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A discreta potência dos elétricos fisgou a Lamborghini

A Porsche, a Lotus e a Audi já aderiram aos motores elétricos. A mais recente a anunciar sua entrada nesse segmento é a Lamborghini, que divulgou um investimento de 1,5 bilhão de euros para ter um carro 100% elétrico até o fim desta década

 

Stephan Winkelmann, presidente da Lamborghini, à frente do Urus

A Lamborghini chocou o mundo do automóvel pela segunda vez em dez anos. A primeira foi em 2012, quando apresentou no Salão de Pequim o conceito de seu primeiro SUV, o Urus, algo inimaginável para a mítica marca italiana – o veículo começou a ser fabricado em 2018.

A segunda vez foi na semana passada, quando a Lamborghini anunciou seu plano de eletrificação, com um investimento de 1,5 bilhão de euros (R$ 9,7 bilhões) em apenas quatro anos. Trata-se do maior investimento da história da marca italiana para produzir motores elétricos silenciosos.

“O plano de eletrificação da Lamborghini é necessário no contexto de um mundo em mudança radical, onde queremos dar nossa contribuição continuando a reduzir o impacto ambiental por meio de projetos concretos”, disse Stephan Winkelmann, presidente e CEO da Automobili Lamborghini, em um comunicado.

Mais do que revelar sua adesão ao mundo dos carros elétricos, o anúncio feito por Winkelmann, mostra que o grupo Volkswagen voltou a apostar na marca adquirida em 1998. Há apenas um ano, a italiana Lamborghini e a francesa Bugatti eram as pedras no sapato da fabricante alemã, que considerava fechar ou vender as marcas.

Pelo menos até o fim desta década, parece que a Lamborghini está salva. O plano de eletrificação da Lamborghini tem três fases. A primeira (2021 e 2022) prevê a “celebração do motor a combustão interna”. Os modelos atuais – Urus V8, Huracán V10 e Aventador V12 – ganharão séries especiais com motores elétricos.

A segunda fase (2023 e 2024) foi chamada de “transição híbrida” e prevê o primeiro carro híbrido plug-in da Lambo. A terceira (a partir de 2025) visa a reduzir em 50% as emissões de carbono da Lamborghini.

Segundo Winkelmann, a Lamborghini terá até o fim da década seu primeiro carro totalmente elétrico. Vai, claro, beber da mesma fonte da Audi e da Porsche, que também produzem carros de alto desempenho dentro do grupo Volkswagen.

A entrada da Lamborghini no mercado de carros elétricos é mais uma prova de que este é um caminho sem volta – em especial para os carros superesportivos. A Audi, por exemplo, possui o carro elétrico de série mais rápido do mundo atualmente, o RS e-tron GT Quattro.

Ele tem motores elétricos que entregam 646 cavalos de potência, capazes de levá-lo de 0 a 100 km/h em pouco mais de 3 segundos. Ainda dentro do grupo Volkswagen, o Porsche Taycan é um canhão elétrico ainda mais potente, de 761 cavalos.

Conceito de Terzo Millenio, que pode ser a versão do carro elétrico da Lamborghini

A inglesa Lotus no cupê esportivo Evija adotou a estratégia de instalar um motor elétrico para cada roda. Com isso, os quatro motores elétricos entregam a impressionante potência de 2.000 cavalos. Ele chega a 300 km/h em menos de 9 segundos. Sua produção, porém, é limitada em 130 unidades.

Outro exemplo é o Tesla Roadster de segunda geração, que tem três motores elétricos e potência não revelada, mas vai de 0 a 100 km/h em menos de 2 segundos e tem bateria de 200 kWh (para rodar 1.000 km).

Os carros elétricos vão pouco a pouco ganhando mercado. Segundo os últimos relatórios da IEA (International Energy Agency), já existem mais de 10 milhões de carros elétricos circulando no mundo. Em 2020, a Europa deu um salto nesse segmento, ultrapassando a China em volume e se estabelecendo como o maior mercado global.

De acordo com a IEA, em apenas um ano, a Europa passou de 363 mil para 747 mil carros totalmente elétricos e de 204 mil para 625 mil carros híbridos plug-in. Assim, a participação de veículos elétricos em seu mercado subiu de 4% para 11%. A China ainda tem mais carros totalmente elétricos: 931 mil. Contando também os 228 mil híbridos plug-in, o mercado chinês já tem 9% de veículos elétricos.

Bem atrás estão os Estados Unidos, com apenas 2%, sendo 231 mil carros totalmente elétricos e 64 mil híbridos plug-in. Os outros mercados do mundo somam apenas 98 mil elétricos e 50 mil híbridos plug-in (1%). Na semana passada, em visita à sede da Ford, o presidente americano Joe Biden anunciou que os EUA vão investir US$ 174 bilhões para virar esse jogo. Para a Lamborghini é importante, pois trata-se de seu maior mercado.

Como a marca Lamborghini não será mais fechada ou vendida nos próximos anos, conforme se especulava na Europa, ela entra na estratégia do grupo Volkswagen, que estabeleceu como meta vender 20% de carros elétricos até 2025 e 70% até 2030 na Europa.

O elétrico Porsche Taycan tem 761 cavalos

São números parecidos com o da Stellantis, que pretende vender 38% até 2025 e 70% até 2030. Somente a Volvo, que não tem tanto volume, estabeleceu uma meta superior: 50% das vendas globais até 2025 e 100% até 2030.

Mas, apesar deste movimento, a Lamborghini não abandonará totalmente sua essência. Ela ainda manterá em seu portfólio carros à combustão. A marca nasceu em 1963, depois que seu fundador, Ferruccio Lamborghini, um fabricante de tratores, foi até Enzo Ferrari reclamar do funcionamento do câmbio de seu carro, um 250 GT.

Enzo Ferrari não gostou e respondeu: “O que você quer saber sobre carros quando dirige tratores?” Irritado, Ferruccio Lamborghini decidiu fazer seus próprios carros em Sant’Agata Bolognese, que se tornou um endereço ícone da indústria automobilística.

Do pioneiro modelo 350 GT ao surpreendente SUV Urus, passando por clássicos como Miura, Diablo, Murciélago e Gallardo, a Lamborghini só fez carros com supermotores. A sensação de prazer ao dirigir provocada pelo ronco forte desses motores não será totalmente substituída pelo zunido de motores elétricos movidos a baterias, por mais potente que sejam.

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