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Sem final feliz: Warner pode sofrer boicote de redes de cinemas

Estúdio americano não quer que seus títulos tenham janela exclusiva para exibição nas telonas em 2021. Salas de cinema estudam reduzir o valor dos ingressos, mas aumentar sua porcentagem de comissão para os lançamentos da Warner

 

Filme “Mulher-Maravilha 1984” chegou aos cinemas e streaming, simultaneamente

O drama entre a Warner Bros. e as redes de cinemas pode estar prestes a virar um terror para o estúdio americano. Depois de anunciar que, em 2021, lançaria seus títulos simultaneamente nos cinemas e na plataforma de streaming HBO Max, a Warner agora enfrenta ameaça das redes de cinemas que estudam derrubar o preço dos ingressos para esses filmes.

As entradas, que não custam menos de US$ 10 em grandes cidades, como Los Angeles, podem ser vendidas por até US$ 3, segundo uma reportagem do jornal especializado The Hollywood Reporter. Além disso, as redes de cinemas querem engordar as comissões cobradas para a exibição desses títulos, subindo de 60% para 75% ou 80% do valor do ingresso. 

Algumas grandes marcas do setor, como AMC e Cinemark, foram ainda mais longe ao notificar que talvez ignorem os lançamentos do estúdio americano, e que cada título será analisado individualmente, para que seja decidido se o filme vai ou não às suas telonas. 

Essa reação dura acontece porque a Warner decidiu que, durante todo o ano de 2021, não vai respeitar o “acordo” firmado com as salas de cinema, que geralmente têm 75 dias de exclusividade sobre um longa-metragem, antes de o título ser distribuído em outras plataformas. 

As redes de cinemas temem que outros estúdios sigam essas diretrizes, o que talvez inviabilize a manutenção do setor, que passa por seu pior momento. A AMC, maior nome do segmento, já comunicou que suas reservas financeiras não passam de janeiro de 2021 e que, para atravessar o ano, vai precisar levantar pelo menos US$ 750 milhões em investimentos adicionais. 

Pesa contra as salas de cinema a pandemia, que tem deixado boa parte do público temeroso com a exposição ao vírus, e a própria falta de lançamentos. Dadas as circunstâncias e a escassez de público, grandes títulos, como o longa “007 – Sem Tempo Para Morrer”, tiveram suas estreias remanejadas. Em vez de chegar às telonas em novembro desse ano, o agente secreto mais famoso do mundo só deve ganhar os cinemas em abril de 2021.

Na tentativa de mitigar suas perdas, algumas empresas do ramo buscaram soluções criativas, como permitir o aluguel de salas de cinema inteiras para exibições privativas a partir de US$ 99

Em documentação enviada à SEC, a CVM dos Estados Unidos, a AMC afirmou que ainda é cedo para prever o impacto que terá essa nova estratégia da Warner. Mas a tentativa de “vingança” das salas de cinema pode ser um tiro que sairá pela culatra.

Isso porque, ao vender uma entrada por US$ 3, mesmo com uma margem maior de comissão, os ganhos das empresas seriam drasticamente reduzidos – e elas já estão sofrendo perdas mensais, mesmo com os ingressos vendidos a preços “normais”.  

Ao tentar fazer com que a Warner prove do seu próprio veneno, são as salas de cinema que mais correm o risco de sentirem os efeitos colaterais. No acumulado do ano, a AMC viu suas ações caírem 61,9%, enquanto a Cinemark perdeu 51,4% e o grupo Cineworld, que opera a rede Regal, despencou 71,3%.

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