Solfácil capta R$ 500 milhões e quer ser o “Nubank” da energia solar

Inspirada na trajetória do Nubank, a fintech vai usar os recursos da rodada, liderada pelo QED Investors com a participação do Softbank, para acelerar a construção de seu ecossistema de energia solar

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Fabio Carrara, fundador e CEO da Solfácil

Fabio Carrara costuma citar o Nubank como uma referência para a Solfácil, startup fundada por ele em 2018. A fintech de David Vélez ganhou escala ao explorar as ineficiências dos grandes bancos. Primeiro, com cartões de crédito e, posteriormente, com um leque mais amplo de produtos financeiros.

A Solfácil também nasceu para atacar ineficiências, mas de outro segmento: o setor elétrico. E assim como aconteceu com sua fonte de inspiração, que abriu capital em 2021, em Nova York, a fintech de energia solar começa a diversificar seu portfólio para ocupar novas fronteiras em seu mercado.

Como parte desse plano, a startup anuncia nesta quarta-feira, 11 de maio, a captação de uma rodada série C de R$ 500 milhões (US$ 100 milhões), liderada pelo QED Investors. O fundo americano já havia encampado o aporte série B de R$ 160 milhões na operação, em junho de 2021.

A rodada marca ainda a entrada do Softbank no captable da startup, ao lado do fundo sueco VEF, um dos investidores da Creditas. O Valor Capital, que já investia na operação, também está acompanhando esse aporte.

“Eu gosto do paralelo com o Nubank, porque o Brasil não é a maior economia global, mas tem o maior banco digital do mundo”, afirma Carrara, ao NeoFeed. “O mesmo vale para o setor elétrico. Acredito que a maior startup de energia solar do mundo será brasileira. E nós somos candidatos a assumir esse posto.”

A Solfácil já tem alguns concorrentes globais a esse posto. Entre elas, a americana Aurora Solar, startup de softwares para o desenvolvimento de projetos na área, que alcançou o status de unicórnio ao captar uma rodada série C de US$ 250 milhões, em maio deste ano.

Carrara não revela o valuation da fintech com a nova rodada. Mas, além da evolução da operação, parte da sua convicção de que a Solfácil pode entrar nessa disputa vem do avanço da energia solar no País.

Dados da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar) mostram que, em 2021, o Brasil adicionou 5,7 GW de capacidade solar fotovoltaica, atrás apenas de China, Estados Unidos e Índia, e chegando uma potência total de 15 GW.

“Em termos de capacidade nova, considerando todas as matrizes, a energia solar foi a que mais cresceu no Brasil no ano passado”, afirma Carrara. “E é bem provável que, em poucos anos, o País se torne o segundo maior mercado do mundo, atrás apenas da China.”

De olho nessa perspectiva de aquecimento e, a partir do novo aporte, a Solfácil vai começar a acelerar algumas das iniciativas em curso para consolidar um ecossistema além do financiamento de projetos de energia solar.

Um dos pilares é o marketplace lançado pela empresa no quarto trimestre de 2021, que conecta os 8 mil integradores parceiros, responsáveis pelas instalações dos projetos, com mais de 5 mil combinações de kits solares, de mais de 30 sellers.

“Vamos seguir investindo na ativação desses parceiros e na digitalização de todas as etapas, entre elas, o acesso ao estoque dos sellers em tempo real”, observa Carrara. “A ideia é que esse integrador tenha sempre opções e garantia de preço e estoque, pra não gerar uma frustração do cliente na ponta.”

Outras duas frentes envolvem projetos antecipados por Carrara ao NeoFeed, em março deste ano. A primeira é uma solução de internet das coisas, que envolve hardware e softwares proprietários, para monitorar, remotamente, o funcionamento e o desempenho dos sistemas de energia solar.

Entre outros recursos, essa plataforma emite alertas caso o sistema de energia esteja produzindo aquém do ideal ou pare de funcionar. E vai permitir que uma série de ajustes nesses equipamentos seja feita remotamente.

Em testes por meio de projetos-pilotos, essa oferta será lançada oficialmente no segundo semestre. Para os integradores parceiros e clientes financiados pela fintech, a solução será concedida como um benefício. A Solfácil não descarta comercializar a solução para projetos financiados por concorrentes.

“A ideia é que, com o tempo, essa plataforma aberta evolua para ser o cérebro de uma série de equipamentos ao redor do sistema solar”, explica Carrara. “O que inclui inversores, baterias, carregadores de carros elétricos.”

A segunda área a ganhar velocidade é a oferta de seguros. No fim deste semestre, a Solfácil vai lançar opções de seguro de proteção financeira para os clientes, com coberturas para questões como perda de emprego ou invalidez.

Outra alternativa será um seguro de proteção do sistema de energia solar, no caso de problema com incêndios ou temporais. A viabilização desse portfólio está em fase de ajustes finais, o que inclui a definição dos parceiros que irão apoiar essas ofertas.

Antes de “oficializar” sua candidatura ao posto de maior startup de energia solar do mundo, a Solfácil quer consolidar sua posição no Brasil e buscar a liderança em financiamentos de projetos da área no País.

Hoje, segundo a consultoria Greener, a fintech, com R$ 1,2 bilhão na carteira e 40 mil clientes, entre pessoas físicas, pequenas empresas e produtores rurais, está atrás do Santander e do BV, que é um dos sócios do marketplace Meu Financiamento Solar.

Com a meta de fechar 2022 com uma carteira de R$ 3 bilhões e 100 mil clientes, a Solfácil está prestes a fechar uma captação de dívida com um grande investimento. Todo esse recurso será destinado aos financiamentos.

“Já estamos entre os três maiores financiadores do setor e queremos chegar à liderança em 2023”, afirma Carrara, que traça outra meta ambiciosa no longo prazo. “Em cinco anos, vamos chegar a 1 milhão de clientes.”

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