Speedbird Aero capta R$ 35 milhões e prepara voos mais ambiciosos

Única empresa autorizada pela Anac a realizar entregas com drones, a startup vai usar os recursos da rodada liderada pelo Bela Juju Ventures em uma fábrica e para escalar suas operações no País e no exterior

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A Speedbird Aero já tem contratos comerciais com empresas como iFood e BRF

Conhecida como a “capital do calçado”, Franca (SP) procura novas vocações após perder o passo para a concorrência chinesa. Nessa jornada, em 2018, a cidade foi o berço da Speedbird Aero, startup que busca fincar os pés em um mercado ainda nascente em todo o mundo: o uso de drones na logística.

Desde então, a empresa é um dos nomes que vêm desbravando esse espaço. E nesta terça-feira, 24 de maio, está ganhando um novo impulso para turbinar os seus planos, com a captação de um aporte série A de R$ 35 milhões, liderado pelo fundo americano Bela Juju Ventures.

A rodada, cuja negociação foi antecipada pelo NeoFeed em fevereiro deste ano, conta ainda com as brasileiras Domo Invest e Nau Capital. A dupla, ao lado da Anjos do Brasil, já havia participado do aporte seed de R$ 3,5 milhões na operação, em 2020.

“Pelo caráter disruptivo desse mercado, já sabíamos que levaria um tempo para captar mais recursos”, diz Manoel Coelho, cofundador e CEO da Speedbird Aero, ao NeoFeed. “Mas esse aporte está chegando no timing perfeito, sem pressa e sem atrasos.”

A rodada chega, de fato, em um bom momento. Em janeiro deste ano, o drone DLV-1, da Speedbird, foi a primeira aeronave não tripulada a receber a certificação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para operações de entregas em caráter comercial. A aeronave pode transportar até 3 kg em um percurso de 3 quilômetros.

Esse foi o passaporte para que a empresa pudesse assinar seus primeiros contratos comerciais. Para obter a certificação, a startup cumpriu uma extensa agenda de testes desde meados de 2020. Nesse intervalo, qualquer projeto só podia ser caracterizado como uma parceria de P&D.

“A Speedbird tem um time fora da curva que está criando um novo mercado, a quatro mãos, com a Anac”, afirma Mario Letelier, sócio e gestor do fundo anjo da Domo Invest. “E esse unit economics do P&D para o escalável foi uma belíssima passagem de validação.”

A startup tem um modelo verticalizado, no qual projeta, desenvolve e opera os drones e seus sistemas embarcados. Com o sinal verde para ganhar escala comercial, uma das principais aplicações do aporte vai acrescentar um componente a essa proposta para consolidar o seu ecossistema.

A Speedbird está montando uma fábrica em um espaço de 2 mil metros quadrados em Franca. Com a entrada das operações em fases, a unidade também contará com um centro de manutenção avançado, um centro de treinamento de piloto e testes, e um centro de controle das operações.

“Vamos aplicar muita inteligência artificial e big data para controlar todas as operações envolvendo nossos drones”, diz Coelho. “Com isso, será possível entender, por exemplo, a economia por quilômetro e peso voado, o que vai nos ajudar a gerar mais negócios.”

Samuel Salomão (à esq.) e Manoel Coelho, os fundadores da Speedbird Aero, e o modelo DLV2

A linha de produção está prevista para iniciar suas montagens em junho. A ideia é fabricar de três a quatro drones por mês e escalar, gradativamente, esse volume de acordo com os projetos fechados pela empresa.

“Nossa projeção é ter 40 DLVs em operação nos próximos 12 meses”, observa Coelho. “Já temos três deles operando e, até o fim desse mês, teremos mais dois em ação.”

Essa agenda inclui oito contratos que a empresa já tem assinados. O mais avançado e que foi a base para a certificação da Anac envolve o iFood. Depois de Campinas (SP), o uso de drones em parte dos trajetos de entrega do aplicativo está sendo testado em Aracaju (SE) e outras capitais.

Há outros projetos em testes e prontos para decolar. Entre eles, um com a BRF, para o transporte de sêmen de suínos. Ao mesmo tempo, a Speedbird já trabalha em caráter experimental junto à Anac para obter a certificação comercial de outros dois modelos, a partir de seis parcerias.

O primeiro é o DLV2, com capacidade transportar até 8 kg, em até 10 quilômetros, considerando ida e volta. Com a previsão de obter a certificação comercial até o fim do ano, o modelo já tem testes, por exemplo, com o laboratório Hermes Pardini, para o transporte de vacinas, amostras biológicas e materiais coletados em exames.

O segundo modelo é o DLV 4, aeronave de pouso e decolagem vertical, o primeiro da Speedbird voltado a longas distâncias. O equipamento tem capacidade de transportar 5 kg de carga, com 100 quilômetros de alcance, a 100 km/h. A Natura é uma das empresas com testes programados com essa aeronave.

Outro destino do aporte é a ampliação do time da startup. Até o fim do ano, a estimativa é sair do quadro atual de 45 funcionários para mais de 100 profissionais, entre operadores de voo e equipes das áreas de suporte, engenharia, fabricação, software, manutenção, vendas e marketing.

A Speedbird já testa com o Hermes Pardini o transporte de vacinas, amostras biológicas e materiais coletados em exames

Essa expansão também inclui as primeiras escalas internacionais. A Speedbird já está negociando a oferta de seus drones e sistemas embarcados, atrelados a um pacote de treinamento e manutenção, em quatro países: Argentina, Colômbia, Peru e Panamá.

Em paralelo, a startup é uma das participantes – a única estrangeira – do National Drone Delivery Network Program, projeto de Israel para a integração de drones no espaço aéreo. A presença na iniciativa visa, no médio prazo, credenciar a entrada da companhia no mercado americano.

“Esse é o primeiro projeto no mundo de integração de drones no espaço aéreo”, explica Coelho. “O mercado americano vê a tecnologia de Israel com bons olhos e essa iniciativa nos coloca entre as principais empresas do setor no mercado global.”

Com a projeção de movimentar US$ 63,6 bilhões em 2025, segundo a consultoria Insider Intelligence, e com boa parte dessa cifra relacionada à aplicação em entregas, o mercado de drones já está atraindo outras empresas e investidores, especialmente nos Estados Unidos.

Quem mais captou recursos foi a americana Zipline, que já levantou US$ 491 milhões junto a investidores como Temasek e Katalyst Ventures. Outro caso no país é a Matternet, que atraiu fundos como Andreessen Horowitz e Boeing HorizonX, e arrecadou US$ 31,1 milhões.

Um terceiro exemplo que também está buscando se posicionar nesse novo espaço é a Wing, empresa da Alphabet, holding que controla o Google. Assim como a DroneUp recebeu um aporte do Walmart, em 2021, e opera as entregas da varejista em estados americanos como Texas, Flórida, Utah e Arkansas.

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