Na Dimensa, só falta o sinal verde para o início de uma onda de M&As

Em entrevista ao NeoFeed, Denis Piovezan, CEO da nova companhia formada pela joint-venture entre Totvs e B3, diz que já tem alvos mapeados para sair às compras

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Denis Piovezan é o CEO da nova empresa de Totvs e B3

Em meados de julho, a Totvs pegou o mercado de surpresa ao anunciar a criação de uma nova empresa em sociedade com a B3. Batizada de Dimensa, ela nasceu a partir da Totvs Financial Services (TFS), sua divisão de infraestrutura para o mercado financeiro.

E veio ao mercado com o bolso recheado por um cheque de R$ 600 milhões da B3, que terá 37,5% da companhia. Ainda falta, é verdade, o sinal verde do Cade e da CVM para que a empresa comece a operar no formato acordado entre Totvs e B3, mas seu managemant já está a mil por hora.

O CEO da Dimensa, Denis Piovezan, um tarimbado executivo que passou por Linx, Walmart, Banco Ibi e Losango, está fechando os nomes de alguns executivos que vão comandar postos-chave e, ao mesmo tempo, prospectando oportunidades no mercado. “Vamos deixar a empresa pronta para ser independente e abrir o capital em um curto espaço de tempo”, diz Piovezan ao NeoFeed.

“Estamos com targets mapeados e temos um time de M&A já olhando e conversando com esses targets. O foco é agregar aos nossos produtos e serviços, com foco em crescimento”, diz o executivo. O foco está em empresas B2B para a indústria de serviços financeiros.

Em sua primeira entrevista desde que foi anunciado como CEO da companhia, Piovezan explica como pretende ganhar mercado e fazer a nova empresa encorpar seus números, diz como será a governança da Dimensa e conta como está preparando a companhia para funcionar ao lado da B3.

Acompanhe os principais trechos da entrevista:

Por que você resolveu ir para a Dimensa?
Foram dois fatores preponderantes. Primeiro, estar associado a empresas que dispensam apresentações: a Totvs, que é líder de mercado no setor de tecnologia brasileiro, e a B3, que é uma gigante do mercado, que tem um diferencial muito grande. Segundo, as duas empresas têm um management muito eficiente. Quando você fala com o Dennis (Dennis Herszkowicz, CEO da Totvs) e com o Gilson (Gilson Finkelsztain, CEO da B3) você está conversando com dois executivos espetaculares de grande competência. Então foi uma decisão fácil vir para cá, para ter a oportunidade de construir algo com uma perspectiva de muito crescimento no curto prazo.

Mas, se tinha esse potencial, por que a Totvs se juntou à B3?
A Totvs tinha dentro de casa, mas conseguiu perceber que, fazendo esse carve-out, ela agregaria mais valor aos stakeholders da companhia. E a B3, numa linha de inovação e foco no cliente, percebe bastante valor nesse negócio.

Qual é o potencial dessa empresa e como tem sido as conversas entre as duas companhias?
A gente ainda não tem aprovação final do Cade e da CVM, então ainda estou muito no mundo Totvs. Mas, sob a ótica de perspectiva de crescimento, achamos que esse é um mercado pulverizado e tem centenas de players pequenos. Temos um caixa de mais de R$ 600 milhões, com o aporte que vai vir da B3, para olhar aquisições e aumentar a receita de maneira muito rápida num espaço curto de tempo.

“Temos um caixa de mais de R$ 600 milhões, com o aporte que vai vir da B3, para olhar aquisições e aumentar a receita de maneira muito rápida num espaço curto de tempo”

Vocês já estão olhando empresas para comprar?
Estamos com targets mapeados, temos um time de M&A já olhando e conversando com esses targets. O foco é agregar aos nossos produtos e serviços, com foco em crescimento.

O que vocês estão buscando?
Estamos buscando basicamente empresas B2B para a indústria de serviços financeiros – seja para atender bancos, fintechs e fundos. Esse é o nosso foco. Não entraremos, de forma alguma, no B2B2C. Seremos focados, 100%, no B2B.

E vocês já têm clientes?
Somos uma empresa que já nasce grande. Em 2020, faturamos cerca de R$ 140 milhões e neste ano vamos crescer a duplo dígito. Temos duas plataformas principais: uma para gestão de fundos de investimento e outra para core bancário. Quando olhamos esses produtos, temos clientes como Itaú, Bradesco, Santander, entre outros. Em core bancário, outros clientes como bancos médios e pequenos.

Onde você enxerga mais oportunidade de crescimento?
Acho que hoje tem espaço nas duas áreas. Tem novas empresas trabalhando com fundos e temos a capacidade de explorar esse mercado até com clientes menores, ajustando o nosso produto. Em core bancário, temos uma explosão de fintechs e SCDs que surgem todos os dias. Nosso objetivo é azeitar esse produto para esse tipo de cliente.

“Estamos buscando basicamente empresas B2B para a indústria de serviços financeiros”

Mas tem espaço para tanta fintech no mercado?
Eu diria que sim. Mas, como esse mercado é muito volátil e tem inovação todo dia, acaba que há sempre oportunidades. Quando você olha o Brasil, há muitas oportunidades.

Como vocês já estão trabalhando?
A Dimensa já nasce com cerca de 400 colaboradores, contratamos uma CFO de mercado, a Daniela Santos, que tem experiência no mundo de fusões e aquisições. E estamos participando de vários projetos grandes, portas novas que vêm se abrindo. A própria comunicação da criação da Dimensa já foi um marketing importante para abrir novas portas. Os clientes também estão animados com o foco que vai se dar agora, nessa empresa independente.

O nome B3 está ajudando a abrir essas portas?
Quando você fala da combinação de Totvs e B3 e melhoria de produtividade dos clientes, está abrindo. Tem casos de clientes que não conseguíamos abordar e agora estamos conseguindo.

Você falou que serão muito ativos em M&As. Quantas aquisições pretendem fazer?
Com um cheque de mais de R$ 600 milhões dá para fazer bastante coisa. Todo M&A faz sentido desde que seja pelo preço justo. É muito difícil falar hoje, mas contamos com crescimento orgânico e uma parte importante de aquisições para trazer o crescimento que a gente imagina, vislumbrando um IPO em um curto espaço de tempo.

Em quanto tempo a Dimensa pretende abrir capital?
Em dois anos ou três anos.

A Dimensa ainda precisa da autorização do Cade e da CVM. Como vocês estão trabalhando e o que muda após a aprovação?
Agora, estamos efetivamente tornando a empresa independente. E um management independente traz desafios maiores. Estamos reorganizando metas comerciais, atendimento com maior foco no cliente e por aí vai. Outro ponto importante é que essa empresa já nasce com conselho de administração.

“Agora, estamos efetivamente tornando a empresa independente. E um management independente traz desafios maiores”

Quem está no conselho?
O Caio Ibrahim David, ex-CEO do Itaú BBA, vai ser o presidente do conselho e ainda teremos mais dois conselheiros indicados pela B3 e outros dois indicados pela Totvs. Nascemos com uma estrutura robusta e pessoas com bastante experiência que podem contribuir muito nessa transformação da empresa, nessa mudança de patamar.

E no dia-a-dia, o que será mudado?
Através de M&A, queremos fechar gaps de produtos que não temos hoje. E esses gaps tendem a dar para a gente mais capacidade de aumentar o mercado endereçável. Podemos melhorar ofertas em core banking, investimentos, seguros. Tudo o que for de serviços financeiros voltados para bancos e techfins a gente está olhando. Podemos trazer outras linhas de negócio como, por exemplo, previdência.

O mercado de banking as a service é uma área que os próprios bancos estão olhando e virando players. O Original oferece, o BS2 também e fintechs estão vendendo esses serviços. Não tem uma concorrência maior nesse segmento?
Não, porque acho que tem uma complementaridade. Mesmo o BS2 ou o Original, usam uma plataforma por trás. O que eles oferecem, o banking as a service, é o front para atender o cliente final. Mas, muitas vezes, o motor por trás, a inteligência, está com a gente. Portanto, quanto mais oportunidades tiver de banking as a service, terei mais oportunidade de vender meus produtos também. Nós oferecemos a retaguarda para esses bancos venderem esses serviços.

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