A MBRF voltou ao menu recomendado do Bank of America (BofA), diante da expectativa de que a recuperação das margens da operação de carne bovina na América do Norte e os menores investimentos resultarão em uma forte inflexão na geração de fluxo de caixa livre, abrindo caminho para a desalavancagem do balanço.
Esse cenário levou as analistas Isabella Simonato e Julia Zaniolo a elevar a recomendação para as ações da companhia de neutro para compra. Elas também aumentaram o preço-alvo dos papéis de R$ 23 para R$ 26, valor que implica um potencial de valorização de 51% em relação aos níveis atuais.
Segundo elas, esse cenário reforça a tese da MBRF, cujo desempenho vem sendo prejudicado pelo duro cenário na América do Norte, ofuscando a reformulação que promoveu nas operações da BRF, que resultou na captura de sinergias, redução de custos e melhora na execução operacional e comercial.
“A MBRF apresentou resultados sólidos nos últimos 12 meses e se destaca como uma das poucas empresas do setor de alimentos e bebidas no Brasil acompanhadas pelo banco cujas estimativas de Ebitda foram mantidas estáveis ou revisadas para cima desde o fim de 2025”, diz trecho do relatório.
Depois de um período de oferta restrita de gado nos Estados Unidos, que vem prejudicando todos os frigoríficos que atuam no país, as analistas do BofA veem sinais de melhora da situação, diante dos ajustes feitos no mercado e pela própria MBRF em sua operação.
A recuperação deve ser impulsionada pelo aumento da oferta de gado proveniente do México e pelos fechamentos de unidades de processamento ocorridos em 2026. Segundo o relatório, a combinação desses fatores deve elevar em 6 pontos percentuais a utilização da capacidade da indústria no curto prazo, para 85%.
Esse nível corresponde à média de utilização registrada nos últimos cinco a seis anos e, segundo o BofA, pode contribuir para pressionar os preços do gado em 2027, melhorando as condições para os frigoríficos.
“Além disso, a MBRF deve se beneficiar diretamente do fechamento da unidade da Tyson em Joslin, Illinois, que fica a cerca de 140 milhas (225 quilômetros) da unidade Iowa Premium, da MBRF”, diz trecho do relatório, destacando que a situação pode favorecer a utilização de capacidade da operação da companhia na região.
Com isso, o BofA projeta uma margem Ebitda de 1,7% para a operação norte-americana em 2027, contra 0,6% estimada para 2026.
Essa melhora vem acompanhada pela perspectiva de redução do capex, após quatro anos de investimentos em todas as divisões, segundo o BofA — incluindo mais de US$ 1 bilhão na National Beef desde 2020 e o aumento da capacidade de alimentos processados na BRF.
“Atualmente, a MBRF opera com um capex de manutenção recorrente de R$ 5 bilhões (incluindo ativos biológicos) e espera reduzi-lo para a faixa de R$ 3,5 bilhões a R$ 4 bilhões em 2027 (sendo R$ 3 bilhões para a BRF e R$ 1 bilhão para o segmento de carne bovina)”, diz trecho do relatório.
Com isso, o BofA projeta um fluxo de caixa livre de R$ 1,9 bilhão para a MBRF em 2027, ante uma estimativa anterior de R$ 390 milhões. O valor corresponde a um yield de 7,7%, que deve chegar a 10,8% em 2028.
Para 2026, o banco elevou sua projeção de Ebitda da MBRF em 2,8%, para R$ 12,8 bilhões. Para 2027, a estimativa foi aumentada em 7,6%, para R$ 12,9 bilhões.
A melhora na geração de caixa deve permitir à MBRF reduzir sua alavancagem em 0,5 a 0,6 vez por ano a partir de 2027, levando o indicador para abaixo de 3 vezes em 2029.
Essa previsão de melhora vem em um momento em que as ações da empresa são negociadas a um valuation considerado favorável. A companhia é avaliada em 5,7 vezes o EV/Ebitda projetado para 2027, múltiplo próximo à média dos últimos três anos e inferior ao de 6,7 vezes da JBS.
O desconto em relação à JBS é considerado justificável pelo BofA, devido à menor diversificação dos negócios da MBRF e ao nível mais elevado de alavancagem. Ainda assim, o banco avalia que o valuation atual oferece suporte às ações e limita o potencial de queda dos papéis.
Por volta das 15h46, as ações da MBRF subiam 5,31%, a R$ 18,23. No ano, os papéis acumulam queda de 7,18%, levando o valor de mercado a R$ 25,2 bilhões.