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Negócios

A concorrência chegou para a Ambev. Vai durar?

Queda de vendas no Brasil acende o alerta dos investidores, que veem se intensificar o aumento da competição com a holandesa Heineken

 

Algumas das marcas de cerveja da Ambev

Poucas empresas no Brasil tinham uma situação tão cômoda quanto a cervejaria Ambev, dona das marcas Skol, Brahma, Antarctica e Bohemia.

Com uma participação de mercado superior a 60% no Brasil, a empresa conseguia repassar aumentos de preços aos consumidores sem grandes impactos a sua operação.

Mas os resultados do terceiro trimestre de 2019 colocaram água no chope da Ambev. É que enquanto o volume de venda de cervejas no Brasil caiu 2,8% no trimestre, a indústria teve um crescimento de um dígito baixo, de acordo com a Nielsen.

Não precisa ser um estudioso em matemática para entender o que isso significa: a Ambev perdeu mercado no terceiro trimestre.

Nesta sexta-feira, 25 de outubro, durante a teleconferência para a apresentação de resultados, o presidente da Ambev, Bernardo Paiva, foi bombardeado sobre o assunto. Quase todos os analistas perguntaram sobre o aumento do ambiente competitivo no mercado brasileiro.

“Nós perdemos participação de mercado no terceiro trimestre, mas ainda temos ganho de participação no acumulado do ano”, respondeu Paiva, pacientemente a todas as questões. “Os custos de produção subiram muito e as empresas estão operando com margens pressionadas. Os concorrentes ganham mercado a custo de perda nas margens. Isso não é sustentável por muito tempo. É uma estratégia que não funciona no longo prazo.”

Paiva disse também que a Ambev não vai entrar na guerra de preços dos concorrentes. “Nosso portfólio é muito resiliente. Estou muito confiante em relação ao nosso portfólio e à nossa estratégia no Brasil”, afirmou o executivo.

A Ambev não vai entrar na guerra de preços dos concorrentes

O papel da companhia, na B3, chegou a cair quase 8% ao longo da manhã. Depois da fala de Paiva, houve uma desaceleração. Por volta das 15h30, as ações ainda se desvalorizavam 6,7%. Mas, no fim do pregão, os papeis fecharam com uma queda de 8,29%, um tombo de mais R$ 20 bilhões no valor de mercado da companhia.

A perda de participação de mercado não foi o único dado ruim do balanço. O lucro de R$ 2,49 bilhões foi 11,6% menor, se comparado ao mesmo período do ano passado. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) também caiu 3,9%, para R$ 4,41 bilhões.

Não bastasse isso, a Ambev alertou que os desafios do ambiente macroeconômico geraram impacto no desempenho da companhia durante o trimestre e podem inibir a capacidade de a empresa acelerar o crescimento do Ebitda no quarto trimestre de 2019.

Em relatório, o BTG Pactual se mostrou cético na capacidade de a Ambev aumentar preços sem sacrificar volumes. Pior: os analistas Thiago Duarte e Henrique Brustolin não veem uma retomada no curto prazo.

O JP Morgan, por sua vez, citou a falta de visibilidade futura para os resultados da Ambev e manteve sua recomendação neutra para os papeis da companhia.

A Ambev começou a elevar seus preços em julho, segundo analistas do Bank of America Merrill Lynch. A Heineken não acompanhou o movimento até setembro. “Apesar disso, a Heineken segue uma competidora racional”, escreveram os analistas.

No mesmo dia em que a Ambev anunciava resultados ruins, a Heineken divulgava um investimento de quase R$ 1 bilhão para duplicar a capacidade de produção de suas fábricas de Itu, Araraquara e Jacareí, em São Paulo, Alagoinhas (BA) e Ponta Grossa (PR).

O Brasil, neste trimestre, passou os Estados Unidos e se tornou o maior consumidor de cerveja Heineken do mundo. No ano passado, estava atrás de EUA, França e Holanda.

Ao que tudo indica, a concorrência vai se acirrar para a Ambev no mercado brasileiro. Mas será que vai durar?

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