TIM sai a "caça" dos próximos unicórnios brasileiros (e quer uma fatia de até 30%)

A TIM já tem uma parceria com o banco digital C6 Bank. Agora, a empresa de telefonia quer buscar novos acordos com startups que envolvam uma parte da remuneração em dinheiro e a outra através de participação acionária

0
58
Leia em 3 min

Pietro Labriola, CEO da TIM

A TIM já tem uma participação de 1,4% no banco digital C6 Bank, em uma parceria que inclui oferta de serviços de telefonia e financeiros.

Mas isso parece pouco para às ambições da empresa de telefonia de origem italiana. A TIM anunciou, nesta segunda-feira, 1º de março, que vai sair à “caça” dos próximos unicórnios brasileiros, empresas iniciantes que são avaliadas em mais de US$ 1 bilhão.

A ideia é fazer parcerias para acelerar startups das áreas de finanças, saúde, entretenimento e educação. Como contrapartida, a TIM quer ficar com uma fatia das empresas, que pode variar de 10% a 30% do capital da empresa.

“Queremos ser um acelerador (dessas empresas) com nossa área comercial e nossa marca”, afirmou Pietro Labriola, CEO da TIM, durante o TIM Day, evento que apresentou seu planejamento estratégico para o período de 2021 a 2023. “E uma parte da remuneração pode ser em uma lógica parecida com um fundo de private equity, ganhando um pedaço de ações.”

A estratégia da TIM Brasil é usar sua base de clientes, que é superior a 50 milhões de pessoas, para ofertar serviços das startups das quatro áreas citadas aos consumidores. Com isso, a operadora de telefonia acredita que pode contribuir com um percentual que pode variar de 25% a 50% das vendas das companhias.

O plano da TIM é receber uma receita por conta do incremento das vendas que gerar a partir de seu canal comercial – não foi detalhado como seria essa remuneração. A outra parte, segundo a estratégia, é ficar com uma fatia da startup. “Queremos gerar valor para nós e para as startups”, diz Renato Ciuchini, vice-presidente e chefe de estratégia e transformação da TIM.

A TIM escolheu as áreas de fintech, healthtech, edtech e entretenimento porque acredita que são aquelas nas quais há mais sinergia e potencial de desenvolvimento comercial.

Em relação às fintechs, a TIM diz que boa parte de sua base é desbancarizada e que a operadora pode contribuir com meios de pagamentos, além da oferta de serviços de crédito. “Hoje, 45% da nossa base tem crédito pré-aprovado”, afirma Ciuchini.

No caso de edtechs, a TIM acredita que 4 milhões de alunos devem estar assistindo a aulas online até 2025. Além disso, a pandemia do novo coronavírus acelerou essa tendência.

Em relação às healthtechs, o uso de da inteligência artificial e de big data permite a criação de planos de saúde com custos mais baixos.

Na área de entretenimento, a TIM já tem parcerias com grandes players globais, como Netflix, HBO e YoutTube Premium. Mas acredita que pode haver ainda oportunidades fora dessas empresas internacionais. “Há uma grande mudança nessa área”, afirma Ciuchini.

Investimentos

A TIM anunciou investimentos de R$ 13,5 bilhões para o período de 2021 a 2023. A operadora de telefonia disse também que espera a conclusão do acordo com os ativos da Oi Móvel até o fim deste ano, que depende do aval da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

A operação de telefonia móvel da Oi foi comprada por TIM, Claro e Vivo por R$ 16,5 bilhões, em dezembro do ano passado. A TIM vai ficar com a maior fatia de clientes, aproximadamente 14 milhões. A migração desses consumidores deve acontecer ao longo de 2022.

Outro negócio da TIM é venda de seu ativo de fibra óptica para um parceiro estratégico. A companhia disse que tem quatro ofertas na mesa e deve anunciar em breve um negociação exclusiva com algumas das empresas.

Leia também