Todos estão preocupados com a inflação nos EUA. Menos Ben Bernanke

Para o ex-presidente do Fed, fatores como a reabertura da economia e a volta dos preços aos patamares pré-pandemia em determinados segmentos estão pesando para criar uma pressão inflacionária nos Estados Unidos. Mas, em sua visão, ela perderá força em 2022

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O economista americano e ex-presidente do Federal Reserve, Ben S. Bernanke

Aos 67 anos, Ben S. Bernanke ostenta diversas passagens em sua carreira que justificam toda a atenção que ele atrai quando o assunto é economia. Mas apenas uma dessas passagens já explicaria sua fama: entre 2006 e 2014, ele esteve à frente do Federal Reserve (Fed), o banco central americano. E, no comando da maior autoridade financeira do mundo, enfrentou a grande crise de 2008.

Com essas credenciais, o americano participou na noite desta quarta-feira da Expert XP, o evento de investimentos da XP. O principal tema abordado foi a inflação nos Estados Unidos, um dos assuntos no topo das preocupações de economistas e investidores, que atingiu 5,3% em 12 meses em julho. Bernanke tratou, porém, de acalmar os ânimos.

“A inflação está, de fato, mais alta do que o esperado”, reconheceu o economista. “Há muitas incertezas ainda, mas, na minha visão, é mais provável que ela seja moderada no próximo ano, na faixa de 2,5%. E temos muitos motivos para acreditar nisso.”

Bernanke citou alguns desses fatores para justificar sua projeção. No primeiro deles, ele relacionou parte da pressão nos índices ao processo de reabertura da economia, à medida que as taxas de vacinação avançam.

“Muitos preços foram reduzidos no início da pandemia, como as taxas de hotel, e agora estão subindo aos níveis normais”, afirmou. “Isso não é inflação. É efeito base. Então, muito do que estamos vendo é influência de algumas categorias específicas.”

Nessa linha, o ex-presidente do Fed também ressaltou a elevação nos preços dos carros usados, em virtude da falta de chips e componentes para a produção de veículos novos.

O economista americano também rechaçou os argumentos de que a série de pacotes fiscais anunciados pelos Estados Unidos contribuiriam para ampliar essa pressão inflacionária.

“Estamos falando de programas de infraestrutura e que acontecerão nos próximos dez anos”, afirmou Bernanke. “Em 2022, devemos ter realmente uma desaceleração nos gastos, que vai reduzir um pouco dessa pressão.”

O ex-presidente do Fed também mencionou o preço das commodities, que passaram por um aumento substancial há alguns meses. Mas destacou o fato de que agora esses índices começam a mostrar mais estabilidade.

Mesmo com a expectativa de uma inflação mais moderada, Bernanke não deixou de apontar alguns riscos no horizonte. Além do provável aumento no preço dos aluguéis, no setor imobiliário, ele citou os problemas na cadeia de suprimentos de chips como um dos principais sinais de alerta.

“Se essa situação persistir por muito tempo, de fato criará problemas de precificação”, disse o ex-presidente do Fed.

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