Newsletter

Receba notícias do NeoFeed no seu e-mail

 
Li, compreendi e concordo com os Termos de Uso e Política de Privacidade
do site.
 
 

Insiders

A Netflix dos ares tenta um novo recomeço

Depois de fechar sua operação na Europa e de enfrentar problemas com taxas nos EUA, a Surf Air busca captar US$ 20 milhões

 

Califórnia – O Uber e a Netflix foram duas empresas inovadores que influenciam uma série de negócios ao redor do mundo. Nos últimos anos, uma série de startups se autodenominaram o Uber ou a Netflix de alguma área. Nem todos decolaram.

Literalmente, esse é o exemplo da Surf Air, companhia aérea fundada em 2013, que ficou conhecida como a Netflix dos ares. Depois de uma malsucedida aventura pela Europa e de enfrentar problemas fiscais nos Estados Unidos, a empresa está tentando um recomeço.

A Surf Air trabalha hoje com três modelos de assinatura. O All-You-Can-Fly oferece voos ilimitados por uma única mensalidade de US$ 1.950. O Group é destinado a família e empresas, que por US$ 5 mil mensais têm direito a 10 pacotes de vôos/mês, sem limite de passageiros.

O mais recente é o Surf Air Express, onde o usuário desembolsa US$ 2,5 mil por ano e tem direito a assentos em voos privativos por pelo menos de US$ 500 o destino. Em todos os planos, uma taxa de matrícula de mil dólares é cobrada, mas multas e penalidades de cancelamento ou mudança de voo, por exemplo, são inexistentes.

A adesão desta última modalidade de membership teve como finalidade atrair passageiros mais esporádicos, para viabilizar a estabilidade da companhia que aposta numa trinca estratégica. “Combinamos alta demanda, aviões econômicos e priorizamos rotas de 500 milhas ou menos, voando entre aeroportos menores e mais baratos”, disse ao NeoFeed Sudhin Shahani, CEO da empresa.

A costa oeste americana é o principal polo de atuação da companhia área, que conta ali com uma frota de pouco mais de 10 aviões monomotores Pilatus PC-12, com capacidade para oito passageiros, e que consome 50% menos combustível que outras aeronaves de médio porte.

O número de aeronaves é suficiente para manter uma média de 80 voos diários, sendo a maioria deles entre Los Angeles e São Francisco, com quase 30 decolagens por dia. Todos os vôos podem ser reservados por um aplicativo próprio, em menos de 30 segundos. “No app, você tem acesso à agenda dos voos, vê quais assentos estão disponíveis e não é preciso reservar com antecedência”, diz Shahani.

Sudhin Shahani, CEO da Surf Air

Ainda segundo o CEO, este modelo de negócio permitiu o ingresso de um novo público ao mercado de aviões privados, pois 90% dos clientes da Surf Air nunca experimentaram voar em jatos particulares antes. “Nossos membros economizam uma média de 3 horas toda vez que viajam, já que não têm de lidar com a burocracia dos vôos comerciais, como filas de segurança e afins.”

O modelo de negócio disruptivo atraiu, de acordo com a Crunchbase, mais de US$ 90 milhões de investimentos, provenientes de grupos, como Sway Ventures e Mucker Capital, e de lobos solitários, como o ator Jared Leto.

Mas os problemas da Surf Air apareceram quando ela parecia ter atingido céu de brigadeiro. Em 2017, quando a companhia contava então 8,4 mil associados, ela comprou a texana RISE e viu seu mapa de cobertura crescer junto com suas ambições. No mesmo ano, anunciou o início das operações da Surf Air na Europa, atendendo cidades-chaves, como Londres, Paris, Barcelona e Dublin, entre outras.

Bastaram 17 meses para revelar que a nova rota havia sido mal traçada e a empresa comunicou a liquidação de sua participação no Velho Continente no fim do ano passado. “Foi muito caro trazer o modelo da Surf Air para a Europa, e não fomos capazes de conseguir expressão neste período, com o capital que tínhamos”, informou um comunicado oficial à época. “Experimentamos as dores de crescimento de uma nova linha aérea. Para que conseguíssemos solucionar algumas questões e nos tornar rentáveis, seria necessário escalonar o negócio, mas não tínhamos as reservas financeiras para isso”.

As incertezas em relação aos tratados pós-Brexit também colaboraram para o pouso forçado da Surf Air na Europa, deixando como única rota de fuga a volta para casa, onde também tinham de apertar os cintos. Nos Estados Unidos, a companhia devia US$ 2,4 milhões em impostos e cerca de US$ 3 milhões em dívidas com uma operadora terceirizada, a Encompass Aviation. No começo deste ano, as duas fizeram um acordo na Justiça e encerraram a briga judicial.

Os problemas da Surf Air apareceram quando ela parecia ter atingido céu de brigadeiro

Para arremeter a companhia aérea de sua queda iminente foi necessário assumir uma manobra ousada: colocar no ar uma campanha no site de crowdfunding na Indiegogo. A iniciativa foi uma espécie de teste da nova modalidade de membership Express. No site, os usuários poderiam aderir ao programa por um valor mais acessível. O resultado surpreendeu: durante o outono americano, eles arrecadaram por ali mais de US$ 115 mil, cerca de 230% da meta estipulada.

Com esse novo “combustível” nas turbinas, a companhia quer tentar um novo recomeço. Recentemente, a Surf Air divulgou seu plano de levantar mais US$ 20 milhões em uma rodada que atraia novos investidores e também decidiu flexibilizar um pouco mais sua atuação, permitindo que seus assentos vazios possam ser adquiridos pelo preço de mercado (entre US$ 600 e US$ 1 mil), por meio de plataformas online como Kayak e similares.

Siga o NeoFeed nas redes sociais. Estamos no Facebook, no LinkedIn, no Twitter e no Instagram. Assista aos nossos vídeos no canal do YouTube e assine a nossa newsletter para receber notícias diariamente.

Leia também

VÍDEOS

Assista aos programas CAFÉ COM INVESTIDOR e CONEXÃO CEO