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Startups

Travis Kalanick pode cruzar, de novo, o caminho da Uber

Dois anos depois da saída polêmica da Uber, o empreendedor coloca suas fichas na CloudKitchens, novata que é uma espécie de WeWork das cozinhas compartilhadas

 

Travis Kalanick, ex-CEO da Uber, e sócio da CloudKitchens

Cofundador da Uber, Travis Kalanick deixou a empresa em junho de 2017. A saída, nada amigável, veio sob forte pressão de um grupo de investidores. E aconteceu em meio a uma série de polêmicas na operação, entre elas, denúncias de assédio sexual.

Passados pouco mais de dois anos, Kalanick está de volta. E nesse novo roteiro, ele pode cruzar, ironicamente, o caminho de sua antiga empresa.

Batizada de CloudKitchens, a nova empreitada vem na esteira do montante de US$ 1,4 bilhão que o empreendedor embolsou com a venda de ações do Uber. Ele assumiu o comando da startup ao comprar uma participação majoritária da City Storage Systems, controladora da novata, por US$ 150 milhões. E para pessoas próximas, já afirmou que o negócio pode ser avaliado em US$ 2,5 bilhões.

Fundada em 2015, por Sky Dayton e Diego Berdakin, amigo de Kalanick, a Cloud Systems investe no conceito conhecido como dark kitchen, que vem ganhando escala em mercados como Estados Unidos e China.

Na prática, o modelo funciona como uma espécie de WeWork de cozinhas compartilhadas. E é voltado a chefs, cozinheiros e mesmo restaurantes dispostos a atender especificamente a demanda gerada por aplicativos de delivery de comida, como o Uber Eats. Sem que, para isso, tenham que investir grandes quantias.

As empresas por trás das dark kitchens compram ou alugam imóveis em bairros de preço mais acessível e, em boa parte das vezes, mais próximos dos consumidores. E fazem a intermediação dos menus e ofertas com os aplicativos de entrega.

À frente da CloudKitchens, Kalanick vem mostrando cada vez mais apetite por esse formato. Segundo o site americano The Information, ele passou os últimos 18 meses comprando ou locando imóveis em diversas cidades dos Estados Unidos e também em Londres, China, Índia e Coréia do Sul, entre outros países.

A primeira estrutura foi instalada em Los Angeles. Outras unidades estão em operação ou em fase de lançamento em cidades americanas como Nova York e São Francisco. A carteira já envolve clientes como a rede americana Sweetgreen. E, até o fim do ano, a meta é chegar a, no mínimo, 200 cozinhas.

Para compor parte do time de cerca de 300 funcionários, Kalanick contratou profissionais da Tesla e também executivos sêniores da própria Uber, o que alimentou novas tensões com a companhia.

Concorrência

A CloudKitchens não está, no entanto, sozinha no segmento. Investidores que ajudaram a impulsionar a Uber também estão apoiando empresas que investem nessa área. É o caso das gestoras Tiger Global, com a chinesa Panda Selected, e Coatue, com a Rebel Foods, da Índia.

A própria Uber chegou a testar o modelo e estaria avaliando a entrada no negócio de cozinhas compartilhadas.

O pano de fundo para o crescimento do interesse por essa vertente é o avanço do mercado de delivery, que já movimenta, globalmente, € 83 bilhões

O pano de fundo para o crescimento do interesse por essa vertente é o avanço do mercado de delivery, que já movimenta, globalmente, € 83 bilhões segundo a consultoria McKinsey. A empresa prevê um crescimento anual de 3,5% para esse mercado nos próximos cinco anos.

Sob esse contexto, a CloudKitchens já encontra algumas barreiras. Recentemente, a empresa registrou queixas em Cingapura, alegando que aplicativos de entrega como Deliveroo e GrabFood estão barrando as vendas de restaurantes que usem as estruturas da startup. Detalhe: o Deliveroo já opera sua própria dark kitchen e o GrabFood também avalia uma operação nesses moldes.

Diante dessa corrida, o plano de Kalanick é adicionar outros serviços ao pacote. Entre eles, atuar como intermediário dos restaurantes com os fornecedores de ingredientes.

Demitido

Assim como o WeWork certamente foi um dos modelos que influenciaram a CloudKitchens, a nova guinada de Kavanick pode servir de inspiração para Adam Neumann, o cofundador da startup de escritórios compartilhados.

Adam Neumann, ex-CEO da WeWork

Neumann foi demitido nesta semana do posto de CEO da WeWork. Em uma trajetória semelhante à saída de Kalanick do Uber, o empreendedor foi, na prática, obrigado a abandonar o posto sob a pressão de investidores, entre eles, o japonês Softbank.

Problemas na governança, uma série de empréstimos duvidosos e outras questões concorreram para a decisão. E foram também o motivo para que a empresa engavetasse sua iminente abertura de capital, depois de ver sua avaliação cair de US$ 47 bilhões para cerca de US$ 15 bilhões.

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