Admirável sexo novo: com humor, série explora o amor nos tempos da tecnologia

Com uma visão distópica ao estilo de Black Mirror, a comédia televisiva da HBO Max, que chega ao Brasil em junho, apresenta um bilionário que implanta um chip no cérebro da esposa para descobrir o que ela pensa e aborda temas atuais, como segurança e privacidade de dados online

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A atriz Cristin Milioti vive Hazel Green e o ator Billy Magnussen interpreta o bilionário Byron Gogol

Empresário do mundo da tecnologia implanta chip no cérebro da esposa para rastrear a sua localização, ler os seus pensamentos e coletar os seus dados emocionais. O dispositivo de monitoramento que promete eventualmente “sintonizar os casais”, ao fundir as duas consciências, foi batizado pelo seu criador de “Made for Love” (Feito para o Amor).

“A tecnologia melhorou o modo como vivemos. Por que não melhorar o modo como amamos?”, pergunta o personagem Byron Gogol, o inventor bilionário da série Made for Love. A sátira de ficção científica é uma das novas atrações da HBO Max, que chega ao Brasil e à América Latina em junho.

A proposta aqui é especular como os avanços tecnológicos poderão influenciar os relacionamentos amorosos no futuro. O que a diferencia de outras séries que também exploram a temática, como Black Mirror (Netflix), Soulmates (Amazon Prime Video) e a terceira temporada de The Girlfriend Experience” (Starzplay), é a pegada humorística, apesar de Made for Love apresentar também uma sociedade distópica.

Por mais que o bilionário tente vender o dispositivo revolucionário como algo desenvolvido “em nome do amor”, a proposta soa perturbadora. Até porque, ao fazer o teste, ele coloca o chip no cérebro da mulher sem o conhecimento da mesma, o que remete a questões atuais, como segurança e privacidade de dados online.

Para abraçar o personagem, que propõe “corações, mentes, identidades e segredos combinados”, o ator Billy Magnussen procurou se espelhar em figuras poderosas do mundo da tecnologia e da inovação. “Eu não classificaria Elon Musk (Tesla e SpaceX), Steve Jobs (Apple) e Jeff Bezos (Amazon) como diabólicos, necessariamente”, disse Magnussen.

Mas ele imagina que ter muito dinheiro possa resultar em algo estranho. “Musk, por exemplo, é cara muito excêntrico”, afirmou o ator, durante painel virtual de “Made For Love”, organizado pelo SXSW, o festival South by Southwest, que teve cobertura do NeoFeed. “Passei a seguir Musk no Twitter e a acompanhá-lo em suas entrevistas em busca de inspiração”, completou Magnussen.

Mais conhecido pela Tesla, de carros elétricos, e pela SpaceX, dedicada a viagens espaciais, Musk também tem projeto de conectar o homem com as máquinas. E isso significa justamente implantar um chip no cérebro humano, um projeto que está em desenvolvimento na Neuralink, fundada por ele, na Califórnia, em 2016.

O próprio Musk anunciou, em fevereiro deste ano, pelo Twitter, que a empresa deve começar a fazer implantes neurais em humanos até o fim do ano. Até o momento foram feitos testes com animais, como um macaco de nove anos que foi capaz de jogar videogame com o pensamento.

“Eu gostaria de ter internet até nos meus olhos. Faria qualquer coisa para que o meu corpo tivesse algum tipo de upgrade, por mais que isso pareça repugnante”, disse a escritora Alissa Nutting, que também participou do painel. Ela é a autora do livro Made For Love, lançado em 2017, no qual a série da HBO Max é baseada.

Apesar do tom da obra, muitas vezes assustador, Alissa não escreveu a trama de ficção científica para fazer alarme. “O quanto uma pessoa precisa de privacidade, assim como o quanto ela quer de estimulação tecnológica e artificial em sua vida, é uma questão individual. É algo que cada um de nós deve observar”, afirmou a escritora.

Made for Love estreia em junho no Brasil

Alissa preferiu recorrer ao humor, muitas vezes negro, para vislumbrar os rumos mais escabrosos que o amor pode tomar no futuro. A linha foi seguida também pela adaptação televisiva, que contou com a própria escritora no time de roteiristas da série, composta de oito episódios.

A esposa Hazel Green (vivida por Cristin Milioti) é obrigada a fazer avaliações de qualidade, usando estrelas, de todas as suas experiências diárias. Até seus orgasmos matinais passam por cotação, que é feita por um aplicativo instalado no sistema operacional da mansão dos Gogol – um sobrenome que, não por acaso, soa como Google, em inglês.

Há mais de uma década, Hazel vive isolada do resto do mundo, trancada em uma residência majestosa criada com hologramas programados pelo marido, o que inclui um golfinho nadando na piscina. Lá, todos os seus movimentos e sinais vitais são monitorados atentamente pelo bilionário.

Hazel só decide dar um basta, fugindo da prisão de luxo, quando é forçada a participar da “primeira fusão mental humana”, sintonizando o seu cérebro com o dele. “Uma das ideias mais aterrorizantes para mim é imaginar alguém vendo o mundo com os meus olhos”, brincou a atriz Cristin Milioti, durante o painel.

Para Christina Lee, uma das criadoras da série, em parceria com Alissa, Made For Love vai deixar algumas questões no ar. “O que vemos aqui são muitos atalhos para a conexão entre as pessoas. Queremos que o público questione se esses caminhos mais curtos são realmente melhores. Ou será que estamos perdendo algo que é essencial para nossa felicidade, ao tomarmos esses atalhos tecnológicos?”, perguntou ela.

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