A Aeris comunicou a credores debenturistas, na quinta-feira, 20 de agosto, o início de um processo de mediação para renegociação de dívida, por meio de um protocolo de tutela cautelar antecedente, apurou o NeoFeed.

A tutela cautelar antecedente é um mecanismo jurídico que dá à empresa proteção temporária para negociar com credores antes de um pedido formal de recuperação judicial ou extrajudicial — e, em geral, precede uma dessas duas saídas em até 30 dias.

A companhia tem duas emissões de debêntures em mercado, AERI11 e AERI12, ambas quirografárias e indexadas a 100% do CDI, que somavam mais de R$ 1 bilhão em saldo no fim de 2024.

As duas séries já haviam passado por uma repactuação em março de 2025, que alongou o vencimento para 2030 e elevou os juros de DI+2% para DI+3% ao ano a partir de 2026, com pagamento apenas trimestral a partir de 2027.

Naquela ocasião, a Aeris concluiu o reperfilamento de cerca de 90% de uma dívida total de R$ 1,7 bilhão, incluindo bancos como Santander, BB, BV e BNDES.

Mesmo após a reestruturação, os indicadores da companhia seguiram se deteriorando: a Aeris teve prejuízo líquido de R$ 152 milhões no segundo trimestre de 2026, ante R$ 138 milhões no trimestre anterior, com dívida líquida em R$ 1,94 bilhão e caixa de apenas R$ 17,3 milhões ao fim do período. O Ebitda ajustado permanece negativo, apesar de melhora sequencial.

O mercado de crédito privado já vinha precificando o risco. A Anbima parou de calcular taxa indicativa para as duas debêntures no início de dezembro de 2024, dias antes de a companhia convocar a primeira assembleia de debenturistas para tratar da reestruturação.

Nos negócios mais recentes, em junho e julho de 2026, os papéis vêm sendo negociados no mercado secundário com deságio superior a 85% frente ao valor de curva, segundo dados da B3 e da Oliveira Trust, agente fiduciário das emissões.

Em dezembro de 2024, a Aeris já havia confirmado, em resposta a questionamento da CVM, que seus controladores foram procurados pela chinesa Sinoma Blade, fabricante de pás eólicas, sobre uma possível venda de participação — negociação que, até então, não avançou.