A grande aposta – e compra – da Stefanini em serviços financeiros

A Topaz, empresa de soluções financeiras da Stefanini, compra a americana COBIS, focada em core bancário. Trata-se da segunda maior aquisição da história do grupo fundado por Marco Stefanini

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Marco Stefanini, fundador e CEO da Stefanini

No ano passado, Marco Stefanini, fundador e CEO global do Grupo Stefanini, anunciou que investiria R$ 500 milhões em aquisições entre 2021 e 2024. Depois de vários M&As no ano passado e de uma nova compra agora em 2022, mais de 80% desse montante já foi desembolsado – e, segundo ele, vem muito mais por aí.

“Estamos olhando para empresas mais maduras, que alavanquem nossos negócios mais rápido”, diz Stefanini, com exclusividade ao NeoFeed. Uma delas acaba de ser incorporada pela Topaz, a marca de soluções financeiras do grupo Stefanini.

A companhia anuncia hoje a aquisição da COBIS, empresa sediada nos Estados Unidos, com forte presença na América Latina. Com 600 funcionários, a companhia fornece soluções de core bancário e é uma das líderes em países como Argentina, Colômbia e Equador.

O valor do negócio não foi revelado, mas trata-se da segunda maior aquisição da história do grupo, que já fez mais de 30 M&As desde a sua fundação em 1987 – só perde para a compra da também americana Tech Team, realizada pela Stefanini em 2010.

O negócio reforça a atuação da Topaz no mercado financeiro. Afinal, a empresa do grupo Stefanini vem fazendo seguidas aquisições nos últimos anos. Em dezembro de 2020, por exemplo, comprou duas verticais da Diebold Nixdorf, uma de prevenção de fraudes online e outra de automação bancária.

Em julho passado, a Topaz adquiriu 60% do Grupo CRK, que desenvolve softwares para tesouraria de bancos, como sistemas de renda fixa, derivativos, bolsa, fundos de investimentos, entre outros. “A área financeira é uma das que mais têm crescido dentro do grupo”, diz Stefanini.

É natural que isso esteja acontecendo, sobretudo por conta da revolução que tem tomado conta do mercado financeiro. Fintechs estão surgindo, empresas de outros setores querendo virar “banco” e os bancos tradicionais estão acompanhando esse movimento.

Mais do que isso: novas regulações e sistemas como o PIX, do BC exigiram investimentos por parte das instituições financeiras. “É um dos maiores custos que a gente tem”, diz ao NeoFeed o executivo de um banco digital.

Nos últimos cinco anos, diz ele, a infraestrutura tecnológica e o core bancário consumiram mais de R$ 1 bilhão. E prossegue. “Tudo tem que ser customizado para o banco e para atender aos requisitos regulatórios.”

O que a COBIS faz é montar toda a estrutura bancária, desde a conta corrente, sistema de empréstimos, sistema de câmbio e o core bancário. Entre seus clientes estão os bancos Macro, na Argentina; Davivienda, na Colômbia; BanEcuador, no Equador; Terrabank, nos EUA; Santander, no México; Global Bank, no Panamá.

“A Topaz também faz isso e tem outras soluções. O que a compra da COBIS nos traz é mais ganho de escala”, diz Stefanini. A aquisição deve fazer a receita da vertical financeira crescer cerca de 70% e o número de clientes da Topaz, hoje em 189, chegar a 250 na região latino-americana.

No Brasil, a Topaz fornece serviços de core bancário para companhias como o PagBank, da PagSeguro; o Sicredi; a Midway, da Riachuelo; o Banco Carrefour, e outros. Na parte de segurança, está em praticamente todas as instituições financeiras.

A Stefanini sabe que precisa se fortalecer diante da concorrência, que tem ficado cada vez mais acirrada. Uma das gigantes desse mercado, a Fiserv, tem trazido cada vez mais produtos ao País. Outros players como Matera também têm se movimentado com força e a Totvs, outra gigante da tecnologia, aos poucos está entrando no segmento depois de criar a Dimensa, uma joint-venture com a B3.

Os próximos passos da Stefanini, que está bem posicionada na América Latina, envolvem levar a Topaz para o mercado americano. “A COBIS ainda é tímida nos EUA, mas o plano é começar a ganhar mercado no país”, diz Stefanini. O mercado europeu, onde a Stefanini tem capilaridade, também está nos planos.

Além de dar escala ao grupo, a compra deixa a operação mais robusta para um possível IPO. Stefanini já disse em outras ocasiões que pretende abrir o capital do grupo, dono de um faturamento de R$ 5 bilhões em 2021, e avalia separar a Topaz e levá-la à bolsa de forma independente.

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