Negócios

Separados, mas unidos: por que o Itaú quer segregar sua fatia na XP em uma nova empresa

Depois de anunciar que estuda vender 5% das ações que detém na corretora e separar a fatia remanescente, de 41,05%, em uma nova companhia de capital aberto, Candido Bracher elogiou a gestão da empresa com a qual protagonizou uma troca de farpas há poucos meses

 

Em junho deste ano, uma campanha publicitária foi o estopim para uma troca de farpas entre o Itaú Unibanco e a XP. Além das críticas contundentes sobre os modelos de atuação e de gestão de cada um, a animosidade chamou a atenção pelo fato de o banco ser, desde 2017, acionista da corretora, com uma fatia de 46,05%.

Pouco a pouco, os ânimos se acalmaram. Mas, na noite da terça-feira, a relação voltou aos holofotes. Em fato relevante, o Itaú Unibanco informou que estuda vender 5% de suas ações na XP e que está em estágio avançado de um estudo para separar a fatia remanescente, de 41,05%, em uma nova empresa, com capital aberto e participação acionária distribuídas entre os acionistas do banco.

Nesta manhã, na esteira do anúncio, Candido Bracher adotou um tom elogioso à XP, que em nada lembrou o imbróglio que as duas companhias protagonizaram há quatro meses. “Nós ficamos muito felizes em ver uma empresa que teve um desempenho extraordinário, que é tocada com um grande profissionalismo e excelente qualidade de gestão”, afirmou o executivo, em teleconferência com analistas. “E que fez com que o nosso investimento se valorizasse tanto que agora nós decidimos destravar esse valor e oferecê-lo aos nossos acionistas.”

Quando comprou uma fatia de 49% da XP, em maio de 2017, o Itaú pagou R$ 6 bilhões. Hoje, a empresa de Guilherme Benchimol vale US$ 23,3 bilhões (R$ 128 bilhões) na Nasdaq. Só a fatia do Itaú é avaliada em R$ 59,5 bilhões, quase dez vezes o valor pago há mais de três anos.

A ideia era ir pouco a pouco ganhando participação na XP, até assumir o controle. Mas o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e o Banco Central colocaram um freio e impediu o Itaú de controlar a corretora. Com isso, a XP virou apenas um investimento financeiro.

Com a criação de uma empresa, listada em bolsa, a expectativa do Itaú é destravar valor, já que essa fatia, dentro do conglomerado financeiro, ainda não está 100% precificada pelo mercado, acredita Bracher.

A perspectiva do fim dos laços mais estreitos do Itaú com a XP acontece em um momento de disputa intensa entre os bancos tradicionais e as fintechs e novas plataformas de investimentos pelos investidores pessoa física. Esse cenário tende a ser ainda mais acirrado com a chegada do Pix e do Open Banking.

Na época do investimento do Itaú Unibanco na corretora, o acordo chamou a atenção justamente pelo fato de unir uma das principais desafiantes das instituições financeiras tradicionais e o maior banco privado do País. O saldo dessa relação também foi comentado por Bracher.

“Os nossos muitos aprendizados foram mais como concorrentes do que como acionistas da XP”, ponderou Bracher. “Nós não conseguimos incluir as nossas operações da maneira como as negociamos”, disse o executivo, acrescentando que, mantidas as condições atuais, o preço para a compra da XP “é muito interessante”.

Perto de sair o comando do Itaú Unibanco, Bracher deixará para Milton Maluhy Filho, que assume o posto em 2 de fevereiro de 2021, a tarefa de conduzir a decisão sobre a preferência de compra de outros 11,5% da XP, o que só ocorreria em 2022, em linha com os termos acertados no acordo fechado em 2017.

Além dos planos para a sua participação na XP, o Itaú Unibanco divulgou o balanço referente ao terceiro trimestre. Entre julho e setembro, o banco registrou lucro de R$ 5,03 bilhões, queda de 29,7% sobre igual período, um ano antes.

No acumulado do ano, o lucro líquido recuou 37,6%, para R$ 13,15 bilhões. Na mesma base de comparação, a carteira de crédito atingiu R$ 625 bilhões, 17,4% superior ao volume registrado nos nove meses do ano passado.

Na teleconferência, Bracher ressaltou a retomada, em curso, da atividade econômica. “O PIB voltou muito rapidamente aos níveis pré-crise. A gente estima um crescimento de 9% do PIB no trimestre”, disse o executivo, lembrando que a retomada se dá em um momento no qual a relação entre a dívida pública e PIB saiu de 75,8% em 2019 para os atuais 92,5%.

Em um cenário de recessão, onde o PIB brasileiro deve encolher acima de 5% e taxa básica de juros está em 2% – um dos mais baixos patamares da história -, houve aumento de 14,3% na linha de crédito imobiliário, para R$ 51,3 bilhões, e de 19,9% na de veículos, para R$ 21,5 bilhões. Já a linha de cartões de crédito encolheu 7%, para R$ 77,5 bilhões.

A pandemia puxou o aumento de 36,9% na linha para micro, pequenas e médias empresas, que somou R$ 122,5 bilhões. Da mesma forma, os recursos avançaram 24,2% para as grandes empresas, para R$ 264,8 bilhões.

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