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Startups

Mudança de rota: A conta do Softbank chegou e as startups vão pagar o pato

Depois de perder bilhões de dólares com a WeWork, o Softbank deixa de focar em crescimento a qualquer custo para cobrar rentabilidade das startups. Conclusão: muitas delas estão demitindo, como Fair, Wag e Uber

 

A Uber, uma das investidas do Softbank, agora terá de enxugar a sua operação

Na sexta-feira, 25 de outubro, a Fair fez um corte que deve afetar 40% de toda sua força de trabalho na tentativa de criar um atalho até o lucro. A startup fundada em 2016, em Los Angeles, apostava em um modelo inovador de leasing de automóveis de curta duração – um negócios que se espalhou por 30 mercados dentro dos Estados Unidos e agradou 45 mil usuários.

Com quatro aquisições no currículo, a empresa chegou a levantar mais de US$ 2 bilhões em investimentos com lly Financial, Silicon Valley Bank, BMW iVentures, Sherpa Capital, Javelin Venture Partners e o todo-poderoso Vision Fund, do Softbank, que chegou a liderar a rodada de série B da companhia.

A Fair pode ser considerada um exemplo de uma nova ordem no Softbank. Depois de sentir no bolso as consequências bilionárias do IPO frustrado da WeWork e do baixo desempenho de Uber, Peloton e outras apostas de alto risco, o fundo de US$ 100 bilhões criado pelo bilionário japonês Masayoshi Son começa a pressionar as startups de seu portfólio a deixarem de lado a busca pelo crescimento a qualquer custo para mirar no lucro, numa clara mudança de estratégia.

Uma reportagem publicada pelo The Wall Street Journal indica que o fundo estaria orientando sua equipe a cobrar uma drástica redução nos gastos, a começar pelo corte de funcionários. O gigante asiático está disposto ainda a ter uma voz mais ativa, melhorando a governança das startups nas quais investe.

O Softbank está disposto ainda a ter uma voz mais ativa, melhorando a governança das startups nas quais investe

Outras três empresas do portfólio do Softbank, além da Fair, estão adotando a mesma estratégia de corte de pessoal, em busca do caminho da rentabilidade. Uma delas é a Wag, que recebeu US$ 361,5 milhões em investimentos. Desse total, US$ 300 milhões vieram diretamente do Vision Fund, do Softbank, em 2018.

Notícias sobre desafios operacionais do aplicativo que funciona como uma espécie de Uber para passeadores de cachorro, os chamados dog walkers, acenderam o alerta no fundo de Masayoshi Son. No começo deste ano, 54 pessoas foram desligadas da startup – mais de um terço do quadro de funcionários da empresa, segundo dados do Crunchbase.

A Uber é também uma das startups do portfólio do Vision Fund afetadas pela nova ordem do Softbank. A companhia abriu o capital em maio e, desde então, suas papeis se desvalorizaram aproximadamente 30%. No seu segundo trimestre fiscal, o prejuízo foi recorde: US$ 5 bilhões. Desde então, o CEO Dara Khosrowshahi começou a apertar o cinto e fazer demissões. No total, mais de mil pessoas desembarcaram da empresa – 2% de todo o time.

Os problemas em série na WeWork arranharam a imagem do japonês Masayoshi Son e fizeram com que ele agisse

Caminho semelhante deverá seguir à WeWork, que foi resgatada pelo Softbank para não falir. O fundo japonês fez um novo aporte na empresa e assumiu o controle. No total, Masayoshi Son já colocou US$ 18 bilhões na empresa de escritórios compartilhados, quase metade do PIB da Bolívia.

Embora ainda não tenha tornado público a estratégia de contingenciamento, a imprensa americana trabalha com a possibilidade de que cerca de quatro mil profissionais sejam demitidos da startup, cujos gastos bilionários desempenham papel central no déficit da companhia.

Outras startups do portfólio do Softbank não apertaram os cintos, mas estão enfrentando dificuldades para entregar resultados. É o caso da empresa chinesa de seguros online ZhongAn, que recebeu investimentos do Masayoshi Son depois de seu IPO, em 2017. O desempenho desastroso culminou com a renúncia do CEO Chen Lin, em julho. Avaliada em US$ 38,2 bilhões, a seguradora viu seus papéis irem de US$ 93,65, em outubro de 2017, para os atuais US$ 26.

O e-commerce Brandless, que vende produtos próprios direto para o consumidor, enfrenta também dificuldades. A companhia recebeu US$ 293 milhões em investimentos totais de diversos fundos, entre eles o Softbank. Mas ainda não conseguiu entregar bons resultados. Em agosto deste ano, as vendas caíram 54% em comparação ao mesmo período do ano passado, segundo apurou a consultoria Second Measure.

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