Para decolar com seus drones, Speedbird Aero prepara captação de R$ 35 milhões

Única empresa autorizada pela Anac a realizar entregas usando aeronaves não-tripuladas no País, a startup está finalizando a captação de uma rodada série A e planeja ter 250 drones em operação em 2023

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Manoel Coelho, cofundador e CEO da Speedbird Aero

Este será o ano de consolidação para o transporte de cargas por drones no Brasil. Pelo menos, no que depender a Speedbird Aero, única empresa autorizada pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) a operar as aeronaves remotas em caráter comercial. E com um novo aporte prestes a ser anunciado, a startup brasileira deverá alçar voos mais altos.

Conforme apurou o NeoFeed, com exclusividade, a Speedbird está realizando uma captação de Série A no valor de R$ 35 milhões. A injeção de capital é liderada pela BJV Ventures, fundo que já havia participado de uma rodada seed de R$ 3 milhões da empresa, em 2020, ao lado de investidores como Anjos do Brasil e Domo Invest.

“Estamos finalizando o processo de diligência com os investidores. Vamos usar o dinheiro para acelerar a construção de novos drones”, afirma Manoel Coelho, cofundador e CEO da Speedbird, ao NeoFeed. O plano é ter 50 aeronaves no ar ainda neste ano e 250 em operação em 2023.

Esse crescimento representa um impulso considerável para a operação da startup que tem sede em Franca, no interior de São Paulo. Por enquanto a empresa tem apenas um drone trabalhando comercialmente.

A aeronave em questão está em operação com o iFood, em Aracaju, e já havia sido utilizada em Campinas. Na capital sergipana, o uso do drone permite economizar até 50 minutos do tempo de entrega dos pedidos porque atravessa pelo céu um trecho que, por terra, obriga os entregadores a cruzarem uma ponte, geralmente congestionada.

O drone usado pelo iFood é o único modelo certificado pela empresa para operar comercialmente. Compacto, o modelo faz trechos de até 3 km de distância e transporta cargas que pesam até 2,5 kg.

Outros modelos já estão em fase de testes – mas com protótipos. Há uma aeronave com capacidade para voar até 20 km no total (10 km por trecho) levando 8 kg de carga e outra, mais robusta, capaz de realizar trechos de até 50 km.

Ainda não há uma previsão de quando esses dois modelos poderão operar comercialmente. Em geral, os testes levam cerca de um ano para serem concluídos. Assim, as 50 aeronaves que serão produzidas neste ano são do modelo mais compacto.

O objetivo da Speedbird com a produção em massa é ampliar o número de praças atendidas pelo iFood pelo ar. É importante destacar que a entrega por drone não é feita diretamente para os consumidores, mas para os entregadores, que então fazem o último trajeto até os clientes.

“Fornecemos a infraestrutura, identificamos as rotas que o drone vai percorrer e disponibilizamos o equipamento que fará o caminho mais complexo”, diz Coelho.

Além do aplicativo de entrega de refeições, outras empresas também devem ficar com parte dos drones que irã voar neste ano. Na fila, estão o laboratório Hermes Pardini e a fabricante de bebidas Ambev. Outras gigantes como BRF e Natura também já demonstraram a intenção de usar os drones da Speedbird em suas operações.

A Speedbird é responsável pela produção e pelo gerenciamento dos drones. As aeronaves são controladas por profissionais da empresa. Para ganhar dinheiro, a companhia firma contratos de serviço em que passa a realizar as entregas para clientes como o iFood.

“Da assinatura do contrato até o drone estar no ar leva um tempo de implementação que varia de 45 a 90 dias. Depende da localidade”, diz Coelho. Segundo o executivo, a startup está negociando com outras duas empresas, além das já citadas, para novos contratos comerciais.

A Speedbird também pretende usar parte do investimento que será captado para ampliar sua operação com a abertura de 120 vagas ainda neste ano, o que vai quintuplicar a força de trabalho atual e permitir que a startup chegue a mais estados, como o Rio de Janeiro.

No radar também está o plano de expandir internacionalmente. O destino inicial é inusitado. Não se trata de um vizinho latino-americano, como na maior parte das expansões de startups brasileiras. O plano é consolidar uma operação que está em fase de testes em Israel.

“Israel tem um sistema de tráfego aéreo não-tripulado já implementado pelo governo, algo que não existe no Brasil ainda”, diz Coelho. “Estamos indo lá para aprender como eles estão fazendo o controle do espaço aéreo, ao mesmo tempo em que levamos a tecnologia de delivery por drone.”

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