A eleição já penaliza o BB? O mercado diz que sim. O Itaú BBA acha o pessimismo exagerado

As ações do Banco do Brasil, que historicamente sofrem com ruídos políticos, acumulam queda de 23% desde janeiro. Para analistas do Itaú BBA, as finanças da instituição não justificam o desconto praticado, de 70%, acima do nível de ciclos políticos anteriores

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Agência do Banco do Brasil

Por ser o único banco público com capital aberto na Bolsa, o Banco do Brasil (BB) costuma ser a instituição financeira mais penalizada pelos investidores em tempos de instabilidade em Brasília. Afinal de contas, há sempre o receio de que interferências políticas atrapalhem a gestão do negócio e deixem a companhia para trás em relação aos concorrentes privados.

Em janeiro deste ano, por exemplo, as ações do BB começam a cair, quando o mercado soube que o presidente Jair Bolsonaro havia se irritado com o plano da instituição de fechar 112 agências ao longo do primeiro semestre. Após uma série de ruídos sobre uma possível troca de comando no banco, o então presidente do BB, André Brandão, pediu demissão em março.

Desde janeiro, a ação do banco acumula queda de 23%. E, com a eleição de 2022 ganhando cada vez mais espaço na pauta do mercado, as perspectivas não parecem animadoras para os investidores, que vislumbram uma disputa polarizada entre os dois nomes que lideram as pesquisas: o atual presidente, Jair Bolsonaro (sem partido), e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Sem a confiança do mercado, o BB tem sido até mais castigado do que em ciclos políticos anteriores, como as duas últimas eleições presidenciais e o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), segundo um levantamento feito pela equipe de analistas do Itaú BBA.

Pelas contas do Itaú BBA, a ação do BB tem sido negociada a um valor 70% abaixo do que seria o seu preço justo. Nas duas últimas eleições e durante o impeachment, o desconto girou em torno de 60%. Na média histórica, o nível é de 50%. Por volta das 11 horas, a ação do BB era negociada a R$ 30,61, enquanto o Itaú BBA estima um preço-alvo de R$ 37 para o fim de 2022.

“Isso indica que os investidores já estão precificando, em termos relativos, o mais alto risco político para as ações do BB”, escrevem os analistas Pedro Leduc, Matheus Raffaelli, Marco Calvi e Vinicius Figueiredo.

Para eles, porém, o castigo é exagerado. A julgar pelos números apresentados pelo BB, a companhia tem ido bem. A previsão do BBA para o lucro líquido do banco público em 2021 é de R$ 17,8 bilhões. “O que deve atingir os níveis pré-pandêmicos e ficar 3% acima do que estávamos prevendo anteriormente”, afirmam.

Além disso, argumentam os analisas, o BB tem um dos melhores indicadores de retorno sobre patrimônio do mercado, com 14,8% no primeiro semestre, e uma das mais baixas taxas de inadimplência, de 1,86%.

E, ainda que o plano de fechar agências tenha causado ruídos políticos e culminado com a renúncia de Brandão, o enxugamento foi executado. O balanço do segundo trimestre indica que a instituição terminou a primeira metade do ano com 112 unidades a menos, em um esforço para cortar custos e seguir a tendência de digitalização do setor.

O cenário indica, na visão do Itaú BBA, que qualquer pequena melhora na percepção dos investidores pode levar a uma valorização significativa dos papéis. “Isso pode acontecer, por exemplo, se os candidatos que lideram as pesquisas adotem discursos mais moderados na campanha”, escreveram os analistas.

Avaliado em R$ 87,2 bilhões, o BB teve lucro líquido de R$ 5,5 bilhões no segundo trimestre, alta de 52,2% em 12 meses. No acumulado do ano, o resultado é positivo em R$ 9,9 bilhões. “Nós fomos positivamente surpreendidos pelos resultados do banco no primeiro semestre”, relatam os analistas do BBA.

Não por acaso, o banco de atacado também melhorou o seu rating para a instituição, que saiu de “underperfom” (desempenho abaixo do mercado) para “market perform” (em linha com o mercado).

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