A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em impor tarifa de importação de 10% a oito países europeus, a partir de 1º de fevereiro, e 25% em junho, como uma forma de pressão ao plano de incorporar a Groenlândia, tem afetado diretamente as principais empresas de luxo europeias.
Na segunda-feira, 19 de janeiro, as ações das principais companhias do varejo de luxo operam em queda nas bolsas europeias. A LVMH, maior conglomerado de luxo do mundo e dona das marcas Louis Vuitton, Hennessy e Moët & Chandon, registrava queda de 4,5% em seus papéis na bolsa de Paris, por volta de 17h30 (horário local).
Na bolsa de Viena, as ações da Richemont, dona da Cartier, operavam em queda de 3,12%, no mesmo horário. A Kering também registrou desvalorização de 4,4% em Paris. Na bolsa austríaca, a retração alcançou 4,06%.
Provocado principalmente por este movimento geopolítico e econômico de Trump, o banco Morgan Stanley rebaixou a recomendação das ações da LVMH de outperform para neutra. “O principal motivo para nossa maior cautela está relacionado ao impacto do câmbio e das tarifas”, afirmaram os analistas.
“A LVMH só conseguirá compensar parcialmente esse impacto por meio de aumentos de preços, dada a necessidade de não excluir o consumidor de renda média”, analisou o Morgan Stanley no relatório.
No mercado de vinhos e destilados para a companhia, a tendência, segundo os especialistas do banco, os desafios também irão se intensificar, principalmente com uma possível mudança de comportamento do consumidor a partir do aumento da concorrência, pelo efeito do aumento das tarifas.
“Agora, projetamos que o lucro da divisão de vinhos e destilados cairá para € 988 milhões (margem de 18,1%) em 2026, o nível mais baixo desde 2010”, afirma o documento do Morgan Stanley.
O novo tarifaço de Trump atinge Dinamarca (que controla a Groenlândia), Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Holanda e Finlândia. Os países se mostraram contrários ao desejo do presidente americano em incorporar o território localizado no Ártico.
“Uma escalada da guerra comercial entre EUA e Europa motivada pela Groenlândia pode apagar a maior parte do crescimento dos lucros europeus em 2026”, diz Laurent Douillet, estrategista sênior de ações da Bloomberg Intelligence.
“As ações de Trump no fim de semana exacerbaram os riscos geopolíticos e reacenderam a incerteza comercial. Após um início de ano com baixa volatilidade, as ações podem sofrer alguma pressão de baixa”, afirma Kyle Rodda, analista sênior de mercado financeiro da Capital.com, à Reuters.
Para o Goldman Sachs, a entrada desta nova tarifa aos produtos europeus pode reduzir o produto interno bruto (PIB) entre 0,1% e 0,2% nos países afetados pela decisão de Trump em 2026.
O tarifaço americano ocorre justamente em um momento de incerteza do mercado de luxo europeu, que vem enfrentando uma desaceleração desde 2023.
Em 14 de janeiro, a Saks Global, grupo controlador das principais lojas de departamento de luxo nos Estados Unidos, entrou com pedido de recuperação judicial (Chapter 11).
Na petição enviada à Justiça, a companhia afirmou ter até 25 mil credores. Entre os que têm a receber da empresa estão justamente as grandes casas de luxo europeias, como Chanel, Kering e LVMH. Somente com estas marcas, a dívida é de US$ 225 milhões.
De qualquer forma, a dona da Louis Vuitton reagiu nas vendas no terceiro trimestre de 2025, com crescimento orgânico de 1%, contra uma previsão de queda de 0,6%. A receita total no período foi de € 18,28 bilhões.
No acumulado de 12 meses, as ações da LVMH registram desvalorização de 14,8%. A empresa está avaliada em € 290,6 bilhões.