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Startups

Depois de uma temporada nos EUA, Julio Vasconcellos volta ao Brasil

Fundador do Peixe Urbano está retornando ao País para se dedicar ao fundo de venture capital Canary, do qual é um dos sócios

 

Julio Vasconcellos, sócio-fundador do fundo de venture capital Canary

Ele é um dos empreendedores mais reconhecidos da internet brasileira. Foi o primeiro funcionário do Facebook no Brasil e fundador do Peixe Urbano, site que surfou na onda das compras coletivas a partir de 2010. Agora, depois de uma temporada de três anos nos Estados Unidos, Julio Vasconcellos está voltando ao País.

Nesta semana, Vasconcellos retorna em definitivo ao Brasil para se dedicar exclusivamente ao fundo de venture capital brasileiro Canary, do qual é um dos sócios-fundadores. Ele chega em um momento em que a gestora está começando a captação de um segundo fundo para investir em startups brasileiras no valor de US$ 50 milhões.

“Estou em uma fase de transição na minha vida e decidi fazer o movimento de volta ao Brasil”, afirmou Vasconcellos com exclusividade ao NeoFeed. “Há muito otimismo no País.”

Vasconcellos ficou nos Estados Unidos de 2016 até agora. Nesse período, ele comandou a Prefer, um marketplace de serviços profissionais focado em profissionais autônomos. Com investimento do fundo americano Benchmark, a operação foi fechada no início deste ano.

Embora não dê muitos detalhes sobre sua atividade no Brasil quando retornar, Vasconcellos diz que seu objetivo é tocar novas iniciativas do fundo de investimento. Uma delas é o Canary Jet Pack, um programa para atrair estudantes das principais universidades americanas a voltarem para o Brasil e criarem empresas inovadoras.

A ideia é investir nesses alunos antes mesmo de eles terem um projeto. “Daremos uma estrutura básica a eles e depois vamos investir em suas empresas”, explica Vasconcellos. “É o extremo: nem sabemos no que a pessoa vai investir e já estamos investindo.”

Essa atitude tem muito a ver com o estilo de investir do Canary, um fundo criado por empreendedores e que conta com uma rede de mais de 100 nomes, como Mike Krieger, fundador do Instagram, David Vélez, do Nubank, Paulo Veras, do 99, e Hugo Barra, do Facebook.

Ao contrário de muitos fundos de investimento, que trabalham com teses de investir em determinados setores, o Canary aposta essencialmente em pessoas. “Sempre olhamos o histórico do empreendedor”, diz Vasconcellos.

Conhecer o empreendedor é fundamental para o Canary. A gestora aposta em empresas em estágio inicial. Em geral, eles são o primeiro investidor institucional da startup, com aportes que podem variar de US$ 100 mil a US$ 1,5 milhão.

Histórico

O retorno de Vasconcellos ao Brasil coincide com uma nova fase no mercado brasileiro de venture capital. A internet brasileira pode ser dividida em três períodos. A primeira delas começou no fim dos anos 1990. Foi uma época romântica, com pouco capital para se investir nas startups. Os planos de negócios eram inconsistentes e muitas empresas naufragaram, como o provedor de internet Super11, com o estouro da bolha da internet no começo dos anos 2000.

Dessa época, o caso mais reluzente de sucesso foi o Buscapé, fundado por Romero Rodrigues, Rodrigo Borges, Ronaldo Morita e Mario Letelier. Em 2009, o comparador de preços brasileiro foi vendido para o fundo sul-africano Naspers, por US$ 342 milhões, num dos grandes negócios da internet brasileira naquela época.

Na segunda fase, a partir de 2009, pode-se dizer que o volume de capital de risco destinado para empresas de internet no Brasil aumentou. Nesse período, Vasconcellos foi um de seus expoentes. Ele foi um dos fundadores do Peixe Urbano, um dos sites sensação da febre de compras coletivas, que recebeu aportes de fundos peso-pesados dos Estados Unidos, como General Atlantic e Tiger Global.

Nessa mesma época, surgiram também outros fenômenos, como as operações de crowdsourcing, a exemplo de Kickante e Catarse. Muitas operações online gestadas em meados desta década estão, agora, em processo de consolidação. Ficaram grandes, ganharam musculatura ou foram adquiridas por empresas de fora. São os casos das fintechs Nubank e Creditas, do aplicativo de transporte 99 ou mesmo a healthtech Dr. Consulta.

Agora, na visão de Vasconcellos, começa uma nova fase, em que há projetos melhores, mais profissionais capacitados para tocar as ideias e mais capital disponível para investir. Um exemplo é a chegada do Softbank, dono do maior fundo de tecnologia do mundo, com quase US$ 100 bilhões, que anunciou que vai investir US$ 5 bilhões em startups latino-americanas, 45% do que foi investido na América Latina e 2009 a 2018, segundo dados da consultoria americana CBInsights.

Ao contrário do que se possa imaginar, a chegada do Softbank foi saudada pelas principais empresas de venture capital do Brasil. “Ele não é meu concorrente”, afirma Vasconcellos. “Eu assino o primeiro cheque. Ele o último.” Oportunidades de investimento, ao que tudo indica, não vão faltar.

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