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Transformação Digital

A Mastercard nasceu apostando em cartões de crédito. Mas quer fazê-los desaparecer

João Pedro Paro Neto, presidente da Mastercard no Brasil e Cone Sul, explica como pretende sumir com os cartões no dia-a-dia dos clientes

 

O executivo João Pedro Paro Neto, presidente da Mastercard no Brasil e Cone Sul, região que engloba Argentina, Chile, Uruguai e Paraguai, é o responsável por criar as pontes com as fintechs no continente. Ele falou ao NeoFeed sobre a relação com esses novos players, o uso de inteligência artificial e também sobre o mercado de meio de pagamentos. Acompanhe:

Com o avanço da tecnologia e o surgimento de novas startups, muita coisa mudou no mercado de cartões. Quais foram essas mudanças?
Hoje a solução não é mais um para um. Não chego mais no cliente e digo: ‘eu Mastercard tenho a solução para você’. Hoje eu chego e digo ‘encontro a solução para você num conjunto de parceiros que trarei para a mesa’.

Mudou a entrega…
Sim, passamos a trabalhar colaborativamente. Por exemplo: vou criar uma inteligência artificial para um cliente nosso. Vamos trazer várias soluções com os nossos parceiros. Para melhorar a ativação do seu cartão, melhorar o seu custo, o que seja.

Por exemplo?
O iFood, por exemplo, contou com a nossa participação em toda a experiência de pagamento deles. O McDonald’s Delivery nasceu com a gente. A Via Varejo tem uma solução que eles usam nos canais de venda deles que nós ajudamos a desenvolver. O próprio C6 Bank, que vai ser lançado, conta com a gente. O Nubank também contou com a nossa ajuda.

Aliás, a Mastercard foi a primeira a apostar no Nubank quando a fintech ainda funcionava em uma pequena casa no Brooklyn e ninguém sabia o que era. O que te levou a apostar neles?
Nós temos como conceito de que precisamos fazer crescer a pizza, de ter mais volume. E queríamos buscar o que chamamos de new flows, novos negócios para entrarmos. E pensamos aqui que não custava nada investir. Queremos que eles cresçam, que a pizza aumente. Trabalhamos com C6 Bank, Banco Inter, MercadoPago, Agibank. Quanto mais cartões eles emitirem, melhor para a gente.

Na indústria financeira, durante muito tempo os grandes players enxergavam as fintechs como inimigas. E vocês, como enxergam?
As fintechs não são inimigas. Elas são nossas parceiras. Sempre trabalhamos com elas porque eles são parte desse novo movimento de fazer o mercado crescer. Eu aprendi a fazer melhor com as fintechs. Por exemplo, o processo de charge back era manual, hoje ele é eletrônico por conta das demandas das fintechs.

“Eu te identifico sabendo o jeito que você pega no celular, o jeito que você apertou o dedo para pagar”

A China hoje é um dos mercados mais avançados do mundo em meio de pagamentos. Tudo é feito pelo celular. Esse movimento vai chegar aqui?
Primeiro, temos que ver as particularidades de cada mercado. Na China, o QR Code era muito usado. Então, foi mais fácil fazer essa migração. No Brasil, você não tem QR Code. Temos aqui o Bar Code nos boletos e isso não tem muito uso. O modelo que deu certo lá não necessariamente dá certo em outros países.

A Mastercard tirou o nome do logo. É uma empresa de cartão que tem de deixar de ser uma empresa de cartão?
Não tenho dúvida disso. É isso mesmo. Tenho três linhas de negócios. De um lado, o tradicional de cartões, de transferências (No Brasil, ainda não atua em transferências). Outra parte que trabalho é na questão de dados, de segurança, de consultoria. E, por último, provedor de soluções para diferentes bandeiras locais – Hipercard e Cabal são nossas clientes. O que menos somos hoje é uma empresa de cartão.

Muito se fala do cartão não presente no momento da compra. É quase uma obsessão da indústria. O que a Mastercard está fazendo nesse sentido?
Eu tenho que ter certeza que a experiência com o cartão presente e não presente seja a mesma e com segurança. Tem de ser invisível, quase sem perceber que está usando. Estamos trabalhando muito forte o pagamento por aproximação. Como consumidor, a transação vai ser mais simples, rápida e segura.

Com quais dispositivos os clientes poderão pagar?
A nossa tecnologia nos possibilita habilitar qualquer dispositivo que se conecte: óculos, pulseira, celular, chip debaixo da pele. Isso vai depender do consumidor.

E como a inteligência artificial pode ser usada para melhorar a experiência do usuário?
A empresa de segurança e inteligência artificial que compramos, a NuData, consegue mostrar que você é você pelo seu comportamento de uso. Então, eu te identifico sabendo o jeito que você pega no celular, o jeito que você apertou o dedo para pagar, os aplicativos que você usa.

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