneficia da estabilidade dos preços do gado.

“Além disso, estimamos um rendimento de fluxo de caixa livre de 16% e um rendimento de dividendos de 8% para 2023, com o caixa extra sendo potencialmente direcionado para oportunidades de fusões e aquisições, por exemplo, na Colômbia e na Austrália”, observa o analista.

Por volta de 12h25, as ações da Minerva estavam sendo negociadas a R$ 13,76 na B3, com alta de 2%. A empresa está avaliada em R$ 8,3 bilhões.

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