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Negócios

Exclusivo: Banco Carrefour vai entrar no mercado de maquininhas com a marca Atacadão

A empresa também vai lançar uma carteira digital para brigar no mercado de meios de pagamento

 

A disputa entre as empresas de adquirência como Cielo, PagSeguro, Rede, Stone, SafraPay, SumUp e outras companhias do setor tem sido frequentemente classificada como “A guerra das maquininhas”, diante da agressividade que se vê entre elas.

A cada dia, um novo capítulo é adicionado colocando mais pressão em todas as competidoras que atuam no mercado. Pois o Banco Carrefour vai debutar nesse ambiente e promete botar mais calor no cangote companhias que já estão “se matando” pelos clientes.

O braço financeiro do tradicional grupo de varejo no Brasil já tem, inclusive, desenhado o modelo que pretende adotar para entrar na briga. “O projeto já está em andamento. Até o fim do ano teremos um piloto”, diz Carlos Mauad, CEO do Banco Carrefour, com exclusividade ao NeoFeed.

Antes de explicar a estratégia, Mauad, executivo que trilhou carreira no Citi e na Smiles, faz questão de levantar a bandeira branca. “Não quero brigar com a Cielo, com a PagSeguro ou com a Stone. Quero dar uma solução para o meu cliente.” O confronto, entretanto, é inevitável.

Carlos Mauad, CEO do Banco Carrefour

O plano desenhado pela equipe do Banco Carrefour para entrar no mercado de adquirência é usar a rede Atacadão, que atua no chamado mercado de atacarejo. É a marca voltada, principalmente, para o B2B e tem um enorme poder de fogo.

No País, o Grupo Carrefour tem 673 lojas. Deste total, 175 lojas são da bandeira Atacadão. Só que o faturamento é inversamente proporcional. Enquanto as vendas do Atacadão totalizaram R$ 19,9 bilhões no primeiro semestre de 2019, as receitas do Carrefour atingiram R$ 9,6 bilhões no mesmo período.

O Banco Carrefour pretende vender essa maquininha para o cliente que vai até a loja. E o número é poderoso: são 20 milhões de cadastros.

O Banco Carrefour pretende vender essa maquininha para o cliente que vai até a loja. E o número é poderoso: são 20 milhões de cadastros. “Cerca de 60% das vendas do Atacadão são para o pequeno comerciante, o dono de um pequeno restaurante, que tem a barraquinha de cachorro quente”, diz Mauad.

A ideia é estimular esse pequeno comerciante, munido de uma maquininha do Atacadão, a continuar consumindo na rede. Para isso, o Banco Carrefour pretende ser bem agressivo. “O comerciante que vender R$ 1 mil no restaurante dele usando a nossa maquininha, terá os R$ 1 mil para comprar no Atacadão”, diz Mauad.

Isso significa que não haverá nenhuma taxa. A cobrança só acontecerá caso não compre na rede. “Eles estão fazendo o que no mercado chamamos de acquire as a service”, diz Daniel Miranda, gerente-geral da Azulis, empresa que tem um serviço de comparação de maquininhas. “Usa o serviço para ganhar mais cliente e, de lambuja, ganha dinheiro.”

Carteira digital

Essa não é a única iniciativa do Banco Carrefour, atualmente com uma carteira de crédito de R$ 10 bilhões, 8,2 milhões de cartões de crédito emitidos, dos quais 5,5 milhões ativos. Mauad também antecipou, com exclusividade ao NeoFeed, que a instituição financeira está prestes a anunciar a compra de uma plataforma de tecnologia para a carteira digital.

Esse é o primeiro passo para o lançamento de uma carteira digital Carrefour até o fim do ano. Será uma espécie de ecossistema onde serão vendidos produtos financeiros e o usuário poderá fazer uso de vários serviços, como pagar contas, pedir empréstimos e até recarregar serviços de transporte e de celular.

A carteira poderá ser carregada com dinheiro via depósito bancário ou via pagamento de boleto e os clientes das marcas Atacadão e Carrefour poderão atrelar seus cartões à conta. Os portadores dessas wallets digitais também poderão pagar com QR Code nos supermercados.

Fora deles, o Banco Carrefour pode fazer uma parceria com o iti, plataforma do Itaú, dono de 49% do Banco Carrefour. “Devemos nos integrar a iniciativas como a do iti, do Itaú, que é acionista, para a minha carteira estar lá. Todo terminal Rede, em última instância, é um potencial viabilizador dessa aceitação”, diz Mauad.

Os clientes que têm cartão do Carrefour gastam em média R$ 1 mil por mês e os dos Atacadão R$ 750 por mês

Os clientes que têm cartão do Carrefour gastam em média R$ 1 mil por mês e os dos Atacadão R$ 750 por mês. Dos 5,5 milhões de clientes ativos, 70% usam os cartões na loja. Mais: do total faturado pelo Carrefour, 25% passam pelos cartões. No Atacadão, esse índice representa 14%.

A ideia é, novamente, aproveitar esse fluxo para melhorar a experiência do usuário, trazer recorrência para as lojas e vender novos produtos. “Está no plano ser um banco com uma experiência cada vez mais abrangente para o cliente. Podemos, por exemplo, ter uma conta remunerada para o cliente ter o capital de giro dele”, diz Mauad.

Mudança de mentalidade

Esses produtos são frutos de uma nova mentalidade nos corredores do Banco Carrefour. “É um negócio que está em ebulição. Se você pegar o mercado das fintechs hoje, 90% estão nos mercados de meio de pagamentos e crédito”, diz Mauad.

Desde que chegou na companhia, vindo da empresa de fidelidade Smiles no início do ano, o executivo tem lidado com dois desafios: quebrar a dinâmica de trabalho tradicional e implementar uma nova cultura. O primeiro desafio é, relativamente, mais fácil.

Os times agora trabalham em squads acompanhando a jornada dos clientes. “Isso permite encurtar os ciclos. A cada 15 dias, cada squad tem de trazer uma pequena entrega que mude a experiência do cliente. E vamos promovendo ajustes ao longo do tempo.”

“A cada 15 dias, cada squad tem de trazer uma pequena entrega que mude a experiência do cliente”, diz Mauad

O outro desafio é a transformação cultural. As pessoas precisam pensar de outra maneira. E não é fácil fazer isso com uma equipe de 650 pessoas no escritório central e com 3,5 mil pessoas espalhadas na rua. As soluções deixam de nascer dentro da companhia e passam a nascer através do cliente final.

Mauad diz que a liderança deixa de ser servida e passa a servir. A cultura que prevalece é a de que você não mede a sua importância pela quantidade de funcionários que tem, mas pela quantidade de pessoas que ajuda. “Isso tudo é um processo que tira as pessoas da zona de conforto e incomoda porque não são todas que estão preparadas para essa mudança.”

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