Às vésperas da visita do presidente chinês Xi Jinping a Washington, para um encontro com Donald Trump, no fim de setembro, o Citi aguarda a aprovação regulatória para operar como corretora na China. A expectativa é que essa licença saia em outubro.
A instituição financeira, que já oferece serviços bancários corporativos, institucionais e outros na China, solicitou uma licença para operar como corretora integralmente na China no fim de 2021, como parte de sua estratégia para ampliar sua presença na segunda maior economia do mundo.
O Citi, que vem realizando contratações nos últimos dois anos como uma forma de preparação para a obtenção da licença, pretende praticamente dobrar o número de funcionários no país, para cerca de 100 pessoas até o final deste ano, segundo fontes consultadas pela Reuters.
A expansão no mercado chinês, caso se concretize nas próximas semanas, vai fazer com que o Citi possa competir com seus principais rivais, que já possuem a licença de corretora no país, como J.P. Morgan, Goldman Sachs e Morgan Stanley. E significa avançar em um negócio que tem se tornado cada vez lucrativo, nos últimos anos.
O lançamento previsto da corretora ocorre em um momento em que a China vê um número crescente de empresas de tecnologia e de outros setores recorrendo aos mercados de ações para arrecadar fundos e atrair mais capital para as bolsas de valores.
Mesmo com o aumento recente das tensões geopolíticas entre a Casa Branca e Pequim, o governo chinês tem expandido o acesso das companhias de Wall Street no setor financeiro asiático, justamente para buscar novos recursos.
Jinping, inclusive, ainda segundo fontes da Reuters, está preparando uma grande delegação de líderes empresariais para acompanhá-lo na visita aos Estados Unidos. Devem estar presentes CEOs das principais companhias dos setores de tecnologia, educação, imobiliário, entre outros segmentos importantes no país asiático.
Na iniciativa do aumento de contingente na China, por parte do banco sediado em Nova York, está a ampliação de profissionais de diversas áreas, desde banqueiros seniores da linha de frente até equipes de suporte. Para isso, serão realocados funcionários que já atuam no Citi, além de novas contratações de mercado.
Neste sentido, o Citi pretende remanejar, para a unidade chinesa de corretagem, assim que conquistar a autorização, parte de executivos que hoje atuam em Hong Kong e de outros mercados da Ásia.
Recentemente, o banco americano anunciou um aumento de 25% no número de funcionários na África do Sul, Europa e Ásia para atender às necessidades bancárias internacionais de seus clientes na região, incluindo a China.
A questão é que a ampliação dos serviços financeiros para o Citi chega em um momento de um mercado extremamente competitivo no país, especialmente por concorrentes diretos que já atuam nesta mesma prateleira.
Em 2025, os lucros da unidade de valores mobiliários da Goldman Sachs na China praticamente triplicaram, atingindo US$ 217,39 milhões, enquanto os do J.P. Morgan quadruplicaram, chegando a US$ 147 milhões, segundo seus últimos relatórios anuais para a China.
O lucro do Morgan Stanley aumentou sete vezes, atingindo US$ 20,5 milhões no ano passado, segundo seu relatório anual, à medida que os bancos americanos se beneficiam do aumento da receita com negociação de títulos, principalmente de clientes institucionais.
Segundo fontes, a nova unidade de negócios da Citi na China está buscando aprovação regulatória para conduzir operações de corretagem, subscrição, pesquisa e negociação de ações A no mercado local.
Essas ofertas complementariam a equipe de banco de investimento focada em operações offshore na China, que já conta com suporte às atividades de financiamento de empresas nacionais em mercados estrangeiros.
O banco planeja inicialmente avançar em sua base de clientes de serviços bancários corporativos e comerciais em território nacional, que já atende em áreas como câmbio, gestão de caixa e financiamento comercial, para conquistar contratos de ações da classe A e fusões e aquisições.
Para a nova unidade, o Citi se concentrará em setores como tecnologia, saúde, consumo e instituições financeiras, visando tanto as grandes empresas já estabelecidas na China quanto os players emergentes, incluindo empresas de IA e de semicondutores.
Além dos rivais de Wall Street, o Citi competiria com as corretoras chinesas. Algumas empresas financeiras estrangeiras deixaram o país recentemente devido ao ambiente de negócios extremamente competitivo.
A expansão planejada para a China ocorre em um contexto em que a CEO do Citi, Jane Frases, a única mulher chefe de banco global a acompanhar Trump durante sua visita a Pequim, em maio, pressiona por metas de lucratividade mais ambiciosas para os próximos dois anos.
No acumulado de 2026, as ações do Citi na Nyse acumulam alta de 17%. Em 12 meses, a valorização alcança 40,5%. O banco americano tem valor de mercado de US$ 228,5 bilhões.